CPI DA PANDEMIA: Luana Araújo diz que autonomia médica não dá licença para experimentação; senador Jean Prates destacou os exageros e lembrou que tem médico dando receita para conseguir like na internet
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( Publicada originalmente às 17h 20 do dia 02/06/2021)
(Brasília-DF, 03/06/2021) A médica infectologista Luana Araújo disse na CPI da Pandemia no Senado, alguns momentos sobre a autonomia médica ao ser questionada pelos senadores. Ele defendeu que a licença que dá aos médicos não permite a eles a experimentalização. O senador Jean Paul Prates(PT-RN), que vem a ser líder da Minoria no Senado, já no final da fala da me'dica abordou o tema. Ele que lembrou que tem médico, que é autoridade, fazendo uso político disse, que dando receita de kit covid pela internet para conseguir like em rede sociais.
“Mas eu quero explorar um pouquinho a questão da autonomia médica, primeira coisa. Para um leigo, como eu, na área de Medicina, até onde vai essa tal – porque agora nós ficamos conhecendo – autonomia médica? Porque alguns falam como se isso fosse um cheque em branco. O cara é médico oftalmologista, ortopedista e pode receitar qualquer coisa para qualquer doença... Enfim, ele tem essa liberdade total sem ser admoestado pela Justiça, sem ser responsabilizado por nada.”, disse.
Em determinado momento de sua fala, ele destacou um caso do Rio Grande do Norte.
“Pode um ortopedista, um oftalmologista fazer receita, receitar, quanto mais ainda a distância, remotamente, como tem um Deputado Estadual em Natal que manda receita de ivermectina em troca de likes no YouTube – ele pede para o cara fazer o print da tela e aí ele manda a receita da ivermectina –, independentemente de fazer um diagnóstico ou fazer qualquer exame?”, disse.
A partir dessas considerações, ele fez pergunta a médica Luana Araújo.
“Como é que é essa questão da autonomia médica e como é a questão do enforcement disso aí em relação aos profissionais que eventualmente estão fora do seu espectro de especialidade, mesmo assim colocando pessoas em risco, dando a elas falsa segurança, sendo que elas sequer têm o poder de escolha porque elas acreditam no médico?”, questionou.
Luana Araújo disse que a autonomia médica é baseada, na visão dela, na “plausibilidade teórica, no conjunto de evidências, na ética e na responsabilização.”
“A autonomia não está acima da ciência, ela não é um cheque em branco, ela não é uma licença para experimentação. Ela precisa ser baseada em plausibilidade teórica, no conjunto de evidências, na ética e na responsabilização. Se nisso tudo, você ainda compreender que vale a pena a sua decisão, você tem o direito de decidir. Está lá. Mas isso não significa que você não responda por ela.”, disse.
( da redação com informações de assessoria e Twitter. Edição: Genésio Araújo Jr)