CPI DA PANDEMIA: Ernesto Araújo responsabiliza o Ministério da Saúde e diz que não comunicou Bolsonaro sobre a carta da Pfizer
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( Publicada originalmente às 15h00 do dia 18/05/2021)
(Brasília-DF, 19/05/2021) O ex-chanceler do Itamaraty, do Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em resposta aos senadores Renan Calheiros(MDB-AL), relator da CPI da Pandemia no Senado, e ao Vice-Presidente do colegiado, senador Randolfe Rodrigues(REDE-AP), disse que cabia ao Ministério da Saúde tomar medidas sobre a contratação de vacinas da Pfizer após o labortário enviar carta ao Governo Federal, e não a ele.
Araújo, em resposta ao senador Randolfe Rodrigues, disse que não comunicou ao Presidente Jair Bolsonaro(sem partido) sobre a carta da Pfizer que foi encaminhada a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos e comunicada ao Itamaraty. Ele disse que entendia que o Palácio do Planalto teve conhecimento do documento e por isso não fez gestão no sentido de tratar com o assunto com o chefe do executivo federal.
Veja a transcrição do dialago:
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – O ex-Secretário Fabio Wajngarten entregou a esta Comissão Parlamentar de Inquérito um documento da Pfizer atestando uma oferta de vacina em 12 de setembro que ficou sem resposta e atrasou o início da vacinação. Uma cópia dessa carta foi enviada ao Embaixador do Brasil nos Estados Unidos.
Pergunto: o Embaixador informou V. Sa. sobre esse documento?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – Sim, o Embaixador fez um telegrama sobre esse documento.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Quando? Quando?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – A data é uma data semelhante a 12 de setembro. Agora não sei se é 12, talvez 14 de setembro.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Que providências foram tomadas pelo Ministério das Relações Exteriores?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – A carta, o telegrama, perdão, da Embaixada em Washington mencionava que já tinha sido dado conhecimento direto ao Ministério da Saúde, a quem, em nosso entendimento, cabia toda a centralização da estratégia de vacinações.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Foram produzidos pelo Ministério das Relações Exteriores estudos, pareceres ou outros documentos relativos à oferta da Pfizer?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – Não, isso nunca nos foi demandado, e o Itamaraty nessa área sempre agiu, como eu disse, a partir de coordenação com o Ministério da Saúde.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – A que V. Sa. atribui a falta ou o grande atraso na resposta do Brasil ao contato da Pfizer para a venda de vacinas?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – Não tenho conhecimento do que possa ter motivado.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Mas como? O senhor era Ministro das Relações Exteriores, o seu Embaixador recebe uma carta, a Pfizer comunicou aqui ao Brasil e ao mundo que não teve resposta – expressão do Presidente da Pfizer para a América Latina – nem contra, nem a favor. O Ministério das Relações Exteriores não sabia disso depois de ter sido comunicado pelo próprio Embaixador? Ninguém do Governo o procurou para tratar dessa questão?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – Não, ninguém do Governo me procurou para tratar dessa questão.
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Eu estou satisfeito, Sr. Presidente.
Veja o momento em que o senador Randolfe Rodrigues pergutou a Ernesto Araújo se ele informou a Bolsonaro sobre a carta da Pfizer sobre venda de vacinas:
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Em 15 de setembro, a Embaixada brasileira em Washington enviou um comunicado relatando o teor de uma carta emitida pela Pfizer, frisando a necessidade de celeridade e urgência do assunto, que seria a aquisição das vacinas da Pfizer, carta essa que já está de posse da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Eu lhe pergunto: o senhor comunicou o Presidente da República tão logo recebeu esse comunicado da Embaixada brasileira em Washington?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – Não comuniquei diretamente. A comunicação da Embaixada em Washington ou telegrama informava que a Embaixada havia recebido uma cópia de uma carta dirigida ao Presidente da República, ao Vice-Presidente, ao Ministro-Chefe da Casa Civil, ao Ministro da Economia e ao Ministro da Saúde, se não me engano. Não houve...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Sim, ao Embaixador brasileiro em Washington também...
O SR. ERNESTO ARAÚJO – Sim, ele recebeu uma uma cópia da carta. O destinatário da carta...
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – Sim. O senhor teve conhecimento?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – Sim, sim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Parlamentar Senado Independente/REDE - AP) – O senhor comunicou ao Presidente da República?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – Não, porque a carta deixava claro que já tinha seguido para o Presidente da República.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)