CPI DA PANDEMIA: Ernesto Araújo nega que tenha tenha promovido atrito com a China seja antes ou durante a pandemia
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( Publicada originalmente às 11h30 do dia 18/05/2021)
(Brasília-DF, 19/05/2021) O diplomata Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, ouvido na CPI da Pandemia, no Senado, como testemunha, nesta terça-feira, 18, disse que no período em que esteve à frente da pasta do Itamaraty nunca teve atrito com a China.
“Jamais promovi nenhum atrito com a China, seja antes, seja durante a pandemia, de modo que os resultados que nós obtivemos durante a epidemia, na consecução de vacinas e em outros aspectos, decorrem de uma política externa que foi implementada de acordo com os nossos objetivos, mas que não era uma política de alinhamento automático, como se diz, com os Estados Unidos, nem uma política antimultilateral – isso ficou claro com a nossa participação na Covax , nem uma política de enfrentamento com a China.”, disse ao ser questionado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros(MDB-AL).
Calheiros perguntou se o alinhamento do Brasil à política do Governo Donald Trump que chamava a covid-19 de “vírus chinês” impactou a política externa brasileira na pandemia.
Confira o questionamento feito por Calheiros e a resposta de Araújo:
O SR. RENAN CALHEIROS (Bloco Parlamentar Unidos pelo Brasil/MDB - AL) – Ministro, já em seu discurso de posse, V. Sa. sinalizou que o Governo Bolsonaro optaria por mudanças significativas na orientação da política externa brasileira. Desse modo, foi evidente o alinhamento com o governo de Donald Trump em detrimento de relações multilaterais nas quais crescia o protagonismo brasileiro. Testemunhamos atritos diplomáticos e políticos com a China, inclusive durante a pandemia, quando parece ter-se difundido entre os integrantes do Governo a ideia do vírus chinês, expressão cunhada pelo então Presidente norte-americano. Diante disso, questionamos: de que maneira essa...
Diante disso, questionamos de que maneira essa nova política externa impactou as negociações para a aquisição de imunizantes contra a Covid-19 pelo Brasil?
O SR. ERNESTO ARAÚJO – Pois não. Muito obrigado, Senador.
Senador, se me permite, eu acho que a descrição que V. Exa. fez de aspectos da nossa política externa é uma visão que não corresponde à realidade do que foi implementado. Então, não houve um alinhamento com os Estados Unidos, com qualquer outro país. Houve uma aproximação com os Estados Unidos a partir de um distanciamento que tinha havido anteriormente, mas, seja com os Estados Unidos, seja com qualquer país, o Brasil só entrou e só embarcou em iniciativas que fossem do interesse brasileiro e que correspondessem aos nossos objetivos de política externa. Jamais entramos em qualquer iniciativa apenas porque fosse uma iniciativa, nesse exemplo, de interesse americano. E também não foi uma questão de isso ser feito em detrimento do sistema multilateral. Como eu procurei explicar, nós não temos nada contra o sistema multilateral, queremos que ele funcione, como se supõe que ele seja, um sistema em que países membros se reúnem e, com a ajuda de secretariados, negociam e estabelecem formas de cooperação, e não fóruns em que surgem determinações que, inclusive, muitas vezes, nem sequer são implementadas nos países membros sem que isso tenha passado pelos Legislativos desses países.
Bem, também jamais promovi nenhum atrito com a China, seja antes, seja durante a pandemia, de modo que os resultados que nós obtivemos durante a epidemia, na consecução de vacinas e em outros aspectos, decorrem de uma política externa que foi implementada de acordo com os nossos objetivos, mas que não era uma política de alinhamento automático, como se diz, com os Estados Unidos, nem uma política antimultilateral – isso ficou claro com a nossa participação na Covax –, nem uma política de enfrentamento com a China.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)