31 de julho de 2025
Brasil e Meio Ambiente

CÚPULA DO CLIMA: Após fala de Bolsonaro, oposicionistas dizem que presidente brasileiro adota um discurso oposto as ações que seu governo promove; emergência climática vai ser proposta

Comungaram destas críticas o líder do PCdoB, Renildo Calheiros, e os senadores do PT, Jaques Wagner e Paulo Rocha; líder da oposição, Molon quer que parlamento aprove projeto que decreta emergência climática no Brasil

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Alessandro Molon vai incentivar emergência climática no Brasil

( Publicada originalmente às 16h00 do dia 22/04/2021) 

(Brasília-DF, 23/04/2021) Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discursar nesta quinta-feira, 22, no encontro de líderes mundiais realizado pelo presidente do Estados Unidos da América (EUA), Joe Biden, sobre as ações que cada país está fazendo para zerar até o ano de 2.050 a emissão de gases que afetam o efeito estufa, diversos oposicionistas afirmaram que o presidente brasileiro resolveu adotar um discurso completamente oposto as ações que seu governo vem promovendo.

Comungaram destas críticas e visão o líder do PCdoB na Cãmara, deputado Renildo Calheiros (PE), e os senadores do PT, Jaques Wagner (BA) e Paulo Rocha (PA) – líder da legenda naquela Casa legislativa. O líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), que também comungou destas mesmas críticas a Bolsonaro, falou ainda que vai tentar convencer seus colegas parlamentares a aprovar o Projeto de Lei (PL) 3961/20 que decreta emergência climática no Brasil e estabelece meta de neutralização das emissões de gases de efeito estufa no Brasil até 2050, além da previsão de criação de políticas para a transição sustentável.

“O presidente Jair Bolsonaro continua sua prática de dizer uma coisa e fazer outra. Como se diz no popular, ‘afinou’, mudou o tom na cúpula do clima. Tentou melhorar sua imagem ao definir metas para o meio ambiente. É difícil acreditar, conhecemos a peça. Esse governo se contrapôs a políticas ambientais mundiais nos últimos dois anos”, afirmou o pernambucano Renildo Calheiros.

“A gestão do governo Bolsonaro para o meio ambiente é uma das piores. O desmatamento cresceu. O presidente diz que fortaleceu órgãos de controle. Mas o Ibama está paralisado por instrução normativa do ministro, Ricardo Salles, que inviaviliza a fiscalização. Isso nunca ocorreu. Está passando a boiada? Bolsonaro está em uma situação de constrangimento diante de líderes mundiais. O Brasil passou de país influente a vilão da preservação ambiental. Nenhum discurso justifica a exoneração do delegado da PF, Alexandre Saraiva, chefe da maior operação de apreensão de madeira ilegal”, complementou o líder do PCdoB na Câmara.

“Decepcionante. Enquanto outros países se comprometem com avanços na área ambiental, o presidente apresenta discurso sem conteúdo e sem compromisso com o Meio Ambiente. Fala de ações que não são do seu governo e nega o desmatamento recorde que estamos tendo”, emendou o senador baiano Jaques Wagner.

“Bolsonaro usou conquistas do PT para exaltar a queda do desmatamento, deixando de lado que o problema voltou na sua gestão. E ainda disse ter fortalecido órgãos de controle. Mentira! Na Amazônia, o principal sistema de proteção, o Sipam [Sistema de Vigilância da Amazônia], teve o pior repasse em 13 anos em 2020”, completou o petista paraense Paulo Rocha.

“Bolsonaro mais uma vez vai à comunidade internacional para anunciar que está trabalhando pela preservação do meio ambiente, enquanto suas ações indicam o contrário. Vamos fazer um teste. Vamos ver se o governo apoia o PL que apresentei no ano passado, que prevê a neutralização das emissões até 2.050, como anunciado hoje na cúpula do clima. E, caso o governo não apoie, será uma oportunidade para o Congresso demonstrar que tem compromisso com a luta contra o aquecimento global”, finalizou o socialista fluminense Alessandro Molon.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)