ENFRENTANDO A CRISE: Nicolélis afirma que Brasil pode estar “a poucas semanas” de um “colapso funerário”
Ex-consultor do comitê cientifico do Consórcio do Nordeste, o neurocientista da universidade de Duke, nos EUA, avalia que país caminha para “um ponto sem retorno”, com possibilidade de novas “epidemias bacterianas gravíssimas”
( Publicada originalmente às 16h 10 do dia 01/04/2021)
(Brasília-DF, 02/04/2021) O neurocietista e pesquisador Miguel Nicolélis afirmou nesta quinta-feira, 1º de abril, que o Brasil pode estar “a poucas semanas” de um “colapso funerário” nunca visto na história do Brasil, com “corpos” de pessoas mortas se avolumando nas ruas das principais e maiores cidades brasileiras.
A declaração aconteceu em sua nova coluna no site brasileiro do jornal espanhol “El País”, onde estreou seu “Diário do front”. Ex-consultor do comitê cientifico do Consórcio do Nordeste, o neurocientista da universidade de Duke, nos Estados Unidos da América (EUA), avalia que o país caminha para “um ponto sem retorno” da pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 321,5 mil brasileiros até esta última quarta-feira, 31, conforme os dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários estaduais de Saúde (Conass).
Cemitério Vila Formosa, na Zona Leste, em SP
Na oportunidade, Nicolélis afirmou ainda que o avanço da doença que já matou mais de três milhões de pessoas em todo o planeta, no país, confirmar o “colapso funerário”, há um sério risco da possibilidade do surgimento de novas “epidemias bacterianas gravíssimas”, causadas sobretudo pela contaminação do lençol freático.
“Estamos a poucas semanas de um ponto de não retorno na crise do coronavírus no Brasil. Se o colapso funerário se instalar neste país, começaremos a ver corpos sendo abandonados pelas ruas, em espaços abertos. Teremos que usar o recurso terrível de usar valas comuns para enterrar centenas de pessoas simultaneamente, sem urnas funerárias, só em saco plásticos, o que vai acelerar o processo de contaminação do solo, do lençol freático, dos alimentos, e com isso gerar uma série de outras epidemias bacterianas gravíssimas”, falou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)