Marcelo Queiroga diz que “tratativas” com EUA estão adiantadas para ampliar oferta de vacinas e normalizar estoques de insumos e medicamentos nos hospitais do país
Ministro da Saúde falou também que sua nova gestão de enfrentamento da pandemia está buscando normalizar a oferta de oxigênio no país num “momento, em que muitos pacientes estão incorrendo aos hospitais com síndrome respiratória aguda grave”
( Publicada originalmente às 14h 03 do dia 31/03/2021)
(Brasília-DF, 01/04/2021) O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quarta-feira, 31, que as “tratativas” com o governo dos Estados Unidos da América (EUA) estão adiantadas para que o país possa ampliar a oferta de vacinas contra o novo coronavírus (covid-19) – que já matou mais de 317,6 mil brasileiros, e ao mesmo tempo consiga normalizar os estoques de insumos e medicamentos nos hospitais do país, necessários para o combate a doença respiratória.
A declaração de Queiroga aconteceu após se reunir com os presidentes da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para o primeiro batimento do recém criado comitê de crise, formado pelos Poderes Executivo e Legislativo federal, com o intuito de monitorar a situação do avanço da doença no país.
“Ontem [30] tivemos duas reuniões muito produtivas. Uma com o embaixador americano, Todd Chapman, e outra com o doutor Anthony Fauci, do CDC – autoridade de saúde pública [dos Estados Unidos da América]. Então essas reuniões mostram que podemos avançar muito nessas relações internacionais e que possam resultar em suprimentos de insumos, sejam vacinas, sejam outros insumos do chamado ‘kit intubação’, que são medicamentos sedativos, bloqueadores neuro-musculares e que são importantes, neste momento, em que muitos pacientes estão incorrendo aos hospitais com síndrome respiratória aguda grave”, falou.
“O Ministério da Saúde tem acompanhado a evolução dos estoques. O Ministério da Saúde em parceria com a Anvisa consegue visualizar os estoques da indústria farmacêutica afim de garantir que haja uma distribuição homogenea dentre a saúde pública e a saúde suplementar. É claro que a nossa indústria farmacêutica não tem capacidade para suprir o mercado diante de uma avalanche de casos que tem afetado o nosso sistema de saúde. Estamos em tratativas com a OPAS e com o próprio governo americano para buscar esses produtos para rapidamente reestabelecer estoques reguladores, que tire a gente dessa situação de que tem que resolver as coisas a cada dia, como tem sido feito. Essas tratativas estão adiantadas”, complementou.
Oxigênio
O ministro da Saúde falou também que sua nova gestão a frente do enfrentamento da pandemia está buscando normalizar a oferta de oxigênio no país num momento em que é preciso “poupar esse recurso para usar em quem precisa dele, que são, sobretudo, os pacientes portadores da covid-19”.
“O mesmo ocorre com o oxigênio. O Brasil tem uma boa capacidade de produzir oxigênio, ele produz oxigênio medicinal, ele produz oxigênio para a indústria. Mas este oxigênio tem que ser disponibilizado para os hospitais e existe duas formas de fazê-lo, que é através dos caminhões-tanques que conduzem o oxigênio líquido, através de cilindros de oxigênio, que é a forma mais mais antiga, mas existe dificuldade do nosso parque industrial de oferecer a oferta de cilindros que precisamos. Estamos trabalhando junto com a iniciativa privada, por exemplo, numa reunião muito produtiva com o presidente da Fiesp no sentido de termos mais cilindros disponíveis para levar para as cidades mais remotas, para oferecer oxigênio a nossa população”, completou.
“Em relação aos caminhões-tanques, nós importamos 13 caminhões-tanques do Canadá, que vão fortalecer a distribuição de oxigênio no país. Há ações também para deslocar o oxigênio que é fabricado para a indústria para o uso medicinal. Mas isso tem limite. Por que a indústria também precisa de oxigênio para produzir insumos que são úteis para o sistema de saúde. [É necessário o] uso racional de oxigênio, não é racionamento. Nós devemos ofertar o oxigênio para quem precisa de oxigênio. Nós devemos observar os hospitais se não há perdas nas tubulações. Ou seja, poupar esse recurso para usar em quem precisa dele, que são sobretudo os pacientes portadores da covid-19”, explicou.
Medidas protetivas
Por fim, Queiroga pediu que a população brasileira faça uso regular das máscaras de proteção facial, das iniciativas higienizantes constantes como álcool em gel e lavar as mãos frequentemente, manter o distanciamento social de outras pessoas que não pertencem ao seu convívio familiar para ajudar o pais a frear a curva de contaminação e, consequentemente, de mortos.
Ele abordou que essas medidas são necessárias e fundamentais e que iniciativas que envolvem a restrição na circulação de pessoas, apesar de ser um pedido de médicos e pesquisadores, são “medidas extremas” que “nunca são bem-vistas pela sociedade brasileira” e que possuem “dificuldade de adesão” por parte das pessoas. E que vem discutindo com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, a adoção de uma maior segurança sanitária no transporte público.
“As pessoas devem observar o uso de máscaras. O uso de máscaras é importante, fundamental, devem guardar o distanciamento entre si para que essa doença não transmita na velocidade que vem se transmitindo. Então, são várias ações, se fizermos todas essas ações de maneira efetiva, nós vamos ter melhores resultados. Medidas extremas nunca são bem-vistas pela sociedade brasileira e elas tem dificuldade de adesão. Então vamos fazer, cada um, a nossa parte. O compromisso dos brasileiros é usar máscara, disciplinar os transportes públicos”, pediu
“Estamos discutindo com o Ministério da Infraestrutura a adoção de políticas no transporte público, que possam resultar num menor grau de contaminação das pessoas nos transportes públicos, que são usados pelos trabalhadores brasileiros. Vamos cuidar da saúde de cada um e fazer com que o Brasil vença a pandemia e fazer com que a nossa economia possa recuperar. Eu acho que é o anseio de todos”, finalizou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)