Governadores em “pacto nacional em defesa da vida e da saúde” pedem que novo ministro da Saúde acelere vacinação e adote medidas restritivas na circulação de pessoas
Documento assinado por 21 governadores quer ainda que nova gestão do Ministério da Saúde aumente os leitos nos estados; iniciativa foi feita após receberem “manifesto vida acima de tudo” assinada por cinco ex-ministros da Saúde
( Publicada originalmente às 17h 00 do dia 16/03/2021)
(Brasília-DF, 17/03/2021) A maioria dos governadores brasileiros apresentaram nesta terça-feira, 16, um “pacto nacional em defesa da vida e da saúde”, onde pedem que novo ministro da Saúde anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Marcelo Queiroga, possa acelerar a vacinação no país e adotar de imediato medidas restritivas na circulação de pessoas com objetivo de frear a pandemia do novo coronavírus (covid-19) para desafogar as unidades hospitalares que se encontram, em muitos casos, colapsados e não conseguindo fazer frente ao atendimento de pacientes
O documento foi assinado por 21 governadores que pediram ainda que a nova gestão do Ministério da Saúde aumente os leitos nos estados. A iniciativa foi feita após eles receberem nesta última segunda-feira, 15, uma carta “aberta à humanidade”, onde entregaram um “manifesto [pedindo] vida acima de tudo” assinada por cinco ex-ministros da Saúde e por diversas pessoas das mais variadas sociedades organizadas de inúmeros setores da vida nacional, sobretudo das artes, ciências e letras.
Não assinaram o documento os governadores do Amazonas, Wilson Lima (PSC); do Paraná, Ratinho Jr. (PSC); do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC); de Rondônia, Marcos Rocha (PSL); de Roraima, Antonio Denarium (PSL); e de Santa Catarina (SC), Carlos Moisés (PSL).
“Os governadores dos entes federados, signatários deste documento, apresentam ao Brasil a proposta de um pacto nacional pela vida e pela saúde. Em reunião realizada no dia 12 de fevereiro, os governadores debateram com os presidentes do Senado e da Câmara a proposta de uma ampla pactuação dos três Poderes e das três esferas da Federação, visando ao reforço da luta contra a pandemia do coronavírus. Reafirmamos tal proposição, que se tornou ainda mais emergencial pelo agravamento da situação sanitária, com terríveis perdas de vidas, além de danos econômicos e sociais”, iniciam o texto os gestores estaduais.
“O coronavírus é hoje o maior adversário da nossa Nação. Precisamos evitar o total colapso dos sistemas hospitalares em todo o Brasil e melhorar o combate à pandemia. Só assim a nossa pátria poderá encontrar um caminho de crescimento e de geração de empregos. Assim sendo, os governadores signatários reiteram esse compromisso quanto a um pacto que abranja itens como: expansão da vacinação, com pluralidade de fornecedores, mais compras e busca de solidariedade internacional, em face da gravidade da crise brasileira. Sublinhamos que todas as aquisições devem ser distribuídas segundo o marco legal do Plano Nacional de Imunização”, observaram.
Momento de união
Na sequência, os governadores reforçaram que o momento exige uma união de todas as esferas federativas e de poder, se o país quiser vencer a guerra contra o covid que já matou mais de 279 mil brasileiros até esta última segunda-feira, 15.
Os gestores que assinaram o documento foram Gladson Cameli (PP), do Acre; Renan Filho (MDB), de Alagoas; Waldez Góes (PDT), do Amapá; Rui Costa (PT), da bahia; Camilo Santana (PT), do Ceará; Ibaneis Rocha (MDB), de Brasília; Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo; Ronaldo Caiado (DEM), de Goiás; Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão; Mauro Mendes (DEM), do Mato Grosso; Reinaldo Azambuja (PSDB), do mato Grosso do Sul; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Hélder Barbalho (MDB), do Pará; João Azevêdo (Cidadania), da Paraíba; Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco; Wellington Dias (PT), do Piauí; Fátima Bezerra (PT), do Rio Grande do Norte; Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul; João Dória (PSDB), de São Paulo; Belivaldo Chagas (PSD), de Sergipe; e Mauro Carlesse (DEM), de Tocantins.
“[Pedimos] apoio a medidas preventivas, essenciais para conter o vírus. Há limites objetivos à expansão de leitos hospitalares, tendo em vista escassez de insumos e de recursos humanos. Dessa forma, as medidas preventivas protegem as famílias, salvam vidas e asseguram viabilidade aos sistemas hospitalares. Medidas como o uso de máscaras e desestímulo a aglomerações tem sido usadas com sucesso na imensa maioria dos países, de todos os continentes; Apoio aos estados para manutenção e ampliação de leitos, quando isso for possível. Ademais, que haja uma integração de todos os sistemas hospitalares, a fim de usar ao máximo as disponibilidades existentes, a partir de planejamento e análise diária de cenários em cada unidade federada” , complementaram.
“Consideramos que esse pacto deve ser dirigido por um comitê-gestor, com a participação dos três poderes e de todos os níveis da federação, além da assessoria de uma comissão de especialistas. Esse é o nosso respeitoso convite à nação, acreditando que as Casas do Congresso Nacional, como instâncias de representação de toda a sociedade, podem ser as condutoras desse importante pacto”, finalizaram.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)