VACINAÇÃO: Governadores comemoram definição de um cronograma para entrega de vacinas
Mas, em tom de lamento, reclamam que ainda não há acordo para que Bolsonaro sancione dispositivo aprovado pelo Congresso que agiliza liberação de vacinas pela Anvisa
( Publicada originalmente às 22 hs00 do dia 17/02/2021)
(Brasília-DF, 18/02/2021) Os governadores de Alagoas, Renan Filho (MDB), da Bahia, Rui Costa (PT), do Ceará, Camilo Santana (PT), de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e do Piauí, Wellington Dias (PT), comemoraram a definição de um cronograma para entrega de vacinas anunciado nesta quarta-feira, 17, pelo ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.
Mas em tom de lamentação, os governadores reclamaram que ainda não há acordo para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) possa sancionar o dispositivo aprovado pelo Congresso Nacional na Medida Provisória (MP) 1.003, que agiliza a liberação de vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é contra a iniciativa por considerar que o texto aprovado pelos parlamentares torna a agência uma mera homologadora e não uma entidade reguladora.
Os governadores comemoram ainda a informação por parte de Pazuello de que os insumos farmacêuticos necessários para a produção das vacinas já estão sendo providenciados e regularizados para que as empresas responsáveis pelos imunizantes possam fabricar as vacinas no território nacional com normalidade.
“Sobre o cronograma, nós saímos da reunião com a garantia que o ministro e tivemos a participação tanto do Butantan, quanto da Fiocruz, que teremos um cronograma detalhado ainda hoje para os meses de fevereiro e março. Por exemplo, neste dia 23 [de fevereiro] haverá um lote de 3,4 milhões de doses do Butantan, que será imediatamente distribuído, mas que vai totalizar ainda no mês de fevereiro 11,35 milhões de doses para todo o Brasil. Totalizando até abril 104 milhões de doses, que é o suficiente para vacinar aqueles 50 milhões de brasileiros da primeira fase, onde está o grupo de maior risco e isso tem uma expectativa de efeito, que é de reduzir tanto a pressão de internação hospitalar e também a redução de óbitos. Por que é deste grupo que responde cerca de 70% nas hospitalizações e também nos óbitos. E, ainda, também neste cronograma até o mês de julho 230 milhões de doses. E até segunda-feira [22] o ministro vai apresentar com a sua equipe para todos os estados um cronograma por quantitativo para cada estado em relação a esse cronograma completo”, falou Welligton Dias.
“O ministro Pazuello assegurou o pagamento para os leitos para covid-19 e também para outras doenças credenciados. Ou seja, tudo aquilo que tivemos de leitos credenciados janeiro, fevereiro, teremos o pagamento e a garantia também de que se houve aumento [do número de casos] haverá também o credenciamento [de novos leitos]. Ele conta com R$ 5,2 bilhões. Destes, R$ 2,8 bilhões já liberados para os pagamentos a partir desta semana e isso dá uma tranquilidade para que a gente tenha certeza de que aquilo que é emprestado em serviços, contaremos com o apoio do SUS, através do Ministério da Saúde. Na agenda ficou firmado que 5% que vão compor o fundo especial para situações de emergência, lá atrás nós tínhamos um caso específico que era Manaus. Agora os demais municípios e estados serão atendidos. Mas haverá um critério estabelecido entre o Ministério da Saúde, estados e municípios e com isso a gente tenha um critério transparente para em situações necessárias ter o devido socorro. Qual ponto então não tivemos uma posição em definitivo? É a lei que agiliza a validação de vacinas, já autorizadas por outras agências reguladoras, e aqui nós devemos voltar a conversar com o presidente da Câmara e do Senado para dialogar com o Palácio do Planalto para que a gente tenha condições de ter sancionada esta lei para a Anvisa poder agilizar o reconhecimento de vacinas. Mas vacinas validadas pela Anvisa, mais vacinação e mais rapidamente imunizamos o povo brasileiro”, complementou o governador piauiense.
Críticas
No mesmo sentido, mas com mais ênfase crítica, se pronunciou o governador baiano Rui Costa.
“O positivo é que finalmente foi apresentado esse cronograma. A expectativa é que novas vacinas possam ser contratadas e, com isso, antecipamos a vacinação. Estamos vivendo em vários estados brasileiros, a exemplo da Bahia, um aumento no número de doentes e um crescimento no número de óbitos. Portanto, há uma crise no Brasil nesse momento e somente a vacina será capaz de conter esse crescimento. O ministério ainda está negociando a contratação dessas outras vacinas. A vacina russa já poderia ter chegado ao Brasil. O que estamos presenciando, infelizmente, é que estamos perdendo lotes de vacina, porque ninguém vai deixar um estoque parado esperando o dia que o Brasil decidir. Outros países vão comprando, e o Brasil vai ficando para o final da fila. A expectativa é que o ministério, junto com a Anvisa, acelere a homologação e a contratação dessas novas vacinas e, com isso, nós conseguiremos salvar muitas vidas humanas”, reforçou o petista baiano.
“Ele relatou que iria mudar o pagamento de pré-pago para pós-pago. O entendimento é de que o ministério está pretendendo, ao invés de pagar por leito habilitado, pagar apenas por leito utilizado. Mas o critério histórico do SUS não é esse. Se temos 10 leitos de UTI, nós habilitamos e pagamos por 10 leitos até porque a equipe que vai manter aquela UTI, sendo 9 ou 10 leitos ocupados, é a mesma. Não tem como reduzir o tamanho da equipe. O ministro, no nosso entender, finalizou concordando com isso, mas vamos aguardar a publicação da portaria”, completou Costa.
Vacina russa
Já o governador alagoano Renan Filho preferiu destacar que a vacina russa, Sputinik V, motivo do imbróglio entre a Anvisa e o parlamento brasileiro, fará parte do Plano Nacional de Imunização (PNI) contra o novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 240 mil brasileiros. E que o cronograma anunciado pelo ministro Pazuello dependerá da entrega das vacinas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Butantan.
“A vacina da União Química, que é a vacina russa, foi apresentada pelo ministro já no Plano Nacional de Imunização. Eles não têm produção para curto prazo, mas será incorporada ao médio prazo no plano. O plano está levando em consideração todas as possibilidades de incluir vacina. O Ministério deseja adquirir para o plano qualquer vacina que tenha eficácia reconhecida. Segundo o ministro, o país vai comprar vacina de todos [laboratórios] que tenham vacina com eficácia comprovada. O que está na planilha que o ministro apresentou são 51 milhões de doses para os meses de fevereiro e março. Entretanto, solicitou a nós [governadores] que aguardássemos até o final do dia, porque ele vai encaminhar a confirmação, com a data correta para fevereiro e para março. O ministro fez uma observação. Os contratados, que são sobre Fiocruz e o Butantan, precisam cumprir os contratos com o Plano Nacional de Imunização, precisam entregar as vacina. Foi apresentado um calendário de repasse. O ministro disse que, inclusive, os leitos utilizados em janeiro já foram pagos. E ele garantiu, peremptoriamente, que todos os leitos que forem abertos receberão financiamento da União”, frisou o emedebista.
Novas doses
Por fim, Paulo Câmara e Camilo Santana ressaltaram que o cronograma anunciado por Pazuello representará novas doses das vacinas entregues aos estados.
“É importante que as vacinas cheguem o mais breve possível, para que possamos concluir o processo de imunização dos grupos prioritários e avançar para outros grupos e faixas etárias. O nosso sistema de saúde já tem uma logística pronta e eficiente, montada para distribuir as vacinas para todas as regiões de forma rápida, a partir do momento da chegada dos lotes ao Estado”, falou o governador pernambucano.
“O ministério informou que mais 10 milhões de doses devem ser encaminhadas aos estados ainda este mês, sendo 8 milhões da Sinovac/Butantan e 2 milhões da AstraZenec/Fiocruz. Além disso, o cronograma prevê cerca de 210 milhões de doses no primeiro semestre deste ano. Isso é fundamental para frear o crescimento de casos”, finalizou o governador cearense.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)