ACORDO: Após Lira dissolver bloco que apoiou Baleia Rossi, votação para os demais cargos da Mesa Diretora é mais uma vez adiada por não haver acordo entre os partidos
Bancada do Solidariedade que fazia para das legendas que hipotecaram apoio ao emedebista só rendeu dois votos ao candidato derrotado, diz fonte
( Publicada originalmente às 17h 20 do dia 02/02/2021)
(Brasília-DF, 03/02/2021) A Câmara dos Deputados adiou mais uma vez a votação e conclusão da eleição dos demais cargos da Mesa Diretora. Por falta de acordo entre os vários partidos políticos com representação na Casa, a votação que estava agendada para acontecer na tarde desta terça-feira, 02, foi adiada para a manhã desta quarta-feira, 03, a partir das 10 horas.
Inicialmente, a votação era para ter acontecido nessa última segunda-feira, 1º de fevereiro, após acontecer o resultado da eleição para presidente da Casa que elegeu o deputado Arthur Lira (PP-AL), que obteve 302 votos contra 145 do seu principal adversário, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP). Mas alegando “vício insanável”, Lira anunciou o cancelamento destes pleitos que definiriam os dois vice-presidentes, os quatro secretários e os quatro suplentes atestando que o bloco de partidos formado por Cidadania, MDB, PCdoB, PDT, PSB, PSDB, PT, PV, Rede Sustentabilidade e Solidariedade, que apoiavam Baleia, não poderia existir em virtude de que o agrupamento não cumpriu o prazo para informar a sua constituição.
Após a decisão, os parlamentares do bloco que apoiava o emedebista acusaram o novo presidente da Câmara de promover um gesto “autoritário” e de querer tratorar a oposição, levando o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF) onde solicitam a continuidade do bloco, assim como tornar pública e apurada a votação para os demais cargos da Mesa Diretora, que foram eleitos junto com o próprio Lira para o comando da Casa.
O motivo do imbróglio aconteceu quando os parlamentares aliados a Lira pressionaram o então presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), para tornar sem efeito a participação da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) no bloco de Baleia Rossi, já que o requerimento do PT foi protocolizado seis minutos depois do prazo estabelecendo no sistema de registro eletrônico de informações.
A demanda dos apoiadores de Lira não foi atendida por Maia, que manteve o PT no bloco do emedebista, após os parlamentares petistas afirmarem que o sistema eletrônico da Casa apresentou instabilidade, o que resultou na apresentação fora do horário permitido. O ex-primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), afirma que o sistema não apresentou instabilidade.
Caso o PT saísse do bloco de Maia, os parlamentares dos Republicanos seriam os maiores beneficiados, já que com o PT unido a Baleia, caberia a esta legenda pelo critério da proporcionalidade, ficar com a primeira secretaria da Casa, uma espécie de prefeitura do parlamento, já que ali estão concentrados todos os contratos necessários para o fornecimento dos serviços prestados aos deputados.
Traição
A reportagem da Política Real teve acesso a uma fonte do Solidariedade, partido que participava do bloco de Baleia Rossi, e que contou em caráter reservado que cerca dos 15 deputados da legenda, 13 não votaram no emedebista e, sim, no eleito Arthur Lira. A votação para a Mesa Diretora da Câmara é secreta por dispositivo constitucional.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)