Em discurso emocionado, Maia agradece a cada um dos candidatos que tentam lhe suceder e que o grande desafio do Brasil é acabar com a concentração de renda nas elites
Veja o que cada um dos candidatos a presidir a Câmara falou
( Publicada originalmente às 22h21 do dia 01/02/2021)
(Brasília-DF, 02/02/2021) Num discurso em que estava claramente emocionado, o presidente da Câmara até este domingo, 31 de janeiro, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), agradeceu a cada um dos parlamentares que tentam lhe suceder no cargo e que o grande desafio do Brasil para os próximos 20 anos é acabar com a concentração de renda nas elites tanto no serviço público, quanto na iniciativa privada.
Içado a inimigo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelos apoiadores e militantes que apoiam a atual gestão federal, Maia disse que os rancores e eventuais brigas que teve com alguns deles, sobretudo, com o deputado Arthur Lira (PP-AL), já são águas passadas e que caberá ao vencedor da eleição da Casa do Povo sucesso em promover as mudanças que o país precisa.
"Eu começo dizendo aos deputados general Peternelli (PSL-SP), Fábio Ramalho (MDB-MG), André Janones (Avante-MG), Arthur Lira, Luíza Erundina (PSOL-SP), Baleia Rossi (MDB-SP), Marcel Van Hatten (Novo-RS) e Kim Kataguiri (DEM-SP), que apenas um de vocês terá a enorme honra de presidir a nossa Câmara dos Deputados. Honra que tive, me preparei para não chorar, mas não deu, pelos últimos quatro anos e sete meses, onde tive a oportunidade de conhecer melhor o meu país, através de cada um de vocês, através de diálogos, de visitas, que fiz com alguns de vocês, de conversas na residência da Câmara e quantas vezes tivemos juntos conversando juntos no final de semana, tive a oportunidade, deputado Daniel, de ir a Pelotas, como tantas outras visitas, tivemos conversas, com cada deputado, com cada deputada, conheci melhor a nossa realidade, os nossos problemas e os nossos desafios", iniciou.
"O passado ficou para trás e nós precisaremos unidos, eu na planície, no plenário, com muito orgulho de cada um de vocês, construírmos o futuro do Brasil não pelos próximos dois anos, mas para os próximos 20 anos. Eu, de todos os anos, o que foi mais desafiador para todos nós, foi o ano passado. O ano da pandemia, aonde em poucas semanas se construiu uma semana um sistema de votação remota, aonde a Câmara dos Deputados teve a condição de liderar e construir, em conjunto, os projetos que garantiram as condições para o enfrentamento da pandemia. A PEC da guerra foi uma construção dessa Casa e tive muito orgulho, por que nunca tinha conseguido, colocar nesse painel [parlamentares favoráveis] do PSL ao PSOL, aonde tivemos votos de todos os partidos unidos num momento tão difícil, que nós vivemos no ano passado e vamos continuar vivendo nesse ano", complementou.
Posições
A fala de Maia aconteceu após todos os deputados que se candidataram a presidir a Câmara se pronunciar das mais diferentes formas. O primeiro a falar como candidato foi general Peternelli, que pediu que a maioria da Casa se comportasse em sintonia aos anseios da maioria da população, que, segundo ele, escolheu em 2.018 os caminhos da "nova política", evitando assim os velhos vícios tão característico do fisiologismo praticados pela "velha política".
Candidato avulso pelo MDB, o deputado Fábio Ramalho (MG) enfatizou que a prioridade do legislativo deva ser conseguir vacinar todos os brasileiros para que o país e a economia possam voltar ao normal. Na sequência, o parlamentar mais visualizado nas redes sociais, André Janones (Avante-MG), afirmou ter vergonha de participar de uma "eleição sem povo" e que esteja sendo definida pelo "voto de comprado" pelo governo federal junto a vários parlamentares.
Janones denunciou a liberação de emendas em mais de R$ 3 bilhões pelo governo para as emendas de alguns deputados que se comprometeram em votar no candidato de preferência do Palácio do Planalto. Por sua vez, Lira afirmou que a "Câmara do eu" acabou e que a partir de agora o que valerá será a "Câmara do nós", onde a maioria dos líderes decidirão que projetos serão pautados com uma semana de antecedência.
Denunciando o "genocídio" de mais de 225 mil brasileiros e pedindo "fora Bolsonaro", a deputada Luíza Erundina criticou a decisão tomada pela a maioria da Mesa-Diretora, ligada a Lira, segundo ela, associados ao presidente Bolsonaro, em obrigar que a votação para presidente da Câmara ocorresse de forma presencial, incluindo para os parlamentares que estejam no grupo de risco do novo coronavírus (covid-19).
Baleia Rossi, candidato do até ontem presidente da Câmara, Rodrigo Maia, prometeu aos parlamentares regulamentar o orçamento impositivo que acabará, segundo ele, com iniciativas como a do deputado Domingos Neto (PSD-CE), que relatou o orçamento de 2.020, destinando mais de R$ 150 milhões para uma única cidade pertencente a sua base, relegando a maioria dos parlamentares verbas menores para serem aplicadas junto as suas bases.
Marcel Van Hatten (Novo-RS) e Kim Kataguiri (DEM-SP) denunciaram as contradições do presidente Bolsonaro que antes de ser governante denunciava o "toma-lá-dá-cá" entre os governos de plantão e suas bases de sustentação no parlamento. Kataguiri foi além e afirmou que aguarda para ver as confusões que virão, segundo ele, entre o futuro presidente da Câmara, caso seja Arthur Lira com o próprio presidente.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)