MDB abandona Simone Tebet, que segue candidata avulsa e independente à presidência do Senado
Sobre a decisão dos colegas de não mais lhe apoiarem oficialmente, senadora sul-mato-grossense disparou críticas ao atual presidente da Casa, que segundo ela, junto com o governo federal estão jogando pesado para eleger Rodrigo Pacheco
( Publicada originalmente às 17h 00 do dia 28/01/2021)
(Brasília-DF, 29/01/2021) Os senadores do MDB decidiram nesta quinta-feira, 28, retirar o apoio oficial da legenda a candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) a presidência do Senado, que mesmo com essa baixa resolveu seguir candidata avulsa e independente ao comando da Mesa-Diretora do Senado.
Ao comentar o anúncio da legenda, que acontecera na hora do almoço num telefonema feito pelo líder do partido, o senador Eduardo Braga, a senadora sul-mato-grossense diz entender as razões que levaram seus companheiros de bancada em abandoná-la e deixá-la sem o crivo de candidata oficial do MDB, mas não poupou críticas ao atual presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que segundo ela, junto com o governo federal estariam jogando pesado para eleger o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG).
Tebet agradeceu publicamente o líder do MDB por ter ficado com ela “até o último minuto” e que sua candidatura, agora, se mostrará ainda mais livre do governo e que conta com o apoio de senadores que integram o movimento Muda Senado, ligado as novas práticas de governança, de combate a corrupção, de apoio a Lava Jato, e que exigem mais transparência nas ações públicas.
Até agora se posicionaram a favor de sua eleição os senadores José Serra (PSDB-SP), Leila Barros (PSB-DF), Mara Gabrilli (PSDB-SP) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).
“Então, em face de estarmos muito próximos da eleição da Mesa Diretora, que acontecerá na próxima segunda-feira, e o MDB não poder lançar uma posição oficial, o MDB oficialmente me comunicou de que eu estou liberada e em função disso, eu não tenho outra coisa a fazer, se não a não ser comunicar, que eu deixo de ser candidata a presidente do Senado Federal pelo MDB e passo a ser candidata independente do Senado Federal”, falou.
“Eu gostaria de agradecer imensamente o líder da minha bancada, senador Eduardo Braga, e que esteve comigo até o último minuto tentando construir a nossa candidatura dentro do partido e que já declarou, como senador, individualmente o seu voto a mim no dia 1º de fevereiro. (…) Já conversamos com o Podemos, com parcela do PSDB, com o Cidadania, e só falta agora reportar a senadora Leila Barros. (…) A gente tem sinais, tem ouvido, que há ingerência sim do Executivo, até por que o Rodrigo Pacheco é o candidato oficial do Palácio do Planalto”, continuou.
“O jogo da política é esse, eu fiz um gesto sem querer nada em troca. O meu gesto foi um gesto a favor de um projeto que naquele momento me pareceu ser o projeto ideal para o Senado Federal, que é a Casa alta da democracia e que precisa ter consequentemente um presidente, naquele momento, é o que nós acreditávamos, representar o Senado Federal e os senadores”, complementou ao responder se considerava traída pelo senador Alcolumbre que se elegeu em 2.019 com seu apoio, que ajudou a inviabilizar a então candidatura do senador Renan Calheiros (MDB-AL), do seu partido.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)