SUCESSSÃO NA CÂMARA: Baleia Rossi diz que instalará CPI e dará início ao impeachment de Bolsonaro se pedidos cumprirem requisitos constitucionais
Baleia, afirmou, que confia que terá maioria dos deputados do agronegócio e do DEM votarão na sua candidatura
( Publicada originalmente às 12h 15 do dia 28/01/2021)
(Brasília-DF, 29/01/2021) Após a sua assessoria compartilhar nessa última quarta-feira, 27, um vídeo do líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), afirmando que a única esperança para que prospere uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis crimes praticados pelo Governo Bolsonaro durante a pandemia do covid-19, e também de que a Casa veria a instalação de uma comissão para analisar o afastamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), candidato à presidência da Câmara, afirmou nesta quinta-feira, 28, em entrevista coletiva, que caso as duas demandas cumpram todos os requisitos regimentais e constitucionais, ele não fugirá de suas responsabilidades para instalar os dois colegiados de investigação e de Impeachment do atual presidente brasileiro.
Líder do MDB, o deputado paulista, que é filho de um ex-ministro da Agricultura que atuou no final do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e no início do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e também afilhado do ex-presidente Michel Temer (MDB), afirmou ainda que confia que a maioria dos deputados do agronegócio e do Democratas votarão na sua candidatura, apesar das afirmações do seu principal concorrente ao cargo, o deputado Arthur Lira (PP-AL), dizer que é ele que deterá a maioria desses votos. Rossi afirma que os aliados do candidato do PP alagoano estão desesperados.
“Nós não vamos abrir mão de nenhuma prerrogativa da Câmara e do presidente da Câmara para defender a democracia. Eu tenho falado e repetido que o impeachment não pode ser bandeira de uma candidatura para presidência da Câmara, mas constitucionalmente cabe ao presidente [desta Casa] fazer esta análise e farei todas as análises a luz da Constituição. Um dos papeis, uma das atribuições, da Câmara dos Deputados é fiscalizar o Executivo. Nós temos a atribuição de legislar, nós temos a atribuição de representar as nossas bases, mas também de fiscalizar. Para ser instalado uma CPI são necessárias 171 assinaturas e um fato concreto, se esses pré-requisitos estiverem atendidos, não há o por que não abrir uma CPI”, falou.
“Eu vejo um desespero muito grande por parte dos meus adversários. O presidente da Frente [Parlamentar] da Agripecuária, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), já declarou voto e apoio na nossa candidatura. O próximo presidente, que é o deputado Sérgio Souza (MDB-PR), também já declarou apoio a nossa candidatura. Estou muito confiante, por que esta é uma área que precisa de todo apoio da Câmara federal, que garante a nossa balança comercial [de forma superavitária], é extremamente importante por que produz os alimentos e é uma área muito próspera e terá todo o apoio na nossa administração. Quem está tranquilo com a eleição não precisa mentir. Os adversários estão mentindo muito e isso é sinal de desespero”, complementou.
Impeachment já
Questionado sobre a hipótese do atual presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), autorizar até domingo, 31, quando se encerra o seu mandato à frente da Câmara, a abertura de um processo de impeachment contra o atual ocupante do Palácio do Planalto, Baleia Rossi desconversou, e disse que essa pergunta deveria ser direcionada ao então presidente da Casa.
“Ele nunca falou sobre essa questão. Eu vi especulação de imprensa. Essa é uma pergunta que quem tem que responder é o Rodrigo Maia que é presidente até 1º de fevereiro”, emendou.
Câmara independente
Baleia Rossi condenou, ainda, a fala do presidente Bolsonaro que nessa quarta-feira, 27, após se reunir com 36 deputados do PSL, afirmou que espera a vitória de Arthur Lira para presidente da Câmara para poder “influir” nas conduções e nos trabalhos legislativos.
“Acho que o Executivo não poderia tentar influenciar num outro Poder, ainda mais na Câmara dos Deputados. A Câmara tem que ser um poder independente, tem que ter liberdade na sua atuação e eu tenho certeza que esta tese será vitoriosa. Nós estamos muito confiantes, nós estamos conversando com cada um dos parlamentares e quero presidir uma Câmara dos Deputados que não se vende por 30 moedas”, observou.
“Eu tenho convicção de que nós vamos ganhar a eleição e vamos trabalhar para uma agenda do país. Primeiro para superar a pandemia, que já levou mais de 215 mil [brasileiros a] mortes, pessoas que perderam as suas vidas, famílias que ficaram enlutadas. Então o foco tem que ser numa agenda de superação da pandemia e também na recuperação da nossa economia para que a gente possa criar emprego e renda e consiga dar um alento a toda a nossa população”, completou.
Apoio do DEM
Indagado sobre alguns apoios que deputados do DEM estariam dando ao seu adversário, o emedebista disse que confia na condução dos líderes daquele partido para conseguir obter maioria entre os 29 deputados daquela legenda.
“Eu tenho conversado muito com os deputados dos Democratas e tenho a confiança do presidente nacional [do partido], o ex-prefeito de Salvador (BA), ACM Neto, do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e também do nosso líder dos Democratas, que é o Efraim [Filho (DEM-PB), e tenho plena convicção que os Democratas estará [sic] firme no nosso bloco e vai garantir uma maioria de deputados para que a gente possa ganhar a eleição”, finalizou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)