31 de julho de 2025
Brasil e Poder

CRISE NO BB: Líder da Oposição, André Figueiredo apresenta requerimento de informação para ter detalhes do plano reestruturação do Banco do Brasil

Líderes do PCdoB e do PT, na Câmara, chamaram a iniciativa do governo Bolsonaro em instituir um programa de demissão voluntária e o fechamento de agências de “desmonte”; líder petista defende que Paulo Guedes seja convocado para dar explicações

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( Publicada originalmente às 19h 00 do dia 14/01/2021) 

(Brasília-DF, 15/01/2021) O líder da oposição na Câmara, deputado André Figueiredo (PDT-CE), apresentou nesta quinta-feira, 14, um requerimento de informação junto ao Ministério da Economia para ter detalhes do plano reestruturação que àquela pasta ministerial está promovendo no Banco do Brasil. De acordo com ele, o objetivo da ação visa saber se a ideia do governo federal é privatizar a instituição, fundamental órgão de fomento a economia e ao desenvolvimento do país. Depois que surgiram informações de que o Presidente Jair Bolsonaro queria fazer demissão no comando do BB, nesta quinta-feira,14, a Secom  informou aos jornalistas que cobrem o Planalto que Bolsonaro, de fato, defende mudanças no BB.

O pedetista ressalta que desde o início dessa segunda semana de 2021 o Brasil vem sendo “pego de surpresa com notícias desastrosas para o mercado dos negócios e consequentemente para a economia brasileira”. Segundo ele, além do fim das atividades da Ford, o Banco do Brasil divulgou um plano sobre a abertura de programas de demissão voluntária e o fechamento de mais de 350 unidades de atendimento, “que em outras palavras”, segundo ele, enfraquecerá o atendimento ofertado pela instituição junto a população de diversas regiões, sobretudo àquelas menos desenvolvidas.

O líder oposicionista destaca que “um dos grandes diferenciais do Banco do Brasil em relação à concorrência privada é justamente o de ter abrangência em todo o território nacional, o que o torna mais acessível para a sociedade brasileira aos serviços bancários”. Com o plano de reestruturação, o parlamentar cearense aponta o risco de haver um grande retrocesso na acessibilidade de grande parcela da população para se beneficiar dos produtos bancários ofertados.

“O Banco do Brasil tem ampla expertise em crédito rural, que é disponibilizado para o agricultor familiar via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e para a agroindústria. Atua também fortemente no âmbito do microcrédito, e na disponibilização de outros produtos que atendem à população de baixa renda. Além disso, possui papel fundamental em implementação de políticas públicas, como as habitacionais, creditícias, etc”, aponta André Figueiredo.

“Apesar de não ter sido divulgado um plano claro de privatização, a redução tanto de tamanho como de importância da empresa pavimenta o caminho para a transferência de seu controle à iniciativa privada. Esse é o desejo já externalizado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em reunião ministerial de 22 de abril de 2020: ‘o Banco do Brasil é um caso pronto de privatização’. Por todo o exposto, considerando a prerrogativa prevista no art. 50, § 2º, da Constituição da República, cujo atendimento possui caráter inescusável, sob pena de cometimento de crime de responsabilidade, e diante da necessidade premente de esclarecimentos acerca do processo de desmonte do Banco do Brasil”, emenda o pedetista.

Notas contra o “desmonte” do BB

Já os líderes do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (AC), e do PT, deputado Enio Verri (PR), classificaram a iniciativa do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em instituir um programa de demissão voluntária e o fechamento de agências de “desmonte” do Banco do Brasil (BB). Ambos divulgaram nota condenando o plano de reestruturação que o Ministério da Economia começou a promover na instituição, que está em atividade no país, desde 1.808.

“Governo que fecha agência bancária é o mesmo que demite trabalhador e aumenta as filas de atendimento para os clientes. É um absurdo que Bolsonaro permita o fechamento de 361 unidades do Banco do Brasil: 112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento. Isso trará enormes prejuízos à população, especialmente, em pequenos municípios, que já têm dificuldade de acesso à rede bancária”, lamentar a parlamentar acreana.

“Infelizmente, virão ainda mais demissões e mais filas nos bancos. Será um caos ainda na economia, principalmente, para o pequeno produtor do interior do Brasil. Desestruturar o BB afetará o financiamento do setor rural. O banco é estratégico nessa área, tendo anunciado o pagamento de R$ 103 bilhões para o Plano Safra 2020/2021. Lutaremos para impedir essa maldade contra a nossa população e os funcionários do Banco do Brasil. Contem comigo! Bolsonaro sinalizou recuo. Temos de pressioná-lo para impedir mais esse desmonte”, complementou a líder do PCdoB.

Patrimônio do povo

Verri reforçou que o Banco do Brasil é uma instituição que pertence a população brasileira, criada por Dom João VI, quando rei do Brasil e de Portugal, migrou a corte então instalada em Lisboa na cidade do Rio de Janeiro, entre 1.808 e 1.820.

“O ano mal começou e a dupla Bolsonaro e Guedes, seu ministro entreguista da Economia, já provoca mais estragos na trôpega economia brasileira. A nova vítima do governo federal é o Banco do Brasil. Esse patrimônio do povo brasileiro, para Bolsonaro e Guedes, precisa ser desmontado, necessita ficar decrépito para deleite dos privatistas neoliberais que estão de olho para comprá-lo. Pois o governo federal anunciou no dia 11/01, demitir até 5 de fevereiro deste ano, cinco mil trabalhadores e trabalhadoras, por meio de um Plano de Demissão Voluntária (PDV). Mas além das demissões, serão fechadas 112 agências, 242 postos de atendimento (PA) e sete escritórios, num total de 361 unidades em todo o País”, criticou o petista.

“A Bancada do PT na Câmara dos Deputados denuncia esse disparate desde o anúncio na última segunda-feira (11). Vamos envidar todos os esforços legais, jurídicos, legislativos e de mobilização social e política a fim de barrar a entrega do Banco do Brasil aos ‘tubarões’ do mercado financeiro, bem como trabalhar para estancar a demissão de 5 mil trabalhadores e trabalhadores da instituição. É mister registrar que o BB também é um importante instrumento de crédito para a agricultura, indústria, comércio e para as pessoas físicas, em suas mais de 73 milhões de contas espalhadas pelo Brasil”, complementa o líder do PT na Câmara.

Convocação de Paulo Guedes

Para explicar o plano de reestruturação no Banco do Brasil e a decisão de forçar o pedido de demissão de milhares de funcionários daquela instituição, além do fechamento de agências bancárias, Enio Verri quer que o ministro Paulo Guedes seja convocado, assim como demais autoridades financeiras e políticas do governo, para esclarecer a iniciativa adotada pelo governo federal.

“É importante ainda frisar que o Banco do Brasil é o principal financiador da agricultura (e quase o único no caso da familiar). Além disso, em comparação com os grandes bancos privados, frequentemente oferece juros mais baixos nas linhas de crédito mais utilizadas, tanto para a pessoa física (como no cheque especial, crédito consignado e cartão de crédito) como para a jurídica (no capital de giro). E no caso destas, tomando proporcionalmente mais risco e emprestando a quem tem dificuldade para tomar crédito. A convocação do ministro Paulo Guedes, além de convites a outras autoridades governamentais, para que se expliquem no Parlamento, são urgentes para que possamos impedir essa ação vergonhosa e destruidora contra o Banco do Brasil, seus trabalhadores e toda a população brasileira, que é atendida pela instituição em todos os rincões do País”, argumentou o líder petista.

“Desde o golpe de 2016, a sanha privatista de Temer, e agora de Bolsonaro, levam o País à derrocada econômica com privatizações de empresas públicas, as quais são indispensáveis à soberania nacional, bem como, imprescindíveis para manter serviços públicos de qualidade, que devem ser garantidos aos cidadãos e cidadãs brasileiros. Portanto, nosso apoio total e irrestrito aos bancários, a todos os atingidos por essa medida desastrosa. Estamos unidos para defender os trabalhadores, as políticas públicas que são acessadas via Banco do Brasil, bem como, lutar para que a população não seja ainda mais prejudicada por esse (des) governo entreguista, antinacional e antipopular”, finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)