SUCESSÃO NA CÂMARA: Baleia Rossi afirma que agronegócio é fundamental para o país e que atual política externa do governo brasileiro é prejudicial ao setor
Emedebista, que tentará se eleger no próximo dia 1º de fevereiro presidente da Câmara dos Deputados, falou, ainda, que o Ministério do Meio Ambiente da mesma maneira também vem prejudicando o setor
( Publicada originalmente às 16h 00 do dia 14/01/2021)
(Brasília-DF, 15/01/2021) O deputado Baleia Rossi (MDB-SP) afirmou nesta quinta-feira, 14, que o setor nacional do agronegócio é fundamental para o país e que ele vem sendo muito prejudicado pela atual política externa do governo brasileiro, que vem sendo exercida desde janeiro de 2.019 pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.
De acordo com o emedebista, que tentará se eleger no próximo dia 1º de fevereiro o futuro presidente da Câmara dos Deputados, a atual postura exercida também pelo Ministério do Meio Ambiente vem da mesma maneira prejudicando e muito o setor. A declaração aconteceu após ele se reunir com dirigentes de seis entidades sindicais, que lhe entregaram um documento intitulado “vacina, proteção e mais empregos: diretrizes para a ação sindical unitária” defendendo a realização de uma vacinação “já para todos”, a “manutenção do auxílio emergencial e de proteção dos empregos e salários”, a adoção de um incentivo para geração de “mais empregos”, a instituição de “campanhas de solidariedade”, além do “fortalecimento da organização sindical e da negociação coletiva”.
“O setor agro é muito importante para a nossa balança comercial. É um setor que alimenta a população. É um setor que tem tido por parte do Ministério das Relações Exteriores um olhar, que muitas vezes prejudica o setor. Acho que nós temos que todos trabalhar para valorizar o setor agro brasileiro. O próprio Ministério do Meio Ambiente também da mesma forma acaba prejudicando os produtores, que no Brasil são trabalhadores e pessoas que vivem do campo, que se dedicam a essa atividade e que precisam de todo apoio da Câmara dos Deputados”, falou em entrevista.
Responsabilidade fiscal
Questionado sobre se sua eventual gestão a frente da Câmara, o auxílio emergencial que foi pago em 2.020 para trabalhadores autônomos e informais poderia ser estendido em 2.021, enquanto os efeitos da pandemia do novo coronavírus perdurá, ele respondeu que sim, mas desde que seja possível respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
“Nós precisamos votar o orçamento. Esperamos que o Ministério da Economia possa buscar soluções para que enquanto não houver vacina, ou [tenha] um reforço no Bolsa Família, ou um auxílio emergencial que possa suprir esses milhares e milhões de vulneráveis. Claro que sempre com responsabilidade fiscal, sempre com uma preocupação de não estourar as contas públicas, que tem que ser também, uma preocupação de todos nós”, comentou.
Reunião com sindicalistas
Indagado sobre o encontro com os sindicalistas ligados a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central de Sindicatos Brasileiros (CSB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e União Geral dos Trabalhadores (UGT), Baleia Rossi afirmou a pandemia, que já matou quase dois milhões de pessoas em todo o mundo e mais de 205 mil brasileiros, foi o principal tema do encontro por ser “uma preocupação com o momento atual que nós estamos vivendo”.
“Primeiro, eles entregaram um documento para cada um dos candidatos a presidente da Câmara dos Deputados. Pedem diálogo, um amplo diálogo, que é função do parlamento, preocupação com a vacina por que nós vivemos num momento em que a retomada da economia só vai ser plena com geração de empregos e renda, com a vacina. Então é uma preocupação absolutamente legítima”, comentou.
Desindustrialização
O emedebista disse que a desindustrialização, que já vinha ocorrendo no país, antes da pandemia, também foi um dos temas em que foi conversado com os dirigentes sindicais. Para ele, a saída é a aprovação de uma reforma tributária que simplifique a cobrança dos impostos. Além do pedido feito pelos sindicalistas para que o auxílio emergencial seja prorrogando, enquanto os efeitos da pandemia permanecerem. Com relação a este ponto, ele não quis se comprometer.
“A questão da desindustrialização, a questão [da saída] da Ford preocupa muito. Essa semana mesmo eu tive no Ceará e na Bahia, estive falando com o Sálvio, que é o prefeito aqui de Taubaté (SP), de que é uma preocupação de todos com o aumento do desemprego e aí, eu acho que a prioridade tem que ser a votação da reforma tributária de nossa autoria, que melhora o ambiente de negócios e faz com que os investimentos possam vir com segurança jurídica, desburocratização deste sistema tributário e acredito que é um projeto, que já está muito maduro para ser votado”, avaliou.
“A preocupação com os mais vulneráveis, que eles tem também, [com o pedido de] aumento do auxílio emergencial no ano passado de R$ 200,00 e que passou para R$ 600,00. Esse diálogo com toda a sociedade, com a participação de todos no parlamento foi extremamente importante. Então são preocupações legítimas que eles colocam aqui e que nós vamos ter a partir de fevereiro como presidente da Câmara dos Deputados, um amplo diálogo com todos”, emendou.
Vacinação
Por fim, Baleia Rossi falou da importância do país começar a vacinar os brasileiros para que a economia seja retomada. Ele comentou também que se encontraria nesta quinta-feira, 14, com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB). Indagado sobre se aceitará um dos mais de 50 pedidos de impeachment, que pedem o afastamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o emedebista não quis falar se aceitará, ou não.
“A gente vê mais de 60 países vacinando o seu povo, eu acho que o Brasil não pode ficar para trás. Precisa realmente reunir esforços para que isso seja realidade. […] A Constituição é muito clara. É uma prerrogativa do presidente da Câmara dos Deputados e como presidente, vou ter as minhas responsabilidades, e agirei de acordo com o que a Constituição diz”, finalizou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)