31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Bolsonaro, agora diz que não é para politizar a pandemia, reclama de ação do PSOL para impedir que prefeitura de Porto Alegre promova tratamento com cloroquina contra covid

Psol dá resposta a questão posta pelo Presidente

Publicado em
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( Publicada originalmente às 12h 13 do dia 14/01/2021) 

( reeditado) 

(Brasília-DF, 15/01/2021) Em conversa com seus militantes na manhã desta quinta-feira, 14, em frente ao Palácio do Alvorada, sua residência oficial, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reclamou de uma ação impetrada pelos parlamentares do PSOL, com objetivo de impedir que prefeitura de Porto Alegre (RS) possa promover um tratamento contra o novo coronavírus (covid-19), com uso do medicamento hidroxicloroquina, que não tem comprovação de ser eficaz contra a doença que já matou mais de 205 mil brasileiros.

Na conversa com os apoiadores, o presidente, ainda sem maiores informações por parte da iniciativa do PSOL, pediu para que os parlamentares d oposição parassem de politizar a doença. Inicialmente, Bolsonaro afirmara que a ação pessolista teria como objetivo evitar o uso da cloroquina por parte de todas as prefeituras. O medicamento é usado pelo presidente como uma forma para enfrentar a enfermidade, mesmo sem a chancela das principais entidades ligadas a saúde. Em resposta, a líder do partido na Câmara, Fernanda Melchiona (PSOL-RS), esclareceu que o processo é específico a prefeitura da capital gaúcha afirmando que quem faz uso político do covid, seria o presidente Bolsonaro.

A conversa realizada pelo presidente Bolsonaro com seus apoiadores e militantes, que já viraram tradicional em substituição às coletivas de imprensa que jornalistas comumente realizavam, foi transcrita abaixo pela reportagem da Política Real a partir do vídeo disponibilizado pelo perfil “Foco do Brasil”, uma página militante que apoio e defende as pautas políticas do presidente, no youtube. As coletivas de imprensa foram aos poucos encerradas após diversos profissionais terem sido ofendidos e ameaçado pelos apoiadores e militantes. Na conversa desta quinta-feira, 14, uma das apoiadoras e militante, que se diz ser do sertão do Rio Grande do Norte (RN), reclamou dos salários atrasados aos servidores daquele estado, segundo ela, culpa da administração da governadora Fátima Bezerra (PT), a quem fez toda sorte de xingamentos.

Apoiador militante: “Presidente, queria te convidar para ir lá no Sol Nascente para um churrasco”.

Presidente: “Não é fácil, não é fácil. Eu vou almoçar na Vila Planalto, sou criticado, imagina fazer um churrasco lá. A chance é quase sero. Eu trabalho o tempo todo, estive com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), recebi agora o ministro da Educação às sete da manhã aí. Da Educação, não. Da Saúde”.

Apoiadora militante: “Tenho 67 anos, sou da região do Riachuelo, da região do Potegi, carente demais. Infelizmente temos uma governadora que é do PT, eu digo sempre, me desculpa, mas o PT é de merda, viu! Eu não aguento ficar calada, não. É um sofrimento grande demais, já são dois meses sem pagar a gente, já”.

Apoiador militante: “Presidente, é verdade que o presidente do Banco do Brasil vai ser emitido?”

Apoiadora militante: “Meu filho vem tirar a foto, chegue, chegue, é o presidente que você ama, chegue meu filho, pelo amor de Deus! Muito obrigado, que Deus te abençõe, Jesus!”

 

Presidente: “Não vai dar, eu estou com muita pressa e muita coisa para fazer. Por favor! Vai demorar se eu gravar, por favor”.

Apoiadora militante: “Está bom presidente, tudo de bom para você!”

Presidente: “Me desculpa aqui eu não poder gravar”.

Apoiador militante: “Tá bom, tá bom”.

Presidente: “Estamos com um problema sério em Manaus, [estava] tratando a noite, de madrugada. É. E, agora, tivemos a informação, não sei se é verdadeira, vou confirmar se é verdadeira, ainda, que o PSOL teria entrado com uma ação na justiça para que os prefeitos não deem o tratamento precoce para o pessoal que procurar a saúde. É. … Se for verdade isso aí, se for verdade, pelo amor de Deus! Acho que está na hora de parar de politizar esse negócio aí, está certo”.

Apoiador militante: “[Eles da oposição] não tem nada de humanidade, presidente!”

Apoiadora militante: “Seja forte presidente, seja forte! Nós estamos com você, Deus está com você, presidente”.

Presidente: “Obrigado pelo convite ao pessoal do Sol Nascente, a terra, Ceilândia, da primeira dama [Michele Bolsonaro], mas … Olha tem gente que, muito obrigado, mas tem gente que acha que ser presidente, ser governador, ser prefeito, ...”

Apoiadora militante: “[Acham que] é fácil!?!”

Presidente: “[Exercer um mandato] não é para comemorar, é um tempo que você vai passar, trabalhando, se quiser, obviamente, né? Trabalhando para o próximo. Não é fácil!”

[Corte na edição do vídeo]

Presidente: “Pessoal, obrigado pela atenção aí. Desculpa aí ser rápido”.

Nota do PSOL

Abaixo segue a nota da líder do PSOL, a deputada Fernanda Melchina “sobre o comentário de Bolsonaro a respeito da ação contra a compra de cloroquina pela prefeitura de Porto Alegre”.

“O presidente Jair Bolsonaro comentou, na manhã desta quinta-feira (14) em fala a apoiadores, a ação do PSOL que pede a interrupção do gasto de dinheiro público da capital do RS com a compra de cloroquina, um remédio que comprovadamente não funciona para Covid-19. A ação foi organizada pelo líder do PSOL na Câmara Municipal de Porto Alegre, Roberto Robaina, e assinada por mim com a deputada estadual do RS Luciana Genro e os vereadores Pedro Ruas, Karen Santos, Matheus Gomes e o suplente Alex Fraga. O presidente disse, de forma errônea, que a ação visa atingir todas as prefeituras, quando na verdade se refere apenas à Capital, e que se deve parar de ‘politizar a pandemia’”, inicia a líder pessolista.

“Bolsonaro comete uma sucessão de equívocos e é difícil acreditar que não sejam intencionais. Pede para não politizar a pandemia, mas tem mentido ao povo sobre a existência de um remédio para a Covid-19, levando ao risco de vida milhões de pessoas com o objetivo de esconder sua própria incompetência. Tem travado uma batalha contra a ciência e a saúde pública, desacreditando pesquisadores e desestruturando o SUS quando ele é mais necessário. Fez mudanças no Ministério da Saúde gerando ainda mais crise e escolheu um ministro sem experiência na área que tem acumulado episódios de má gestão ao lidar com a vacina e a compra de insumos para aplicação. Se tem uma pessoa que politiza a vacina, é Bolsonaro, justamente quando mais de 7 milhões de pessoas já foram vacinadas no mundo inteiro e nenhuma delas no Brasil graças à incompetência e negacionismo dele. Continuaremos resistindo a ele, como fizemos para garantir o auxílio emergencial de R$600, que ele não queria dar. Mas a verdadeira solução que precisamos nesse momento é a saída de Bolsonaro do governo. A cada dia que passa, ele coloca o Brasil em mais risco. Tirar Bolsonaro é uma medida sanitária para o país”, complementa a parlamentar gaúcha.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)