31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Em conversa com apoiadores, Bolsonaro volta a defender uso da cloroquina e ivermectina para enfrentar à pandemia em ataques a TV Globo e ao ex-ministro Mandetta

Fazendo uso de informações falsas, presidente brasileiro criticou ainda a Argentina que mantém uma política restrita na circulação de pessoas para evitar a propagação da doença; ele criticou também o prefeito de BH por fechar a capital mineira

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( Publicada originalmente às 13h 00 do dia 12/01/2021) 

(Brasília-DF, 13/01/2021) Em conversa com seus apoiadores nesta terça-feira, 12, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender uso da hidroxicloroquina e da ivermectina, que não possuem comprovação científica para enfrentar à pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 200 mil brasileiros, como forma de oferecer a população um tratamento precoce, o que não é recomendado pelas principais entidades ligadas à saúde.

As declarações de Bolsonaro aconteceram no final da manhã, quando ao sair da sua residência oficial, o Palácio da Alvorada, ele disparou ataques a TV Globo e ao ex-ministro da Saúde, o ex-deputado federal Henrique Mandetta (DEM-MS). Na oportunidade, fazendo uso de informações falsas, o presidente brasileiro criticou ainda a Argentina que vem mantendo uma política restrita na circulação de pessoas para evitar a propagação da doença, que já matou quase dois milhões de pessoas em todo o mundo. Ele aproveitou a oportunidade para criticar também o reeleito prefeito de Belo Horizonte (MG), Alexandre Kalil (PSD), por determinar o fechamento do comércio desde segunda-feira, 11, para conter o avanço no número de casos da doença na capital mineira.

A hidroxicloroquina é um medicamento utilizado para o tratamento do lúpus e a ivermectina é um vermifugo utilizado no tratamento animal. Por decisão do presidente, o laboratório químico e farmacêutico do Exército já produziu quase dez milhões de comprimidos da cloroquina, que vem sendo repassada para estados e municípios. A ivermectina passou a ser propagandeada pelo governo após o Ministério de Ciência e Tecnologia ter garantido que o medicamento poderia funcionar nos casos leves do covid-19.

“Agora, eu faço um apelo aqui àqueles que criticam sem informações. Coloca na mesa os candidatos que temos em 22. Bota na frente. Escolha ali quem você votaria. Votaria nesse cara? Então não critica esse cara, poxa! Olha o que aconteceu na Argentina! Começaram a descer o cacete no [ex-presidente Maurício] Macri, [e] o que aconteceu? Voltou o PT deles, com a Cristina Kirchner. Olha como está lá, aprovaram o aborto. Continua o maior ‘lockdown’ do mundo, que é lá. O maior número de mortes por um milhão, é lá”, iniciou aos risos e gargalhadas dos seus apoiadores.

“Nós aqui estamos, se não me engano, em 22. Por que 22? Já que falam que é péssimo, me chamam de genocida, por que já está em segundo lugar o número de mortes por um milhão de habitantes. Por que eu tive coragem de falar na hidroxicloroquina, na ivermectina. Veja a quantidade de mortes em países da África subsaariana. Tem cidade aqui como Porto Seguro, se não me engano, com o número de mortes lá embaixo. Por quê? Por que o prefeito. Itajaí também adotou isso daí. Quem adotou o tratamento precoce, daí falam [que] não tem comprovação científica. Ô cara, eu sei que não tem, mas não tem efeito colateral”, continuou ignorando que a tabela de mortos por milhão de habitantes confecionada pela direção geral de Saúde (DGS) portuguesa são dos seguintes países: 1º) Letônia, 2º) Eslováquia, 3º) República Checa, 4º) Eslovênia, 5º) Panamá, 6º) Sérvia, 7º) Portugal, 8º) Hungria, 9º) Lituânia e 10º) Reino Unido.

Novos ataques a TV Globo

A partir daí, sempre mantendo a defesa do uso da hidroxicloroquina, e atacando a TV Globo, Bolsonaro afirmou que a notícia veiculada pelo colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim, de que ele demitiria o general Eduardo Pazzuello do cargo de ministro da Saúde foi mentirosa, e que se a emissora carioca não cumprir os requisitos legais, ela não terá a renovação da concessão pública prorrogada por ele.

“A Globo quando comecei em falar em cloroquina, [informou que] causava arritmia. [risos de uma apoiadora] Algumas semanas depois, a sociedade europeia de cardiopatia que não causava arritmia. E mais a TV Globo, em 2.016, 2.017, recomendou a hidroxicloroquina para grávidas para combater o efeito da zika nos fetos, ou não é verdade? Tem imagem aí! Qualquer órgão de imprensa, que depende de concessão, tem que se enquadrar na legislação para conseguir a renovação da concessão. Qualquer um. Se a Globo não cumprir o que diz a lei, eu simplesmente não assino o decreto para prorrogar. Ok?”, falou sobre aplausos dos apoiadores.

“Não tem perseguição da minha parte. Não existe perseguição para nenhum órgão de imprensa. Eles continuam livres, muitos extrapolando, mentindo, desinformando e, digo mais, eles não deturpam mais, eles mentem. De acordo com as pessoas que conversam comigo, eles fazem a matéria. Fizeram um matéria agora, foi o Lauro Jardim, se não me lembro, dizendo que na reunião de ministros aí da semana passada, na terça-feira [05], eu critiquei o Pazuello por falta de prever aí [não concluiu o raciocínio]. Uma reunião com 15 ministros, não houve nada daquilo. Eu apelei para o caráter desse cara da Globo, mostra quem foi o nome de quem passou essa informação, tinham 15 presentes comigo e o Pazzuelo, e não foi tratado esse assunto. Muito pelo contrário!”, complementou.

Novos ataques a Mandetta

No momento em que fazia rasgados elogios ao atual ministro da Saúde, general Pazzuelo, Bolsonaro aproveita para atacar o seu ex-ministro, Henrique Mandetta.

“O Pazzuelo é uma pessoa sensacional e é a pessoa certa no lugar certo. Se tivesse o Mandetta lá, até hoje, esse marqueteiro da Globo estava recomendando ficar em casa, só vai para o hospital quando tiver falta de ar e continua, agora, tendo espaço na TV funerária, na Globo, na capa da revista Istoé. O médico, a cara do jegue lá olhando para o pasto assim. É o médico! Para deixar bem claro para vocês. Eu não sou médico. Mas eu converso com quem é e com quem tem a cabeça no lugar. Por que no protocolo aqui só pode tomar a cloroquina em estado grave. No estado grave não funciona! Tira daí e deixa o médico decidir e ele [Mandetta] não aceitou. Levou a voadora”, contou o presidente brasileiro ironizando o ex-ministro da Saúde e provocando mais risos e gargalhadas de seus apoiadores.

“Outra coisa, não tem médico aqui, mas tem médico que vai nos ouvir, foi aprovado um projeto na Câmara que permitia que faculdades particulares pudessem fazer o exame do revalida. Já imaginaram? Ia ter uma festa! E daí na hora da sanção do projeto, eu já estava informado obviamente, não pelo Mandetta, que ele queria que fosse sancionado, e daí mostrei para o presidente da AMB se ele concordava que eu sancionasse aquele dispositivo, eu estava vendo que ele estava constrangido, estava vendo o Mandeta ali, e eu disse captei o seu sentimento, vou vetar. Captei vossa mensagem, vou vetar! E vetei e o Mandetta trabalhou dentro da Câmara para derrubar o veto, faltaram para o Mandetta quatro votos. Se tivesse quatro votos a mais hoje em dia estaria todo mundo revalidado no Brasil, independente de onde ele fez a sua faculdade, se ele apreendeu, ou não? Não interessa o país. Estaria todos os cubanos aí com o diploma revalidado”, completou.

“Esse é o Mandetta. Eu segurei para vocês isso e levo pancada o tempo todo. Não tem problema! Não vim aqui para agradar, vim para cumprir quatro anos de mandato. Sei que existe milhares de pessoas melhores do que eu, mas tem que ter coragem de ser candidato. Agora tem medo de candidatar a vereador, pô! Se candidata a vereador e resolva tudo. Acha que é mole o seu município, então vai lá. Agora uma coisa existe em mim: consciência tranquila, Deus no coração e a verdade acima de tudo”, finalizou.

Ataques a Kalil

Mas, antes, o primeiro a ser criticado nesta conversa do presidente com seus apoiadores foi o prefeito da capital mineira, Alexandre Kalil.

“Vamos conversar um pouquinho, pessoal. Primeiro quero agradecer a presença de vocês, fico muito honrado e a gente tem informações precisas para tomar decisões, até em casa, né? Primeiro, as questões municipais. Estão criticando alguns prefeitos que estão fechando tudo. Ué? O cara já fechava, reelegeu o cara, agora, quer o quê? É o cara de BH. Ele acha na cabeça dele, que isso é melhor para o seu município, mas a economia vai embora”, disparou sem citar nominalmente o nome do prefeito de belo Horizonte.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)