Ministério da Saúde diz que vacinação contra covid pode acontecer entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro, mas que precisa que imunizantes tenham registros junto à Anvisa
Após a coletiva, a Anvisa informou que recebeu o pedido de autorização emergencial do laboratório União Química, que representa no país a vacina russa Sputinik V, e que analisará a solicitação em até 72 horas
( Publicada originalmente às 21h 21 do dia 29/12/2020)
(Brasília-DF, 30/12/2020) O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, afirmou nesta terça-feira, 29, que o governo brasileiro estima que a vacinação contra o novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 192 mil brasileiros, pode acontecer entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro do próximo ano, mas que para isso precisa que os imunizantes possuem registros junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Na oportunidade, Franco, que ocupa o segundo maior cargo na estrutura do Ministério da Saúde, abaixo apenas do ministro general Eduardo Pazuello, falou ainda que não poderia “pegar pelo braço” os dirigentes da farmacêutica alemã Pfizer, que ontem informou que devido ao processo lento de análise da Anvisa, só irá requerer, no país, o registro em definitivo da sua vacina, que já começou a ser aplicada emergencialmente em países como os Estados Unidos da América, Israel, Chile, Costa Rica e México.
“Na melhor hipótese, nós estaríamos começando a vacinação a partir do dia 20 de janeiro. Num prazo médio, entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro. E no prazo mais longo, a partir de 10 de fevereiro. Nós precisamos que os fabricantes obtenham o registro junto à Anvisa, e que eles entreguem doses suficientes para que sejam distribuídas. Se o distribuidor obter o registro e eventualmente não tiver dose para distribuir, o Ministério da Saúde enquanto Ministério da Saúde tem feito a sua parte, [quando] fizemos o plano [nacional de imunização e], estamos com a operacionalização pronta, nos preparando para esse grande dia, mas precisamos que os laboratórios solicitem o registro”, falou o vice-ministro.
“A partir do momento que ela [Pfizer] não quiser se submeter ao regramento da Anvisa, eu não posso pegar a Pfizer pelo braço e levar lá, [e determine que a] Pfizer entregue seu relatório para Anvisa. Posso pedir brevidade para a Anvisa, mas ela tem que seguir os seus passos. Nos causou estranhamento o pronunciamento [dela, Pfizer] que ocorreu ontem de que disse que estava com dificuldade pela grande dificuldade de solicitações da Anvisa, uma vez que os aspectos solicitados pela Anvisa são os mesmos solicitados pela FDA [órgão do governo norte-americano que autoriza registros fito-sanitários], nos EUA”, complementou Élcio Franco.
Pedido de registro emergencial
Após a coletiva de imprensa concedida pelo vice-ministro da Saúde, a Anvisa informou que recebeu nesta terça-feira, 29, o pedido de autorização emergencial do laboratório União Química, que representa no país a vacina russa Sputinik V, e que analisará a solicitação em até 72 horas.
A Sputinik que é produzida por uma empresa estatal do governo russo alcançou naquele país eficácia de 92% e já começou a ser aplicada naquele país, em fase emergencial, desde outubro. Nesta terça, profissionais da saúde da Argentina também começaram a receber as primeiras doses dela.
“A Anvisa recebeu, no início da noite desta terça-feira (29/12), o pedido de autorização de pesquisa clínica de fase 3 para a vacina Sputnik V. A solicitação foi apresentada pelo laboratório União Química. Com a entrada do pedido na Anvisa, a Agência vai analisar o protocolo de pesquisa em até 72 horas. Essa foi a meta de tempo estabelecida pela Gerência Geral de Medicamentos, baseada em avaliações anteriores. Porém, é importante que o processo cumpra os requisitos sanitários para pesquisas clínicas”, informou a assessoria do órgão.
“O pedido se refere à realização de pesquisa clínica, que é a pesquisa com seres humanos. A autorização da Anvisa é obrigatória para pesquisas que tenham como foco o futuro registro de uma vacina ou medicamento. A Anvisa realizou uma série de reuniões com o laboratório nas últimas semanas para orientar e trocar informações sobre a formatação do pedido de estudo e conhecer a proposta de estudo. Com a entrada dos documentos, a equipe técnica da Anvisa já vai iniciar a análise do material. O prazo formal de 72 horas começa com a geração do expediente, o que acontece com a compensação da taxa paga pelo laboratório”, complementou a assessoria da Anvisa.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)