Arthur Lira, Baleia Rossi, Ciro Gomes, FHC, Lula e Maia criticam fala de Bolsonaro que diz ser mentira tortura de Dilma
Já o deputado Rogério Correia defendeu que seu partido ingressasse com um pedido de impeachment contra Bolsonaro por apologia à tortura; em nota, líder petista na Câmara falou que declaração é “inaceitável” e que “merece o repúdio”
( Publicada originalmente às 15h 00 do dia 29/12/2020)
(Brasília-DF, 30/12/2020) O candidato à presidência da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), se juntou nesta terça-feira, 29, aos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assim como ao atual presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao concorrente pelo cargo e também candidato à presidência daquela Casa, deputado Baleia Rossi (MDB-SP), nas críticas a uma das últimas declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre as torturas sofridas pela ex-presidente Dilma Rousseff, quando militante na década de 70 de um grupo político que pregava resistência armada ao então regime ditatorial instalado no país entre 1.964 e 1.985. O ex-ministro da Fazenda no governo do ex-presidente Itamar Franco e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), também se juntou às críticas a Bolsonaro. A fala de Lira foi cuidadosa mas disse que a tortura não é aceitável.
Todos se solidarizaram com Dilma pelas palavras do atual ocupante do Palácio do Planalto proferidas nesta última segunda-feira, 28, enquanto conversava com apoiadores em frente ao Palácio do Alvorada, residência oficial do presidente da República. Na oportunidade, Bolsonaro afirmou que “dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela (...) mas até hoje estou aguardando o raio-x”. Após essa fala, a própria Dilma se manifestou em nota chamando o atual presidente brasileiro de “fascista”. Um dia após o ocorrido, as críticas a fala de Bolsonaro foram se avolumando.
“Minha solidariedade a ex-presidente Dilma Rousseff. Brincar com a tortura dela, ou de qualquer pessoa, é inaceitável. Concorde-se ou não com as atitudes políticas das vítimas. Passa dos limites”, disparou FHC em seu perfil no twitter.
“O Brasil perde um pouco de sua humanidade a cada vez que Jair Bolsonaro abre a boca. Minha solidariedade a presidenta @dilmabr, mulher detentora de uma coragem que Bolsonaro, um homem sem valor, jamais conhecerá”, emendou Lula também por meio das suas redes sociais.
“Bolsonaro ataca Dilma por ser frouxo, corrupto e incapaz. Enquanto ela defende suas convicções, ele vende o país ao estrangeiro e, por sua irresponsabilidade, quase 200 mil brasileiros já perderam suas vidas”, completou o cearense Ciro Gomes.
“Bolsonaro não tem dimensão humana. Tortura é debochar da dor do outro. Falo isso porque sou filho de um ex-exilado e torturado pela ditadura. Minha solidariedade a ex-presidente Dilma. Tenho diferenças com a ex-presidente, mas tenho a dimensão do respeito e da dignidade humana”, complementou Rodrigo Maia.
“Não é sobre esquerda, centro ou direta. É sobre a dignidade humana, é disso que se trata. Nossa solidariedade à ex-presidente Dilma Rousseff. Tortura nunca mais”, repetiu Baleia Rossi, que tenta obter os votos dos 131 deputados de esquerda e centro-esquerda para vencer às eleições pelo comando da Câmara.
“Vivemos o período mais longo da democracia brasileira, construída com esforço de diversos atores da política nacional. Devemos a eles o nosso respeito”, finalizou Arthur Lira, candidato à presidência da Câmara com apoio de Bolsonaro.
Impeachment
Já o deputado Rogério Correia (PT-G) defendeu que seu partido ingressasse com um pedido de impeachment contra Bolsonaro por apologia à tortura. Mas, em nota, o líder petista na Câmara, deputado Enio Verri, falou que declaração é “inaceitável” e que “merece o repúdio”, mas em nenhum momento vislumbrou requerer o afastamento do atual presidente do cargo.
Por definição da Constituição federal, os pedidos de cassação do mandato do presidente da República, e do seu vice, devem ser protocolizados junto a Mesa Diretora da Câmara que aceitará, ou não, a solicitação. Caso aceite, será formada uma comissão que analisará o pedido em até 180 dias.
“Bolsonaro cometeu crime de apologia e cumplicidade com as torturas no regime militar ao dar gargalhadas e debochar da presidenta Dilma e de todos os mortos e presos durante a ditadura. É caso da bancada do PT solicitar impeachment do presidente”, destacou o petista mineiro.
“É inaceitável um presidente da República debochar de alguém que sofreu tortura, um crime contra a humanidade. A atitude do capitão-presidente não condiz com a democracia e nem com o principal cargo da República. Revelou ser um insano amante das trevas e dos abjetos torturadores dos anos de chumbo que mancharam a história do Brasil entre 1964 e 1985”, concluiu o líder do PT.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)