31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Após Bolsonaro afirmar que tortura de Dilma não existiu, ex-presidente diz que “atual ocupante do Planalto se comporta como um fascista”

Em conversa com apoiadores em frente a residência oficial da Presidência da República, Bolsonaro disse às gargalhadas que espera até hoje o “raio-x” para atestar que Dilma foi torturada

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( Publicada originalmente às 18h03 do dia 28/12/2020) 

(Brasília-DF, 29/12/2020) Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que a tortura contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) não existiu quando ela era militante de um grupo que pregava luta armada contra a ditadura instalada no país entre 1.964 e 1.985, durante a década de 70, a ex-presidente afirma que o “atual ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista”.

A declaração de Dilma, em nota, aconteceu após a fala que Bolsonaro fez nesta segunda-feira, 28, em conversa com apoiadores no portão que dá acesso a residência oficial da Presidência da República, o Palácio do Alvorada, onde às gargalhadas diz que espera até hoje o “raio-x” para atestar que Dilma Roussef foi torturada e teve a mandíbula fraturada.

“Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio-x para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio-x”, comentou o atual presidente brasileiro.

“Jair Bolsonaro promoveu mais uma de suas conhecidas sessões de infâmia e torpeza, falando a um pequeno grupo de apoiadores, nesta segunda-feira, 28 de dezembro. Como não respeita nenhum limite imposto pela educação e pela civilidade, uma exigência a qualquer político, e mais ainda a um presidente da República, desmoraliza mais uma vez o cargo que ocupa. Mostra-se indigno ao tratar com desrespeito e com deboche o fato de eu ter sido presa ilegalmente e torturada pela ditadura militar. Queria provocar risos e reagiu com sórdidas gargalhadas às suas mentiras e agressões”, respondeu Dilma.

“A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos. Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela Covid-19 que, aliás, se recusa a combater. A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram”, complementou a ex-presidente.

Sociopata

Dilma chamou ainda Bolsonaro de sociopata.

“É triste, mas o ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista. E, no poder, tem agido exatamente como um fascista. Ele revela, com a torpeza do deboche e as gargalhadas de escárnio, a índole própria de um torturador. Ao desrespeitar quem foi torturado quando estava sob a custódia do Estado, escolhe ser cúmplice da tortura e da morte”, completou.

“Bolsonaro não insulta apenas a mim, mas a milhares de vítimas da ditadura militar, torturadas e mortas, assim como aos seus parentes, muitos dos quais sequer tiveram o direito de enterrar seus entes queridos. Um sociopata, que não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos, não merece a confiança do povo brasileiro”, finalizou.

 

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)