31 de julho de 2025
Brasil e Poder

BRASIL X CHINA: Após novos ataques de Eduardo Bolsonaro a China, deputados se mobilizam para tirá-lo da presidência de comissão de Relações Exteriores da Câmara

Se manifestaram pela saída do filho do presidente Jair Bolsonaro os deputados Fausto Pinato, coordenador do grupo parlamentar Brasil-China, Pérpetua Almeida e Rubens Bueno

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( Publicada originalmente às 08h46 do dia 25/11/2020) 

(Brasília-DF, 26/11/2.020) Após o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) fazer novos ataques à China e ao Partido Comunista da China e receber uma resposta dura da embaixada daquele país, três deputados se mobilizam para tirar o filho do presidente Jair Bolsonaro da presidência da comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.

Se manifestaram pela saída de Eduardo Bolsonaro do comando do colegiado, os deputados Fausto Pinato (PP-SP), coordenador do grupo parlamentar Brasil-China, a líder do PCdoB, deputada Pérpetua Almeida (AC), e o vice-presidente do Cidadania, deputado Rubens Bueno (PR).

O pedido de destituição acontece paralelo ao Grupo de Trabalho (GT) que será criado pela Câmara, por decisão do presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), para acompanhar as negociações em torno de que proposta de 5G o Brasil escolherá, se o modelo desenvolvido pela empresa norte-americana IT&T, ou o desenvolvido pela chinesa Huawei.

Todos os três parlamentares apresentaram nesta quarta-feira, 25, requerimentos para destituir Eduardo Bolsonaro do cargo de presidente do colegiado da Casa responsável pelas pautas de relações exteriores e de defesa nacional. O parlamentar do PSL continua presidente do colegiado em virtude de que a pandemia do novo coronavírus (covid-19) suspedeu os trabalhos das comissões temáticas da Câmara, adiando assim a realização da eleição da nova mesa que dirigiria os trabalhos do colegiado que aconteceria em março.

“O deputado Eduardo Bolsonaro que ocupa, mesmo que provisoriamente e administrativamente a presidência da comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados tem dado declarações absurdas contra a China causando constrangimento ao parlamento e ainda podendo trazer graves prejuízos políticos e econômicos nesta relação entre China e Brasil, especialmente em razão das nossas parcerias comerciais na área energética, no agronegócio, na área tecnológica e outros. Se o pai do deputado, que é o presidente Jair Bolsonaro se cala em frente a estas agressões contra o maior parceiro comercial do Brasil, o parlamento não pode se calar. Então, eu estou apresentando um requerimento ao plenário da Câmara dos Deputados, que pede que analisem a destituição do deputado Eduardo Bolsonaro da presidência da comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Casa”, comentou Perpétua Almeida.

“O deputado Eduardo Bolsonaro vive cometendo desatinos e envergonhando o Parlamento perante parceiros históricos do Brasil, como a China. Não tem cabimento uma postura desse tipo vinda de um parlamentar que se diz presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. Aliás, o caso joga luz a uma necessidade urgente de destituí-lo de forma clara da presidência, pois o Regimento Interno não pode dar margem para o exercício de mais um mandato de presidente de comissão em sua totalidade, ainda que diante da excepcionalidade criada pela pandemia”, complementou Rubens Bueno.

“O que sustenta a balança comercial do país é a relação com a China, que tem muito mais investimentos concretos, em todos os setores, do que qualquer outro país. Eu vejo uma ideologia insana. Nós vemos o Bolsonaro tão duro na defesa de alguns posicionamentos, mas, em termos de pai de família, ele deixa a desejar, ao não impor limites e não deixar com que os filhos e as posições ideológicas estejam acima do interesse do país. É uma irresponsabilidade total”, disparou o coordenador frente parlamentar Brasil-China.

Mais polêmica

Após a polêmica causada por Eduardo Bolsonaro, que só continua no comando da comissão, em virtude da pandemia ter suspendido os trabalhos das comissões da Casa e impedido uma nova eleição para designação dos novos dirigentes do colegiado, a esposa do parlamentar do PSL Paulista, Heloísa Bolsonaro, e nora do presidente da República, chamou nesta quarta-feira, 25, o coronavírus de “vírus chinês”, um dos primeiros motivos de insatisfação levantada pela embaixada da China com Eduardo.

Nesta terça-feira, 24, Heloísa Bolsonaro disparou que defendia o uso da vacina pela população e que o movimento anti-vacina era “coisa de retardado”. Em nova postagem nas redes sociais, ela diz que errou “ao emitir uma opinião sobre algo, que como disse” não conhece e que não saberia nada “sobre o movimento [e] seus argumentos”. Segundo ela, a sua opinião anterior era baseada “no que já ouviu” e que o movimento anti-vacina “não é coisa de retardado” e que é formado “apenas por pessoas que pensam diferente” e que “obviamente não estava falando do vírus chinês”.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)