Em discurso a empresários, Paulo Guedes garante que retomada do crescimento depende de aprovação de reformas estruturais: “se apertar o botão vai voar”, afirma
Guedes apontou, ainda, que governo trabalha para ampliar exportação a Índia e que isso resultaria “cinco reformas da Previdência” nos próximos dez anos; ele destacou também que desmontou “mecanismo de endividamento” para baixar os juros
( Publicada originalmente às 17h 31 do dia 25/11/2020)
(Brasília-DF, 26/11/2.020) Em discurso para empresários ligados ao “Grupo Vote” em São Paulo nesta quarta-feira,25, o ministro da economia, Paulo Guedes, garantiu que a retomada do crescimento depende apenas da aprovação das reformas estruturais em tramitação no Congresso Nacional. Segundo ele, em linguagem figurada, “se apertar o botão” o Brasil “vai voar” economicamente.
Guedes apontou, ainda, que o governo brasileiro trabalha para ampliar exportação para a Índia na mesma medida a qual o país exporta para a China e que se isso se concretizar, o resultado será equivalente a economia que os cofres públicos vão ter, segundo ele, até 2.030, como “cinco reformas da Previdência” nos próximos dez anos. O ministro destacou também que desmontou “mecanismo de endividamento de bola de neve” que permitiu ao governo baixar os juros do país.
“Para se ter uma ideia desmontamos esse mecanismo de endividamento em bola de neve. No primeiro ano, nós economizamos R$ 80 bilhões, no segundo ano que é 2.020, R$ 120 bilhões e nos próximos dois anos, R$ 100 bilhões. Então são R$ 400 bilhões. É mais potente do que a reforma da Previdência. Desmontar essa engrenagem perversa do endividamento em bola de neve significa R$ 10 bilhões a menos de despesas, que estariam indo como se dizia sempre para os rentistas. O paraíso dos rentistas e o inferno dos empreendedores. Quem ousasse ir para a produção, sofre, apanha, juros de dois dígitos, endividamento em bola de neve, baixo crescimento. Não é surpresa o que aconteceu com a economia brasileira”, iniciou.
“Como o [Paulo] Skaf dizia agora mesmo: todo mundo se preparou, foi para o distanciamento, ficou lá trancado, mas os sinais vitais da economia não foram perdidos. Derrubamos um pouco a capacidade produtiva, os estoques não foram repostos e, de repente, um empurrão de demanda forte falta estoque, falta papel, falta embalagem, falta isso, falta aquilo, mas é bom sinal. É falta que ali a demanda está puxando e o nosso desafio é justamente transformar essa recuperação cíclica numa retomada do crescimento. E quem tem a chave disso? A classe política. Se apertar o botão vai voar. Então o que estamos assistindo neste momento é o destravamento da pauta de investimentos que vai fazer o Brasil voar. Esperamos isso do Congresso e confiantes nesta dinâmica e seguros que a orientação do presidente que com esse novo eixo político está funcionando”, complementou.
Guerra, só no futebol
Na sequência, Paulo Guedes tentou explicar aos empresários que o Brasil que já foi no passado o país que mais atraía investimentos estrangeiros porque vive uma condição única no planeta, com guerra só acontecendo nas disputas futebolísticas, que o país está pronto para retomar esse histórico e décadas atrás.
“O Brasil já foi a economia mais dinâmica do mundo, tem a maior colônia de japoneses fora do japão, a segunda maior colônia de imigrantes italianos fora da Itália. O Bolsonaro deve ter vindo de lá. A terceira maior colônia de alemães fora da Alemanha. Quer dizer, é um país que inicia em 7,5%. Tem os árabes, a Síria, é um país onde alguém de Israel só briga com a colônia árabe por futebol. É a única briga que tem aqui, séria, é quando tem uma partida de futebol. Aí um é Flamengo, outro é Fluminense, outro Corinthians e outro é São Paulo. É um país que vive em paz do ponto de vista da miscigenação, de etnias, com uma altíssima taxa de crescimento e todo mundo vinha para o Brasil. E o que houve com o Brasil depois de quase 40 anos? Jovens brasileiros indo embora. Não só os que tem recursos para estudar lá fora. É um filho de um chofer de taxi que vai trabalhar em Barcelona a noite lavando prato, o outro que vai entregar pizza em Boston. Existem brasileiros em êxodo do Brasil, em êxodo das famílias mais simples. O que é uma tragédia. O Brasil precisa recuperar a dinâmica do crescimento e é transformando o Estado que vamos conseguir fazer isso”, argumentou.
“Atiramos então na terceira maior despesa pública. Não perdemos nenhum momento o norte e fomos atingidos pela doença, no meio da doença fazendo as transferência dos recursos para estados e municípios, tivemos o cuidado de dizer o seguinte: todos os recursos para a saúde e o presidente disse: nenhum brasileiro fica para trás. Vamos preservar as vidas e as nossas empresas. E gastamos, então, os recursos, 8,2% do PIB, realmente mais que o dobro dos países emergentes e mais do que a média dos países avançados, que gastaram em torno de 7%. Agora o resultado prático é que o Brasil é uma economia que voltou ao normal, mas até que a China, porque a China foi atingida em outubro e novembro do ano passado, e o Brasil atingido em março. Então nós caímos três meses e em três meses já estávamos subindo com os dados como esse de 100 mil empregos, 250 mil empregos no segundo mês e 350 mil no terceiro mês e amanhã tem mais dados do Caged [Cadastro Geral de Empregados e desempregados]”, completou.
Volta do pleno emprego
O ministro defendeu que o Brasil está caminhando para a volta do pleno emprego. Segundo ele, os números registrados durante a pandemia do novo coronavírus que retraiu a economia em todo mundo aponta para isso, no Brasil.
“É possível que a gente termine o ano e tenha perdido 200 mil empregos. Isso é um quarto do que perdemos na recessão de 2.015 e 2.016. No ano da maior tragédia da história mundial, o Brasil vai perder de empregos um quarto do que perdeu num recessão auto-infringida. Não é algo que caiu do céu sobre nós como foi o covid. [Foi] algo que nós mesmos fizemos errado. Esses são os dados e conhecimento empírico do nosso governo. Agora as narrativas são outras. É o primeiro governo possivelmente dos últimos 40 anos que não deixa que haja aumento do funcionalismo público durante três anos seguidos. Isso nunca aconteceu antes. Se lembrarem do governo anterior, o governo do Temer quando havia perspectiva, havia aumento de salário. A última foi tentar consertar a Previdência e nós fizemos o contrário: atacamos a Previdência primeiro, no meio, em meio a uma tragédia como essa”, ilustrou.
“Todos [indicadores] em todos os setores de todas as regiões do Brasil [apontam para essa tendência de crescimento] e os investimentos privados estão entrando. As secovis [associações e sindicatos da constução civil] com essa nova combinação de juros mais baixos, sequer atravessaram a crise do desemprego. Por exemplo, a construção civil, que criou empregos em toda a crise e é um início de um ciclo longo. Isso aí vai durar cinco, dez, quinze anos. O Brasil nunca viu juros tão baixos e estruturalmente contidos, porque nós vamos fazer a parte fiscal. Contra os fatos, não há argumentos. Contra as burras não há narrativa que se sustente. Nós trabalhamos e razoavelmente bem. Não vou dizer que a gente foi extraordinário, mas foi o seguinte: o Brasil mostrou resiliência, eu dizia que o Brasil ia surpreender o mundo, o presidente foi rápido nas exceções, nos deu apoio, teve a coragem de vetar algo que ninguém tinha coragem para vetar, que era exatamente e foi chave. Os juros só estão baixo porque nós dissemos ao mundo, sim, gastamos muito com a saúde, mas não somos irresponsáveis. Nós não vamos transformar esse dinheiro da saúde em aumento de salários”, observou.
“Agora já estamos em plena recuperação, sim. Esse crescimento entre 3% e 4% pode ser uma estimativa conservadora. [Vídeo editado] Nós já estamos chegando mais baratos que os americanos lá e nós vamos chegar, mais barato ainda, e vai cortar em um mês o prazo. Da mesma forma, a maior democracia do mundo, a Índia, nós estamos nos aproximando deles. Se conseguirmos exportar para eles o que exportamos para a China, em dez anos, o que exportamos para a China nos próximos dez anos é 5 bilhões de doláres. São cinco reformas da Previdência nos próximos dez anos. Se conseguir fazer a mesma coisa com a Índia, o Brasil vai ser a maior potência agrícola do planeta”, garantiu.
Servidores
Posterior, Paulo Guedes sustentou que os servidores públicos entendem que o atual momento exige mudanças e que não é hora de sejam garantidos reajustes salariais para as várias categorias do funcionalismo público e que o país está apenas aguardando a classe política decidir em prol das reformas encaminhadas pelo governo para garantir a retomada do crescimento.
“E o funcionalismo público brasileiro entende que precisa dar a sua contribuição. Não precisou haver luta, nada disso! O funcionalismo entende que o presidente teve coragem e energia de dizer: olha, não podemos distribuir as medalhas antes da guerra. Não é o melhor momento. Milhões de desempregados, empresas quebrando, caos, distanciamento social, não é hora de dar aumento ao funcionalismo. Então essa coragem de desidenxar, a indexação é um fóssil do passado distante de hiper-inflação. A classe política precisa assumir os orçamentos públicos. Está aí a PEC do Pacto Federativo desde fevereiro deste ano, as reformas estão lá. Vamos avançar. O grande desafio da classe política hoje é não permitir que se perca essa arrancada da economia. É uma recuperação ciclíca, forte. Os dados que eu tenho de consumo de energia elétrica, de dieesel, de combustível em geral, mas que faz parte e lá está uma indústria e outra, a aviação, por exemplo, ainda está com problemas de recuperação. Mas o consumo geral de energia elétrica, dieesel, todos os indicadores, a arrecadação, indicam que nós estamos gerando empregos”, emendou.
“Como diz a nossa ministra Tereza Cristina, que o presidente escolheu excepcionalmente bem para este lugar, a gente não precisa derrubar uma árvore. O Brasil tem uma história futura extraordinária, mas precisa de coragem política para fazer o que tem que ser feito. O presidente tem, o Congresso é reformista, então vai acontecer. eu venho com a certeza que nas próximas semanas vamos aprovar o Banco Central independente, são mudanças estruturais e aquela janela de oportunidade, que eu digo, nós temos que ter capacidade de reformulação, e estarmos preparados. Agora o timing quem dá é política e a mobilização da opinião pública como aconteceu, nós surpreendemos o mundo. Milhões de franceses foram às ruas para impedir a reforma da Previdência, milhões de brasileiros foram às ruas para exigir a reforma da Previdência. Então a demonstração de maturidade política do povo brasileiro é uma coisa fantástica. A centro-direita está ganhando as eleições. O presidente ganhou e inaugurou a puxada. Não tínhamos sustentação parlamentar. Agora chegamos a uma base de sustentação parlamentar, com o [ex] ministro [Ricardo] Barros, líder Barros, estou chamando de ministro porque trabalhamos juntos o tempo inteiro e fica parecendo que é um ministro lá. Mas é o nosso líder. Temos o Arthur Lira aí também que está nos ajudando com essas pautas de transformação e aceitamos ajuda de todos os brasileiros, como diz o presidente. Não vamos perseguir ninguém, nem ficar olhando para trás. Estamos olhando para o futuro”, apontou.
Ajuda de todos
Ao fim, Guedes elogiou o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que, segundo ele, vem contribuindo e muito neste momento em que a classe política precisa apertar o botão. Mas reforçou que quer a ajuda de todos, incluindo do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), com quem teve alguns estranhamentos.
“Queremos ajuda de todo mundo. Recebemos ajuda também do presidente da Câmara no ano passado, nos ajudou com a reforma da Previdência e se quiser continuar nos ajudando, é bem vindo. Então temos essa pauta de transformação e a oportunidade surge em determinados momentos. O Banco Central independente: não está todo mundo preocupado porque está tendo aumento de preços? O quê que é isso? É o auxílio emergencial. 64 milhões de brasileiros digitalizados receberam esses recursos, eles melhoraram suas casas durante este distanciamento social e compraram um pouco mais de alimentação. Quando eles gastam há um aumento setorial e transitório de preço. Qual sinal que você tem que dar para todo mundo que isso não vai virar uma alta generalizada de preços e uma alta permanente de preços, que vai desmontar todo esse mecanismo de juros baixos? Vai começar a inflação de volta, qual sinal você tem que mandar? Um Banco Central independente. Então na mesma hora que começou o fenômeno, você tem que chamar o presidente e o presidente disparou o gatilho de novo. Vamos aprovar o Banco Central independente. Para ter garantia que isso aí é um fenômeno transitório e daqui a pouco vem a safra e derruba o preço, de novo. O setor privado vai reagir”, finalizou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)