31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Bolsonaro faz desabafo e em citação indireta a Joe Biden afirma que Brasil tem que defender suas riquezas; “E quando acaba a saliva, tem que ter pólvora. Senão, não funciona!”, disse o Presidente

Presidente brasileiro que é um dos poucos, até o momento, que ainda não parabenizou o novo presidente norte-americano pela vitória naquele país, disse que “quando acaba a saliva, tem que ter pólvora”

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( Publicada originalmente às 21 h 03 do dia 10/11/2020) 

(Brasília-DF, 11/11/2.020) Em evento realizado nesta terça-feira, 10, no Palácio do Planalto, oportunidade em que o governo federal lançou medidas para tentar recuperar o turismo no país, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) fez um longo desabafo sobre entraves que, segundo ele, fazem emperrar a economia do país, e em citação indireta ao novo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Joe Biden, conforme aponta a apuração naquele país, que o Brasil tem que defender suas riquezas, nem que seja com o uso das Forças Armadas.

O presidente brasileiro que é um dos poucos, até o momento, que ainda não parabenizou o novo presidente norte-americano pela vitória eleitoral naquele país derrotando o atual presidente, Donald Trump, que também não reconheceu a derrota e luta na justiça para mudar o resultado das urnas, disse que “quando acaba a saliva” da diplomacia, os assuntos internacionais tem que ser resolvido na “pólvora”. A declaração de Bolsonaro ocorreu após ele comentar a declaração de Biden, durante a campanha eleitoral, de que caso o Brasil não controlar o desmatamento na região amazônica, os EUA anunciarão embargos comerciais ao país.

“E pessoal, e vocês sabem disso, todo mundo que tem riquezas não pode dizer que é feliz, não. Tem que tomar cuidado com as riquezas. Porque está cheio de malandro de olho nelas. O Brasil é um país riquíssimo. Assistimos a pouco um grande candidato a chefia de Estado dizer que se o Brasil não apagar o fogo da amazônia, ele levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como nós possamos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia, não dá! Né Ernesto [Araújo, ministro das Relações Exteriores]. E quando acaba a saliva, tem que ter pólvora. Senão, não funciona!”, exclamou o presidente.

“Não precisa nem usar a pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo. Ninguém tem o que nós temos. Não é só de riquezas minerais e de biodiversidade, campos agricultáveis. Temos regiões turísticas também. Isso é uma fortuna. Nós temos que nos fortalecer e como fortalecer? Liberando a economia, livre mercado, dando liberdade para quem quer trabalhar e não enchendo o saco de quem quer produzir. Bacana esse evento, bacana! Mas e daí? E daí imprensa? E daí, não é? Bateram tanto em mim no passado por conta do e daí, e daí? Quer que faço o quê?”, perguntou em tom provocativo aos profissionais de imprensa que cobriam a solenidade.

Uma visão dos muitos ministros no evento do Turismo 

Oportunidade liberal

Na sequência, Bolsonaro afirmou que a sua gestão é a última e única oportunidade para que o Brasil consiga implementar medidas liberais para destravar a economia e desburocratizar o Estado brasileiro.

“Nós temos que tentar mudar o Brasil. Não teremos outra oportunidade! Eu estou me expondo aqui. Poderia ficar quietinho e não sofrer uma saraivada de críticas da mídia pelo que estou falando aqui, que não estão acostumados a ouvir a verdade. É só fake news! Senhores, me desculpem algum exagero, é só um desabafo porque eu passei 28 anos dentro da Câmara e pedi a Deus a oportunidade de um dia mudar o Brasil. Eu posso até não mudar, mas eu vou tentar”, complementou.

“Eu quero rapidamente dizer do por quê que o turismo é travado no Brasil. Está aqui o Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, está aqui o Marcelo [Álvaro Antônio], ministro do Turismo. Por exemplo, Fernando de Noronha (PE). Se alguém quiser ir para lá tem uma taxa estadual de R$ 73,52 por dia e uma taxinha federal para quem quiser ir na praia de R$ 110,00. Se você for estrangeiro, passa para R$ 220,00. Quem vai numa pipoca dessa?”, completou.

“Eu não quero falar um palavrão aqui porque eu sou uma pessoa bastante educada. Não tem como ir para frente essa pipoca. Não tem! Agora, vamos tentar prezados Ricardo Salles e Marcelo Antônio, se o morador de Fernando de Noronha pode decidir sobre o seu futuro. Falam tanto em democracia e liberdade, estou aqui com a praia do sancho aqui nesse feriadão: não teve ninguém lá”, emendou.

Dificuldades

Discorrendo em seu pronunciamento, Bolsonaro lamentou ainda as grandes dificuldades e empecilhos que impedem, segundo ele, de implementar medidas mais liberais para destravar a economia e desburocratizar o Estado. Ele disse que muito é por culpa do Congresso Nacional.

“Aqui do continente, um ditador diz que enquanto tiver covid não tem turismo nesse negócio aí e fica por isso mesmo. De vez em quando eu fico preocupado com o pessoal do turismo, empreendedores, da forma como eles lutam para vencer obstáculos e barreiras no Brasil. Vamos buscar fazer a nossa parte, mas não depende muitas vezes de mim, apenas. Depende do parlamento, do governo estadual”, colocou.

“Agora criou-se dificuldades para vender facilidades, talvez, ou para emperrar o crescimento do Brasil. Um outra coisa simples. Eu tive um tempo atrás um jet ski, até já apanhei muito da imprensa, porque quem tem jet ski é marajá e lá atrás para tirar uma habilitação de jet ski era uma prova simples da capitania, uma prova teórica, e depois um maluco fez uma besteira na praia, atropelou um banhista e daí, simplesmente tornou-se quase impossível tirar uma habilitação de jet ski”, apontou.

“No corrente ano, entrei em contato com o comandante da Marinha e com o almirante responsável, desburocratizamos bastantes, mas está longe ainda do ideal. Vocês vão para a minha região, Vale do Ribeira, o Rio Grande nesta época é um rio limpo, caudaloso, praticamente inexiste nada naquela região, região mais pobre do estado de São Paulo, que só tem mata, e se você quiser, por exemplo, empreender e comprar dez, quinze jet ski para explorar àquilo, você não pode fazer”, contou.

Ernesto Araújo foi questionado por Bolsonaro durante seu discurso 

“Por quê? Porque se o cara chega lá, não tem habilitação, não pode andar de jet ski. E tem país do mundo, que o elemento assina um termo de responsabilidade. Aqui tudo é complicado. Parece que o Estado o tempo todo está tomando conta do cidadão. Cidadão é um inimputável, é um irresponsável, não pode termo de responsabilidade para nada. Tenho certeza que no ano que vem vamos resolver a questão da habilitação do jet ski e aí entram os óbices, porque vai lá no parlamento, eu já montei a minha auto-escola de jet ski e isso, aquilo e as dificuldades cada vez aumentam mais”, justificou.

Xiitas ambientais

Bolsonaro voltou a atacar os ambientalistas que, segundo ele, são verdadeiros “xiitas ambientais” que atrasam o país e são adorados pela imprensa. Segundo ele, a legislação ambiental impede o país de fomentar mais o seu turismo e citou o caso de Angra dos Reis, que segundo ele tem o mesmo potencial turístico da mexicana Cancum, um dos principais destinos do turismo mundial.

“E o último assunto que eu tive numa viagem fora do Brasil e um chefe de Estado falou que poderia gastar conosco por volta de R$ 1 bilhão para investir na baía de Angra, para fazer da baía de Angra algo para invejar Cancum, que com todo o respeito, eu estive em Cancum uma vez, é muito melhor que a baía de Angra. Eu tenho uma recordação da baía de Angra, uma multa de R$ 10 mil num dia que eu não estava lá. É a recordação que tenho da baía de Angra. Como o pessoal do Rio diz quando vai para Niterói: Vá para Niterói e ganhe uma multa. Lá no Rio, turista, vá para a baía de Angra e ganhe uma multa. se bem que melhorou bastante isso aí, depois da nossa chegada lá”, comentou.

“Não é isso mesmo Ricardo? Não melhorou? Até o homem do campo está dizendo que melhorou bastante a relação com Ibama e ICMBio, melhorou bastante e vai melhorar mais ainda. Agora profissionais do turismo, se eu fizer este investimento, é dinheiro de fora, para fazer uma maravilha na baía de Angra, eu tenho que revogar um decreto. Agora você pode perguntar: revoga presidente. Não! Quem revoga decreto ambiental não é o presidente, é o Congresso. Então essa turma xiita ambiental, xiita ambiental, os baluartes do atraso no Brasil, que a imprensa gosta muito de defender essa turma, né? Eu tenho que mandar um projeto para o Congresso, mas antes de mandar um projeto, eu converso com lideranças para ver se tem clima para colocar em votação. Ainda não tem! Em consequência, a baía de Angra que a gente podia estar faturando alguns bilhões com o turismo, tá lá abandonada”, vociferou

“E isso o que acontece com a baía de Angra, já conversei com outros governadores, e tenho informações que o governo da Bahia teria interesse, não sei se é verdade, como também de Goiás, revogar alguns decretos ambientais para favorecer o turismo. Então o país está travado. Um dinheiro fácil que entra para nós, é um dinheiro que, com todo o respeito, exige pouco investimento. Muitas vezes uma pousada lá em Fernando de Noronha tem em média R$ 2 mil. Para mim é dinheiro para caramba.

A imprensa que fala tanto do meu cartão corporativo, são três e dois não tem nada haver comigo. É para alimentar ema, energia elétrica, comida de 200 lá do Torto e do Alvorada, muitas vezes combustível de gasolina para fora do Brasil e tem um cartão corporativo meu, particular, de novo, R$ 26 mil que eu posso gastar onde quiser e seu quiser pegar o cartão, sacar e comprar cerveja, eu compro cerveja. Não gastei nada até hoje. Continue batendo em mim sobre cartão corporativo, não tem problema!”, desabafou.

Bolsonaro com autoridades do turismo  e ministro da Casa Civil no evento do Planalto 

“Mas para mim é caro demais. R$ 2 mil num bangalô, seja o que for, em Fernando de Noronha. Não pode uma coisa assim. E por que é caro também? Por que quase ninguém pode ir para lá. É restrição de todas as maneiras. Tinha até um gerador de energia elólico, em que um passarinho amanheceu morto lá embaixo, acabou. Não tem mais energia eólica em Fernando de Noronha e, agora, tem uma pequena termoelétrica lá, um gerador a oléo diesel, que os caras vão lá com carro elétrico e recarrega o carrinho lá na geradora movida a diesel. É uma enganação! Não sei se em Cancum, me corrigem, fatura U$ 11 bilhões por ano, não tenho certeza. É por aí. A gente poderia tranquilamente faturar U$ 1 bilhão por ano na baía de Angra e o Rio de Janeiro precisa disso. Precisa de emprego, impostos, mas o que está virando a baía de Angra? Território de milícias, bandidagem. O marginal de fuzil já foi para a região de Angra. Um tempo atrás tinha uns piratas de jet ski, estes não precisam de habilitação, esses não tem problema”, continuou.

Futuro indefinido

Na sequência, Bolsonaro falou que o país tem um futuro indefinido e não sabe como o governo vai atender os mais de 40 milhões brasileiros em 2.021 que foram atendidos pelo auxílio emergencial como forma de ajudar os trabalhadores autônomos e informais a se manterem durante a pandemia neste 2.020, quando as atividades econômicas apresentaram retração e paralisia para evitar a propagação do novo coronavírus, que já matou mais de 162 mil brasileiros.

Entretanto, Bolsonaro destacou que é preciso o país retomar a economia, independente se a doença faça mais vítimas. Segundo ele, essa é a única forma do país conseguir retomar a economia. Ele aproveitou para desancar a campanha da Organização Mundial de Saúde (OMS), que orientou campanhas fique em casa para quem puder como forma de evitar a propagação da doença que já matou, no mundo, mais de 1,2 milhão de pessoas.

“Então nós atrapalhamos a nossa própria vida. Discurso bonito do Gilson [presidente da Embratur] aqui, meu irmão cabra da peste lá de Pernambuco, também do Marcelo Antônio, indicação do Onyx para ser ministro, não é Onyx? Parabéns o trabalho de vocês. É isenção de visto, no passado, ideia de vocês com o pessoal do turismo. Muita coisa foi feita e vocês foram na lona nesta pandemia, que foi superdimensionada. A manchete amanhã! Não tem carinho, não tem sentimento. Tenho sentimento com todos que morreram, mas super dimensionado. Tudo o que eu falei do vírus lá atrás e eu apanhava como um cão sarnento em porta de igreja, se comprova que é verdade agora. Até isenção de impostos para vitamina ‘d’, tudo. Até o isolamento vertical que não poderia ser daquela forma. Fique em casa e a economia vem depois. Afundaram vocês. A política fácil, demagógica, vendo prefeito soldar a porta de lojas em São Paulo. Algemar mulher na praia, de biquini, uma covardia, uma patifaria. Só se vê isso em ditadura, pô! E me chamam de ditador, ainda”, frisou.

“Mas a economia é vital, obviamente, pleonasmo abusivo, para a vida. E quando se destrói setores, todos sofrem. E a morte por fome, como disse lá atrás, e agora essa imprensa aí de papel que nós temos aí no Brasil começa a falar que as mortes estão chegando e que vão ser maiores que a própria covid, bem como novas pesquisas ainda não comprovadas oficialmente, mas estudos avançados, tem mostrado que não chega a 20% o número de óbitos da covid. O resto foi [sic] outras causas. E nós aqui numa onda mundial fechamos tudo e agora começa amendrotar o povo com uma segunda onda. Tem que enfrentar, pô! É a vida!”, reforçou o seu discurso.

“E mais, como chefe de Estado tenho que tomar decisões que não me deixaram tomar, não sei por que cargas dágua. E nós temos que decidir e decidindo, nós podemos acertar. Não decidindo, já erramos. Então o que faltou para nós não foi um líder, faltou deixar um líder trabalhar. Que eu fui eleito para isso. Imaginem se tivesse o Haddad no meu lugar? Ou tivesse o governador de São Paulo no meu lugar? Como estaria o Brasil? Que desgraça estaria esse país? Semelhante ao sul aqui a Argentina que fecharam tudo. O pessoal está fugindo para o Uruguai, já. Alguns já começam ir para o Rio Grande do Sul. Será que o Rio Grande do Sul vai se transformar numa Roraima? Nós não queremos isso! Rivalidade com a Argentina, apenas no futebol. Nada mais além disso. Então falta para todos nós coragem, digo a vocês empreendedores. Eu sou empregado de vocês. Não tem que ter muita cerimonia para conversar comigo, ou conversar com um ministro meu. Temos que buscar soluções e coragem para decidir. O parlamento tem a sua culpa também nessas questões. Eu sei como funciona o parlamento. Ali tem uma corrente forte de esquerda, corrente do atraso, corrente para dividir o que é dos outros. Não o deles. E parece que o Brasil não corre o risco de ir para a esquerda em definitivo”, comparou.

Eleições fraudulentas

Temendo um resultado que apresente uma derrota sua em 2.022, Bolsonaro já antecipa que isso se dará em virtude do cenário fraudulento em que as eleições no Brasil é realizado. Na oportunidade, aproveitou para atacar uma possível volta da esquerda ao comando do país.

“Não temos um sistema sólido de votação no Brasil, que é passível de fraudes, sim. Que tudo pode mudar no futuro com fraudes. eu entendo que só me elegi presidente do Brasil porque tive muito voto e não gastei nada, não! Foram R$ 2 milhões arrecadados por vaquinha. Não terão vocês, com todo respeito, não vou tecer elogios para mim jamais, a minha vida aqui é uma desgraça, é problema o tempo todo. Não tenho paz para absolutamente nada!”, reclamou.

“Nós temos como mudar o destino do Brasil. Não terão outra oportunidade. O Macri, na Argentina, é história, não conseguiu implementar suas políticas. Começou a levar pancada dos seus seguidores, como lego agora também. Voltou a turma da Kitchner, Dilma, Maduro, Evo, que já está na Bolívia de volta e olha, agora, como é que fica a situação? Os empresários tendo os seus bens desapropriados, aumentando aí sim absurdamente taxas e impostos e o Brasil não pode ir para esse lado, meu Deus do céu! A minha cadeira está a disposição. Não sou super homem, mas aquela pipoca lá tem criptonita, ou um formigueiro”, denunciou.

“Preciso de ajudar para arrumar esse Brasil. Acaba o auxílio emergencial em dezembro, como ficam esses quase 40 milhões de invisíveis, Onyx? Que perderam tudo! O catador de latinha não tinha mais latinha para catar na rua, não tinha como vender um biscoito na praia, não tinha como vender um mate na arquibancada de um jogo nos estádios de futebol. Tudo, agora, é pandemia. Tem que acabar com esse negócio”, finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)