31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Ao lançar a "retomada do turismo", Bolsonaro diz que "não adianta fugir da realidade" e que o Brasil "tem que deixar de ser um país de maricas"

Presidente brasileiro criticou ainda os brasileiros mais novos, a quem chamou de geração "toddynho", "nutela" e "zap" que transformam a vida dele numa "desgraça", com problemas o "tempo todo"

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( Publicada originalmente às 18h 37 do dia 10/11/2020) 

(Brasília-DF, 11/11/2.020) Ao lançar a "retomada do turismo" nesta terça-feira, 10, em solenidade realizada no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) disse que "não adianta" o país "fugir da realidade" do novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 163 mil brasileiros, e que o Brasil "tem que deixar de ser um país de maricas".

A retomada do turismo pelo governo federal reúne um conjunto de programas, projetos e ações que buscam alcançar resultados efetivos até 31 de julho do próximo ano. As iniciativas são organizadas em quatro eixos: preservação de empresas e empregos no setor de turismo; melhoria da estrutura e da qualificação de destinos; implantação dos protocolos de biossegurança; e promoção e incentivo às viagens.

O programa federal já conta com a adesão de 32 entidades nacionais ligadas à cadeia produtiva do turismo. Dentro deste planejamento, cada instituição possui uma atribuição voltada para o retorno das atividades turísticas no país, apoiando, por exemplo, a promoção das campanhas lançadas pelo governo federal.

"Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio, pô! Lamento os mortos, lamento! Todos nós vamos morrer um dia, todo mundo vai morrer. O Sérgio [Camargo, presidente da Fundação Palmares] vai morrer um dia, né Serjão? Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas, ó que prato cheio para a imprensa. Prato cheio para a urubuzada que está atrás ali! Temos que enfrentar de peito aberto, temos que enfrentar. Que geração essa a nossa? Que geração a minha, a do Milton, é diferente! De 60 anos de idade. A geração hoje em dia é 'toddynho', 'nutela', 'zap'", falou Bolsonaro durante o evento.

Linhas de crédito

Entre as atividades desenvolvidas pelos órgãos públicos, entidades do terceiro setor e "Sistema S" estão o incentivo a adoção do "selo de turismo responsável" e demais protocolos de biossegurança contra a covid-19 pelos prestadores de serviços turísticos, turistas e comunidades receptoras, bem como a difunsão de informações sobre linhas de crédito disponíveis, por meio do Fundo Geral do Turismo (Fungetur). O plano foi explicado pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

As ações vão desde o reforço na concessão de linhas de crédito para capitalizar empresas do setor e preservar empregos, até realização de obras de melhoria da infraestrutura dos destinos turísticos. Também estão previstas ações de qualificação dos trabalhadores e prestadores de serviços tanto na oferta de cursos para a adoção aos protocolos sanitários que garantam segurança para turistas e trabalhadores do segmento, quanto para melhoria de atendimento, considerando as tendências do mercado.

O setor de turismo responde por cerca de 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega cerca de sete milhões de pessoas direta e indiretamente no Brasil. As restrições impostas pela pandemia de covid-19 fizeram com que milhares de brasileiros cancelassem suas viagens, colocando em risco a sobrevivência do setor e o emprego de quem tira da atividade o seu sustento.

"Esta aliança mostra como todo o setor de turismo e viagens está unido para garantir que a atividade turística volte a registrar os níveis de crescimento alcançados em 2019 e tenha um papel de destaque na recuperação econômica do país, por meio da geração de emprego e renda para a nossa população", destacou o ministro Marcelo Álvaro, deputado licenciado pelo PSL mineiro.

Críticas as novas gerações

O presidente brasileiro criticou ainda os brasileiros mais novos, a quem chamou de geração "toddynho", "nutela" e "zap" que vem transformando a vida dele numa "desgraça", com problemas o "tempo todo". As declarações aconteceram em meio as medidas que o governo pretende instituir como forma de recuperar o setor turístico brasileiro.

"A minha vida aqui é uma desgraça, é problema o tempo todo. Não tenho paz para absolutamente nada. Não posso mais tomar um caldo de cana na rua, comer um pastel. Assim quando saio, vem essa imprensa perturbar. Pegar uma piada que faço com o 'guaraná Jesus' para tentar me esculhambar. Então, pessoal, nós temos que buscar mudanças. Não teremos outra oportunidade. Aí vem uma turminha aí dizer que queremos um centro, nem ódio para cá, nem ódio para lá. Ódio é coisa de marica, pô! No meu tempo de bulliyng na escola era porrada. Agora chamar um cara de gordo é bullying", disparou.

Eleições 2.022

Na oportunidade, o presidente também criticou os setores conservadores como o governador de São Paulo, João Dória Jr. (PSDB), o apresentador televisivo Luciano Hulck e o ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça do seu governo, Sérgio Moro, quem vem se reunindo em busca de uma aliança de centro-direita que possa concorrer nas eleições gerais de 2.022. Segundo ele, isso não dará certo "a não ser" que consigam "na base" do dinheiro forjar um novo líder.

"Não teremos um líder feito num prazo de dois anos. Não vai aparecer! A não ser se na base da grana. Aí aparece! Comprando um montão de coisas por aí e, em especial, os marqueteiros. Fora isso não terão novos líderes num tão curto espaço de tempo. Não estou preocupado com a minha biografia, se é que eu tenho biografia", emendou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)