31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

VACINA: Líder do PSB na Câmara, Molon quer convocar Pazuello e Antônio Torres para dar explicações sobre suspensão da coronaVac; Alessandro Vieira quer convidar dirigentes da Anvisa e Butantan para explicar imbróglio

Líder do Cidadania na Câmara, Arnaldo Jardim classificou a comemoração de Bolsonaro com a suspensão das pesquisas da vacina chinesa no país de “inconsequente”

Publicado em
5f3e9ca8d592429dad869021a13ce57b.jpg

( Publicada originalmente às 18h 05 do dia 10/11/2020) 

(Brasília-DF, 11/11/2.020) O líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ), disse nesta terça-feira, 10, que vai tentar convocar o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, e o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Torres, para cobrar explicações de ambos sobre a suspensão das pesquisas da coronavac, anunciada pelo órgão federal nesta segunda-feira, 9. Já o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) informou que convidará os dirigentes da Anvisa e do Instituto Butantan para ambos expliquem o imbróglio em torno da vacina.

A Anvisa suspendeu as pesquisas da vacina produzida pela empresa chinesa Sinovac, em parceria com o Butantan, após receber informações de que um voluntário ter ido a óbito por “efeito adverso, grave, não esperado”. O Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, afirma que enviou todas as informações sobre o caso para a Anvisa na última sexta-feira, 06, negando que o óbito tenha tido qualquer relação com as pesquisas. De acordo com a TV Cultura, emissora pública vinculada ao governo paulista, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) da prefeitura paulistana aponta que a morte foi causada por um ato de suicídio. Os dirigentes da Anvisa afirmam que não receberam o detalhamento sobre o caso e mantiveram a suspensão das pesquisas por prazo indeterminado.

Em meio ao disse-me-disse entre os dirigentes da Anvisa e do Butantan, o presidente Jair Bolsonaro em postagem nas suas redes sociais no início da manhã desta terça-feira, 10, comemorou a decisão da Anvisa suspendendo as pesquisas e afirmando que estara certo desde o início em vetar a “vacina da China do [governador paulista, João] Dória” (PSDB). Segundo o presidente, o caso mostraria que “mais uma vez” ele estaria certo. Por conta desta declaração, o ldo Cidadania na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (SP), classificou o gesto de Bolsonaro em comemorar a a suspensão das pesquisas da vacina chinesa no país de “inconsequente”. O deputado Carlos Vera (PT-PE) condenou a politização em torno das vacinas contra o novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 163 mil brasileiros. No mesmo sentido voltou a se manifestar a líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (AC).

“Nos últimos dias, temos acompanhado com preocupação os desdobramentos das pesquisas que têm por objetivo o desenvolvimento de vacinas que, caso aprovadas após estudos clínicos e trâmites de validação por parte do poder público, deverão ser disponibilizadas para a população brasileira, como forma de conter a disseminação do covid-19. O vírus, até o momento, tirou a vida de mais de 160 mil brasileiros. Por essa razão, acreditamos que seria importante, para os parlamentares e para a população em geral, ouvir do presidente da Anvisa, Antônio Torres, e do presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, maiores esclarecimentos sobre o andamento atual das pesquisas e possíveis entraves que possam dificultar seu avanço”, comentou o senador eleito por Sergipe.

“É estarrecedor que o presidente da República venha a público nas redes sociais comemorar a morte de um voluntário e um suposto fracasso de uma vacina destinada a enfrentar uma pandemia tão terrível. É também inaceitável que a Anvisa se preste ao papel de fazer parte deste jogo político baixo. Para prestar esclarecimentos ao Poder Legislativo sobre este absurdo, estou apresentando um requerimento de convocação do ministro da saúde e do presidente da Anvisa”, complementou o líder dos deputados socialistas.

“Inconsequente! É assim que classificamos a declaração do presidente da República, ao comemorar a suspensão pela Anvisa dos testes com a vacina que pode salvar a vida de milhões de pessoas. Além de desprezar a ciência, Bolsonaro se comporta de maneira antiética e desprezível. Longe da estatura exigida para um chefe de Governo de um país gigante como o Brasil”, completou o líder do Cidadania na Câmara.

“Politizar a vacina e usar as instituições para ampliar uma disputa política atenta contra a humanidade, que sofre com o coronavírus e seus efeitos. A vida das pessoas devem estar acima dos interesses eleitoreiros do presidente em 2022”, pontuou o petista pernambucano Veras.

“Não é mais possível esconder: Bolsonaro comemorou o suicídio de um brasileiro, culminando com a suspensão, pela Anvisa, da vacina coronavac, tudo que o presidente mais desejava. Insisto na gravidade da situação. O presidente coloca as disputas políticas acima da vida das pessoas”, emendou a deputada Perpétua Almeida.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)