31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

VACINA: Anvisa desmente Butantan e afirma que não houve comunicação sobre óbito não relacionado a vacina

Dirigentes da agência garantem que instituto ligado ao governo paulista, responsável pela coronavac no Brasil, encaminhou informação apenas de ocorrência sobre “efeito adverso grave, não esperado”; órgão não deu prazo para reestabelecer pesquisas

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( Publicada originalmente às 16h 15 do dia 10/11/2020) 

(Brasília-DF, 11/11/2.020) Os diretores da Anvisa(Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Torres e Alessandra Bastos, desmentiram nesta terça-feira, 10, o diretor-geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, de que o órgão de fabricação de imunizantes, ligado ao governo de São Paulo, encaminhou ao órgão do governo federal as informações de que o óbito de um voluntário nas pesquisas da coronavac não aconteceu relacionado a vacina contra o coronavírus (covid-19).

Na segunda-feira, 9, a Anvisa suspendeu as pesquisas da coronaVac, produzida em conjunto com o laboratório chinês Sinovac, após receber informações de que a vacina teria gerado um “efeito adverso grave, não esperado”. O Butantan afirma que enviou essas informações junto com o esclarecimento de que o óbito não teria nenhuma relação com as pesquisas da vacina em si. De acordo com informações apuradas pela TV Cultura, emissora pública ligada ao governo paulista, laudo do Instituto Médico Legal da prefeitura paulistana aponta que a causa mortis do voluntário teria sido suicídio. Durante a entrevista coletiva convocada pela Anvisa, os dirigintes anunciaram ainda que não tem prazo para o reestabelecimento das pesquisas da coronaVac.

“Ainda mantemos a suspensão porque não temos evidências e dados que tragam confiança que o estudo pode continuar. A decisão tomada ontem era a única a ser tomada em sede de dúvidas. As informações veiculadas ontem foram consideradas insuficientes e incompletas para que ontem fosse impossível continuar permitindo o desenvolvimenvo vacinal. Não é brincadeira o que estamos tratando aqui. Não é brincadeira atestar que uma vacina pode ser dada a uma pessoa. Isso não pode ocorrer em sede de dúvidas. E documentos claros, precisos e completos têm que ser enviados a nós, o que não aconteceu. Informações para a gente não são informação se não vêm pelo canal correto. Não é brincadeira de criança. Se não vem de um comitê independente, essa informação não tem valor. No momento da suspensão, a única informação que tínhamos era evento adverso grave, não esperado”, falou o diretor-presidente da Anvisa.

A diretora da Anvisa, Alessandra Bastos, disse que não houve juízo de valor

“Não há juízo de valor aqui. Então outras questões que tratam dos aspectos técnicos dos produtos e serviços que nós avaliamos, elas ficam do portão para fora. Acho que esse é o pensamento da Casa. Com relação ao comunicado, diz que no dia 06 houve o ‘imput’ no sistema. É um sistema e em função desta régua elevada para resguardar a segurança da internet da agência, esse imput foi feito, mas a comunicação deste evento não chegou no dia 06. No dia 09, segunda-feira em uma reunião com o Ministério da Saúde, nos foi informado que havia um efeito adverso grave. Sabendo disso, solicitamos ao Instituto Butantan esclarecer o que houve. Foi só isso. E aí eles esclareceram: houve um efeito adverso grave. Ponto! Não esperado. Além disso e eu reitero essa informação e nego qualquer coisa ao contrário sobre isso: não houve envio para essa Anvisa de e-mail, sistema, nada. Nenhum relatório com detalhamento foi encaminhado para esta agência. Isto não aconteceu”, complementou a diretora.

A diretora Alessandra Bastos lamentou que o Butantan tenha afirmado que só foi comunicado sobre a suspensão dos estudos clínicos pela Imprensa.

“Nós de forma informal, soubemos que houve um evento adverso, grave, e não esperado. Solicitamos que eles nos encaminhassem informação. Feito, efeito adverso grave, ponto. A decisão do comitê oficiamos ao Butantan. E, veja, gente, o nosso compromisso, há coisas que esta agência se utiliza obviamente da mídia para veiculação desta agência. Neste caso, a nossa obrigação é de comunicar o Instituto Butantan. Isso foi feito. Se essa informação, por alguma outra via, não oficial aconteceu, lamentável! Mas a nossa obrigação foi cumprida”, completou a diretora.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)