31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

VACINA: Responsável pela coronaVac no Brasil, Butantan se diz surpreso e que suspensão dos testes clínicos não se justifica

Laboratório chinês responsável mundial pela vacina diz que cronograma do imunizante não foi afetado em nenhum outro lugar; na China, inclusive, coronavac já é utilizada em larga escala desde junho e na Indonésia, parceira mantém cronograma

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( Publicada originalmente às 13h 33 do dia 10/11/2020) 

( reeditado) 

(Brasília-DF, 11/11/2.020) Após o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) ter comemorado na madrugada desta terça-feira, 10, ao responder um internauta nas suas redes sociais que a decisão da Anvisa(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que suspendeu as pesquisas da coronavac no país é mais uma vitória sua, o orgão responsável pela fabricação da vacina no Brasil, o Instituto Butantan se disse surpreso com a decisão e que a suspensão não se justifica.

De acordo com a Anvisa, a interrupção foi determinada nesta segunda-feira, 9, por conta de um “evento adverso grave”, mas sem detalhes sobre a causa específica da suspensão. O órgão federal disse apenas que foi notificado de um “evento” no último dia 29 e, que por conta disso, resolveu suspender as pesquisas relacionadas a coronavac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac.

Após a decisão da agência, Bolsonaro escreveu em sua conta pessoal no facebook: “morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o [governador de São Paulo, João] Dória [Jr. (PSDB)] queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”. O texto escrito em terceira pessoa respoderia um usuário da rede social que o questionava sobre quando o país terá uma vacina para imunizar a população brasileira contra o novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 162 mil pessoas no país.

“Em primeiro, a Anvisa foi notificada de um óbito, não de um efeito adverso. Isso é diferente. Nós até estranhamos um pouco essa decisão da Anvisa, porque é um óbito não relacionado à vacina”, comentou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, na noite desta última segunda ao ser entrevistado pela TV Cultura, ligada ao governo paulista. Em entrevista coletiva nesta terça, Covas manteve sua fala e disse esperar que a decisão da Anvisa não seja política.

Anterior a essa decisão da Anvisa, Bolsonaro já tinha afirmado e desmentido o seu ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que teria dado aval e autorização para a aquisição pelo governo brasileiro da coronavac. Na época, o presidente afirmou que quem mandava no governo federal era ele e que a sua gestão não compraria a “vacina da China do Dória”.

Já o laboratório chinês responsável mundial pela coronavac diz que mesmo com anúncio da Anvisa, o cronograma para entrega do imunizante não será afetado em nenhum outro lugar. Na China, inclusive, essa vacina já é utilizada em larga escala desde o mês de junho e na Indonésia, a parceira Biofarma da empresa farmacêutica chinesa, Sinovac, também informou que manterá o cronograma para iniciar a fase, em breve, de imunização daquela população.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)