BRASIL X ESTADOS UNIDOS: Bolsonaro, aos apoiadores, nega interferir nas eleições dos EUA, mas não a torcida por Trump; ao agradecer o agronegócio, disse que seu governo recuperou meio milhão de empregos
Ao comentar nova viagem que fará a Foz do Iguaçu, o presidente brasileiro disse que investimentos da Itaipu na região demonstram que dá para fazer mais com menos recursos, “sem corrução”
( Publicada originalmente às 12h 55 do dia 04/11/2020)
(Brasília-DF, 05/11/2.020) Em encontro com apoiadores no final da manhã desta quarta-feira, 4, em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) negou qualquer tentativa de interferir nas eleições dos Estados Unidos da América (EUA), que aconteceram nesta última terça-feira,3, mas não escondeu sua torcida pela reeleição do atual presidente daquele país, Donald Trump, que disputa o cargo contra o candidato do partido Democratas, Joe Biden. Ele agradeceu, ainda, o agronegócio pelos resultados alcançados na economia e disse que o seu governo já recuperou meio milhão de empregos.
Mas a sua primeira declaração aos apoiadores não envolveu nem as eleições norte-americanas e tampouco as questões econômicas. Questionado por um dos seus apoiadores sobre como o governo resolveria o problema de que nas próximas semanas, cerca de 25 mil pessoas podem perder o acolhimento em comunidades terapêuticas, Bolsonaro disse não saber “o que está acontecendo”. “O [ministro da Cidadania] Onyx [Lorenzoni] tem que se informar sobre isso, se é que não está sabendo. Deve estar sabendo”, resumiu a se pronunciar sobre o assunto. Na sequência, voltou a carga sobre sua suposta interferência que estaria se envolvendo nas eleições norte-americanas.
“Você deve estar lendo Veja, Folha, Globo, não é isso? A minha interferência você quer como? Economica, bélica, militar, ou cibernética. Quem fala isso, ou escreve isso, tem que deixar os banquinhos escolares e ver como é a realidade. Preferência, acho que todo mundo tem e não vou discutir com ninguém. Quem é democrata, ou torce para os republicanos. Isso vocês sabem a minha posição. É clara, isso não é interferência, tenho uma boa política com o Trump, espero que ele seja reeleito, espero né? E o Brasil vai continuar sendo o Brasil. Sem interferir em nada, até porque, quem somos nós para interferir”, falou.
“E esse bom relacionamento, coisa que não havia nos governos anteriores, tirando o Temer, os governos anteriores não tinha esse bom relacionamento e tem gente incomodada com isso. Acho que eu devia ser inimigo dos Estados Unidos, ou criticar o governo americano e elogiar a Venezuela, Cuba e outros países aí que não tem nada de exemplo para nós aqui da América do Sul. Só complementar aqui, o candidato dos Democratas em duas oportunidades falou sobre a Amazônia e é isso que você está querendo para o Brasil? Aí sim uma interferência de fora para dentro”, complementou.
Sem Lava Jato
Ao responder aos seus apoiadores que faria uma nova viagem a Foz do Iguaçu (PR), já na próxima sexta-feira, 6, o presidente brasileiro destacou que os investimentos da empresa Itaipu hidroelétrica na região demonstram que dá para fazer mais com menos recursos, “sem corrução” e “sem desvios”. E que o seu governo não terá problemas com a operação Lava Jato, se esquecendo que o processo de investigação realizado pelo Ministério Público Federal (MPF) se encerrará em janeiro de 2.021, por decisão do procurador-geral da República, Augusto Aras.
“Vou estar de novo na sexta-feira (06) agora. A segunda ponte está bem avançada, acho que está chegando a 50%. Vamos elogiar, olha matéria para a imprensa. É uma boa pergunta, né? O que está acontecendo com Foz do Iguaçu? Por que o progresso está ali? Alguém sabe a resposta aí? 99% ações da Itaipu binacional, que enquanto no passado não se investia nada, o lucro era mínimo, né? Ou às vezes nem existia. Agora a previsão para esse ano era de investirmos R$ 1,3 bilhão na região. Temos uma parceria com o governador Ratinho [Júnior (PSC)] também, nosso aliado nesta questão. Mas os recursos ali são fantásticos”, complementou.
“Não é apenas uma ponte, em Porto Murtinho, se não me engano, vai ter outra ponte. A transoceânica ainda está no papel e é um sonho nosso. Queremos a saída para o [oceano] pacífico e pode ser lá pelo Acre como o senador [Márcio] Bittar está trabalhando muito nesta questão, ele é o relator do orçamento e estamos fazendo o que pode e com menos recursos, sem desvios. Sem corrupção, sem Lava Jato. O nosso governo não tem Lava Jato. O meu governo não tem Lava Jato. Se tiver, a gente vai encarar e ver o que está errado e tomar as providências. Mas até o momento não demos trabalho para a Lava Jato, não”, completou.
Agronegócio
Indagado pelos apoiadores como ele avaliava os feitos do setor rural, que mesmo com a pandemia do novo coronavírus continuou apresentando resultados e aumentando a exportação de commodities, Bolsonaro afirmou que o setor é um “orgulho” para os brasileiros.
“O agronegócio é o nosso orgulho. Alguns reclamam que estamos exportando muito e sobe o preço de algumas coisas aqui dentro. Mas tem setor do agronegócio, como o do arroz, que era deficitário. Agora, a gente espera que se normalize porque cada vez mais estão investindo, a gente agradece vocês e quem critica não quer ir para o campo plantar, não sabem dos riscos e se vocês tivessem ficado em casa por causa da pandemia, o arroz não estaria mais de R$ 30,00 o saco de 5 quilos, não teria arroz. A gente espera em janeiro aí regularizar essa questão”, frisou.
Retomada do crescimento
Na sequência, Bolsonaro afirmou que o setor industrial estava no mesmo caminho e se não fosse a pandemia, o país estaria com os índices de crescimento lá no alto. Na oportunidade, ele voltou a criticar a campanha da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que as pessoas fiquem em casa e evitem a propagação do novo coronavírus, que já matou mais de 160 mil brasileiros e 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo.
“Não é só o campo que está indo bem, a indústria também está indo bem. Se não fosse a pandemia, a gente estava lá em cima. Alguns me criticam que tem o desemprego, ainda está alto, eu sei, mas nós recuperamos 500 mil empregos. Agora aquela política de alguns, fique em casa e a economia vem depois, chegou o boleto para chegar aí. O pessoal não leva em conta isso. Eu não vou avante porque dependo do parlamento para muita coisa. No campo tem que ter fuzil. Por que eu já morei em fazenda lá em Eldorado Paulista e cultivei 30 hectares de arroz no Mato Grosso do Sul, uma vez, e tem que ter o fuzil”, emendou.
“O que acha de um cara que entra na sua fazenda, sem estar autorizado, para dar uma foiçada no pé do boi no cupim e depois ele vai embora e deixa o boi lá, esse cara merece o quê? Isso acontece e deixou de acontecer bastante. Propriedade privada é sagrada, é a base da democracia. Se alguém acha que um cara pode invadir o campo e fazer o que bem entender, então pode invadir a sua casa também. Agora no Brasil tudo é politicamente correto. Ah! Não sei o quê? Não sei o quê? Não sei o quê? Não sei o quê? Não tem isso, pô. E a segurança jurídica vem daí. Esse ano quantas invasões tiveram?”, finalizou questionando os seus apoiadores sobre as invasões de terra promovidas por movimentos sociais
Questão indígena
Por fim, Bolsonaro comentou as mudanças que o seu governo promoveu junto as políticas públicas voltadas para os indígenas, população nativa do país e que a intenção é fazer com que os povos originais possam autorizar explorações econômicas nas suas reservas, ou áreas, já demarcadas.
“Mas diminuiu bastante. Era uma política que não era racional. O índio é um ser humano. Não é um ser que deve ser tratado de forma isolada, ele está cada vez mais se integrando a sociedade. Olha os índios de Parintins, no Mato Grosso. Nós temos um bom projeto do almirante Bento das Minas e Energia, dando o poder ao índio, se ele quiser, de explorar a sua terra, arrendar para você, para garimpar, se quiser fazer uma hidrelétrica, é ele que vai autorizar”, finalizou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.).