Paulo Guedes diz que Brasil não terá segunda onda de covid mas se isso ocorrer, terá que encontrar “fontes” para manter ajuda emergencial; só com vacina “estaremos livres desse pesadelo”
Guedes falou também que “jamais” pensou em privatizar o SUS e que logo, logo, cédula de R$ 200,00 será aposentada
( Publicada originalmente às 15 h 00 do dia 29/10/2020)
(Brasília-DF, 30/10/2.020) O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira, 29, que o Brasil não sofrerá com uma segunda onda do novo coronavírus (covid-19), que até o momento desde março já matou mais de 158 mil brasileiros, e que se isso ocorrer, o país terá que “encontrar fontes” de recursos para manter a ajuda emergencial como o auxílio pago aos mais vulneráveis e as iniciativas de empréstimos com juros reduzidos, ou pagar uma parte da folha salarial das empresas. Ele acredita que com o advento de uma vacina “estaremos livres desse pesadelo”.
No entanto, na oportunidade enquanto saía do Ministério e conversava com alguns jornalistas, Guedes afirmou que está confiante de que o país vem assistindo a “doença descendo e economia voltando”. O que faz, segundo ele refutar os apelos daqueles que queiram prorrogar o auxílio emergencial, atualmente em R$ 300,00, pago aos brasileiros autonômos e informais como forma de ajudá-los a superar as consequências danosas na economia causada pela covid. Ele até frisou: “não contem comigo” para isso.
“A dívida bruta já caminha para 100% do PIB [Produto Interno Bruto], mas se houver uma segunda onda daremos resposta e encontraremos os recursos necessários. É como uma guerra, e se a guerra durar três anos vamos enfrentar, mas esse não é o plano A. O que vemos no momento é doença descendo e economia voltando. [...] Só com a vacina estaremos livres desse pesadelo, antes disso continuamos vulneráveis. Mas se houver segunda onda, com certeza a democracia brasileira dará resposta novamente”, falou
“O que controla o alcance do auxílio é o fôlego fiscal. Temos fôlego até o fim de 2020, a partir daí é um ponto de interrogação. Não podemos estender medidas como se não houvesse amanhã, não contem comigo. Contem comigo para uma resposta correta politicamente e responsável. [...] E vamos corrigir erros e excessos, inclusive pelo aprendizado que tivemos”, complementou.
Reunião com parlamentares
Na sequência, já participando de uma audiência virtual da comissão criada pelo Congresso Nacional para acompanhar e monitorar o avanço do novo coronavírus no país, o ministro falou ainda que “jamais” pensou em privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS) e que logo, logo, a cédula de R$ 200,00, recentemente lançada, será aposentada. Ele comentou que a nova cédula foi produzida para atender os saques da população junto ao auxílio emergencial.
Ele descartou também que o novo imposto sobre as plataformas digitais que o governo estava pensando em criar e apelidada de nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e que financiaria a desoneração da folha salarial das empresas e o programa Renda Brasil, ou Renda Cidadã, que substituiria o programa social de mitigação da miséria, Bolsa Família, para ser mais amplo e enfrentar a pobreza no país, “está morto” e que “não existe” mais.
“Jamais esteve sob análise privatizar o SUS, seria uma insanidade falar isso. Seria como o setor privado ajudar. Vamos fazer o que o setor privado pode fazer. Não entrou em nossa consideração invadir a área de saúde para privatizar, jamais. Em havendo entendimento futuro dos benefícios propostos pelo decreto o mesmo poderá ser reeditado. [O SUS] mostrou [ser] durante a crise [da covid] decisivo porque foi um passo acertado. [É uma] ferramenta poderosa de um sistema descentralizado de saúde. Sobre o decreto, seria um contrassenso privatizar o SUS”, afirmou aos parlamentares.
“Criamos a nota de R$ 200 com lobo-guará porque tínhamos um problema de logística para pagarmos o auxílio emergencial. Com o Pix (sistema de pagamentos instantâneos do BC), o futuro é menos dinheiro na mão e notas mais simples. No futuro vai acabar o lobo-guará, a nota de R$ 200, de R$ 100. Já, já o lobo-guará vai se aposentar, terá uma carreira curta”, emendou.
“O imposto [nova CPMF] está morto, ele não existe. Então, como eu não tenho fonte, eu não posso aprovar, tendo dado um parecer que, enquanto não tiver o dinheiro, eu não posso aprovar a desoneração. Do meu ponto de vista, o imposto está morto. Não tem imposto nenhum, não tem desoneração”, finalizou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)