A nova aflição e os velhos problemas
A coluna de Genésio Araújo Jr é publicada todos os domingos, aqui
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(Brasília-DF) Nesta semana em que a Câmara Federal votou, em primeiro turno, a Proposta de Emenda Constitucional da DRU e o Senado também votou na Comissão de Constituição e Justiça, CCJ, a mesma proposta da DRU, vimos dois fatos acontecerem fora de Brasília. Um foi o movimento de fluminenses e capixabas de repúdio ao movimento majoritário parlamentar pela mudança nas regras da divisão dos recursos dos royalties e até da participação especial - o outro foi a reunião da Sudene, lá em Recife.
Para nós que vemos o país a partir da importância daquilo que se dá, e se projeta, acima do paralelo 20º, a conjunção desses fatos e acontecimentos têm uma importância peculiar neste momento em que tanto se fala do dia e hora da chegada da crise mundial no Brasil.
Os nordestinos estão se organizando através de lideranças parlamentares para reagir - com a Subcomissão do Nordeste do Senado, que tem o senador Wellington Dias(PT-PI) como presidente - inclusive , é bom que se lembre, é o autor da proposta que foi relatada pelo senador Vital do Rêgo(PMDB-PB), já aprovada no Senado e parada na Câmara, face a decisão do presidente da Casa, deputado Marco Maia(PT-RS). O deputado Gonzaga Patriota(PSB-PE), coordenador da Bancada do Nordeste, na Câmara, deve participar, também, deste movimento que deverá ser definido por toda essa semana do dia 15 de novembro.
Os nordestinos precisam se posicionar nesta questão. Na reunião do Conselho Deliberativo da Sudene, na semana passada, a Presidenta Dilma não compareceu. Foi mais uma oportunidade perdida para que se apresente uma posição clara do Governo sobre desenvolvimento regional. O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), aproveitando o silencio estratégico do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e da maioria dos governadores ainda se sentido atendidos com a decisão do Ministério da Fazenda e do Governo pelo aumento da capacidade de endividamento na área social – destacou que a divisão deve atender os menos desenvolvidos em IDH a partir da nova partilha do Pré-sal. Não é bom esquecer, também, que o recente anúncio do Pnud mostrando que ainda temos dificuldades profundas no IDH, mais até do que pensávamos – incomodou muito este e o governo anterior(Lula).
Fica evidente que essa conjunção de movimentos se dá pela incapacidade do país deixar claro para onde vai seu desenvolvimento com caráter compensatório. Para quem nos acompanha é bom que fique evidente que não existe uma idéia fixa com esta questão. Quem as tem merece cuidados médicos intensivos de um psiquiatra. A questão não é de saúde mental, mas de saúde política. É um caro que sai barato.
Em momentos de crise tipo essa, estaríamos bem mais preparados se questões como aquelas estivessem claras. Os ricos estão cientes que irão viver 10 anos de dificuldades, mas suas empresas transnacionais estão muito bem e virão fazer dinheiro em nosso território. O Brasil aceita bem o dinheiro alheio e não faz exigências sobre participação no capital e na transferência de tecnologia. A chegada dessa gente no Nordeste vai alargar mais ainda as diferenças regionais, pois eles vão preferir os mais preparados – os grandes estados.
Falar disso aborrece os pragmáticos que se servem da fala de que “só me interessa o que posso resolver”. Eles parecem ser maioria, acham que os velhos problemas tiraram férias. Grande engodo.
Eis o mistério da fé
Por Genésio Araújo Jr, é jornalista
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