O misturado e o mexido da política brasileira
A coluna de Genésio Araújo Jr é publicada todos os domingos, aqui
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( Brasília-DF) A semana se inicia sob as expectativas legislativas marcando as ações do Executivo, enfim, dos chamados poderes constituídos em Brasília. Os deputados e senadores(estes um pouco depois) vão começar a cuidar, efetivamente, da votação do projeto de Desvinculação das Receitas da União – a proposta deve levar esta rotina até 2015. É uma proposta de emenda à Constituição. Uma proposta que precisa ser aprovada com maioria qualificada, a maior e mais difícil para um Governo alcançar.
O ex-presidente Lula entregou à Presidenta Dilma Rousseff um Congresso Nacional, em tese, favorável aos quereres do Executivo. Uma coisa foi o pacote entregue outra coisa foi o pacote aberto. A Política tem dessas coisas. Tudo indica que mesmo com o pacote revirado o Planalto deverá conseguir o que deseja, mas deverá entregar alguns anéis ao Legislativo e ao Judiciário. Na democracia não se deve dar tudo o que o Chefe do Executivo deseja, sob pena da cobrança mais na frente for desproporcional. O mês de novembro deverá ser tenso para o Governo, como um todo.
Na semana passada chamou atenção a chamada página internacional. Muitos não dão muita bola para isso, acham que o importante é saber se o dólar em alta ou baixa vai influenciar na inflação - o dilema, drama brasileiro do último terço do século 20 que os muitos jovens só ouviram falar. Dilma e o Brasil foram bem. Houve o fortalecimento dos Brics. Eles mostraram união frente ao Velho(e novo) Mundo Rico. As dificuldades da Europa e dos Extados Unidos podem se transformar numa grande oportunidade mesmo que as dificuldades venham, e virão. O Nordeste por ter uma grande quantidade de jovens comparada com as outras regiões, uma nova classe média surgida em bases diversas das outras do país, as grandes obras estruturantes, a proximidade com a Europa e a África poderão ter uma nova vertente. Isto não é só um querer, mas consistente indício.
Em meio a semana, surgiu a vontade do PT de bancar uma proposta de Reforma Tributária e a divulgação do estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Firjan, mostrando que o Norte está 20 anos atrás(em desenvolvimento) do Sudeste e que o Nordeste estaria com 10 anos de desvantagem. O trabalho do PT foi elaborado, coordenado melhor seria dito, pelo deputado Rui Costa (PT-BA). O novato de primeiro mandato chegou à Câmara este ano, levado por seu trabalho e pela onda petista da Bahia que renovou o mandato de Jaques Wagner. Costa é tratado como uma nova jóia da equipe de petistas da área de finanças e tributação do partido. O PT sempre, desde outros tempos, se organizou em núcleos de trabalho. Os petistas ficaram famosos por montares gabinetes fantasmas, coisa que a Oposição atual não sabe fazer.
Dificilmente a proposta deve prosperar, mas uma reforma tributária que cuide da nova classe média, que repito(noutros comentários), não tem os mesmos valores da velha classe média, merece atenção histórica. As coisas mudaram mesmo. Antes se falava em estudos da Fiesp! O estudo que merece ampla e cuidada atenção confirma a necessidade urgente de se encarar de frente uma efetiva política de desenvolvimento regional, como fica claro que não dá mais paras misturar Norte com Nordeste nesta questão da pobreza.
Eis o mistério da fé.
Por Genésio Araújo Jr, é jornalista
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