O Nordeste ganhou o desafio nacional
A coluna de Genésio Araújo JR é publicada todos os domingos neste espaço
Publicado em
( Brasília-DF) Esta eleição, se o establisment tiver coragem para encarar, mostrará que o Nordeste ganhou o debate(?!) nacional.
Bem, falo debate, mas poderia ser “um desafio”, até porque, no final das contas, debate aprofundado de propostas que possam efetivamente levar este país, o mais rápido possível, à condição de desenvolvido, economicamente e sustentado - não houve!
O Nordeste que era visto como a região que com os seus pobrezinhos elegia Lula - vivia das “esmolas” da Federação, como se não fosse solidário e federativo que os mais ricos devessem bancar os mais pobres!
O Nordeste era aquela região de gente desqualificada que funcionava como “curral eleitoral” dos poderosos da vez, sejam eles quais forem. Vimos ao longo da campanha que saímos da condição de esmoleres para efetivo pautadores do que de fato importa.
O candidato tucano chegou ao ponto de dizer que ampliaria o bolsa família e criaria um décimo terceiro salário, como se isso fosse emprego! Na verdade, por mais que o país cresça pelos próximos oito anos na cota de 4% a 5% ao ano o bolsa só poderia ter um fim ao cabo de uma geração. Serra, preparado que é, sabia que isso era uma realidade e que deveria calar boa parte de seus apoiadores preconceituosos. Falou-se também de cuidar do semi árido sob a ótica do bom administrador e não na cota do bom mocismo.
Os 28 milhões de pessoas que saíram da condição de pobres à condição de classe média se deu em grande margem nas cidades médias e grandes do Nordeste. Os níveis de crescimento da região acima da média nacional são uma prova disso. As pesquisas de opinião, ao longo de todo o processo eleitoral, mostraram que era o Nordeste que se perseguia. Todos queriam ter maioria no Nordeste antes de qualquer lugar. Dilma só deixou de ser uma aposta quando começou a avançar lá; Serra começou a campanha batendo Ciro Gomes na região.
Seja quem for o vencedor deste domingo ele ganhará ou perderá com o Nordeste. A região não vive mais à míngua apesar das indigências que não se resolvem com alguns poucos anos. O crescimento da arrecadação nesses estados, na maioria, está acima da média nacional que já é destacada e garante os aparentes exageros fiscais.
O problema não vai ser só esta questão da fiscalidade, mas se terá que lidar, a partir do resultado desta eleição, de outra forma com o Nordeste. Este povo que está virando classe média não pela conquista educacional mas pelo consumo tem valores voláteis. Lidar com esta gente não é coisa para qualquer um. Talvez seja um cidadão-eleitor que vai lidar com a conquista de direitos. O Estado não será mais bem visto por ser um provedor, mas pela condição de um bom fomentador - que não atrapalhe “nossos sonhos”. As pessoas são assim mesmo: bocado comido, bocado esquecido! É da condição humana.
O Nordeste venceu a batalha final, mas a guerra não acabou!
Eis o mistério da fé.
Por Genésio Araújo Junior, jornalista
Editor da Política Real – Agência de notícias