31 de julho de 2025

Marina, nordestinos e segundo turno

Genésio Junior avalia três pontos desta inicial campanha de segundo turno

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( Brasília-DF) Tenho alguns assuntos para tratar nesta primeira semana após o primeiro turno da eleição presidencial que precisam ser colocados, pois envolvem o futuro da eleição e da inserção nordestina.
Muita gente se espantou quando, depois de testemunhar a onda verde em torno de Marina Silva, viu que a “preferida da novidade” ficou em terceiro lugar nas eleições do Acre, seu estado natal e onde surgiu para a política.
Fui atrás e descobri que essa questão tem relação com o Nordeste e que confirma um deslocamento da agenda da sustentabilidade que daria mais conforto político para o sucesso(?!) da acreana. Os acreanos, nortistas, tal como os nordestinos costumam confundir crescimento com desenvolvimento. Talvez por verem a indigência de perto e não entenderem como se usa celular de última geração ao lado da sujeira descendo no meio de uma rua que não tem esgoto, a sustentabilidade seja o último de seus desejos.
O Acre entrou no mapa na década de 80 pois Marina e Chico Mendes atraíram para o Estado as ONG’s internacionais ainda mais ricas do que são hoje. Aquela notoriedade levou para o Estado algum crescimento. Daí Marina e seus aliados se transformaram em sinônimo de “desenvolvimento”.   Com os novos idos, Marina e os seus são contrários a onda do crescimento econômico que tem a cara de Serra e Dilma. Marina não quer indústria na floresta, acha que desenvolvimento é floresta em pé. Serra e Dilma são desenvolvimentistas da velha guarda, apesar de tentarem esconder. Querem obras e mais obras. Isso é que o povo do Acre quer, pois vêm a riqueza de Manaus baseada em tecnologia das obras. É absolutamente explicável o sucesso de Serra e Dima sobre Marina na terra desta. Os nordestinos também são meio acreanos!
Outros dois assuntos chamam atenção. Questionei nomes importantes do PMDB, PSB e PP, majoritariamente governistas no Nordeste, sobre como seria a missão de ficar com os votos de Marina no Nordeste. Marina teve mais do que o dobro dos votos de Serra em Salvador, quase isso em Fortaleza e Recife. Na média, eles disseram que esses votos eram para ser de Dilma e não se confirmaram pois as pessoas queriam dar um tempo para decidir e que não iriam votar impunemente numa mulher que não andava no meio do povo, não pegava em ninguém, não fazia carreta, não fazia caminhada e não tinha levado a cusparada de um bêbado(sic), além de não ser conhecida de ninguém há não mais que oito meses.   As lideranças nordestinas governistas estão convencidas que vão dar um baile. Será?!
Bem, para finalizar tem esta questão da onda religiosa em torno do aborto. É ridículo que se queira fazer uma eleição desta importância com a música de uma nota só. Acredito que o PSDB pode estar se comportando como Alckmin no segundo turno de 2006 quando passou 10 dias para voltar a campanha. Não é bom esquecer que a maioria das lideranças dos evangélicos está com a Dilma do Lula.   
Eis o mistério da fé.
Por Genésio Araújo Junior
Jornalista, edito da Política Real – Agência de Notícias