Democracia à Brasileira
A coluna de Genésio Araújo JR é publicada todos os domingos neste espaço
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( Brasília-DF) Esta eleição nacional de outubro será marcada pela criação da regra do “Ficha Limpa” e pela solidificação da democracia brasileira.
Quando terminei estas as urnas ainda estavam colhendo sufrágios, daí vamos com o que temos. É inegável que se pode colocar questionamentos constitucionais sobre a construção legal da lei que proibiu a concessão de registros a políticos que possuem algum tipo de decisão colegiada contrária. O fato da lei ter sido colocada para valer durante o chamado ano eleitoral, uma das máxima da Lei Eleitoral brasileira, a chamada anualidade – foi um rompante. Complicou mais ainda quando vimos os magistrados brasileiros num esforço volitivo disseram que a lei era para valer, apesar das dúvidas constitucionais. Os ministro do TSE tiveram uma coragem e uma vontade que os do Supremo não tiveram. Há quem diga que faltou coragem e liderança ao Presidente do STF.
Quando se destaca aqui a “solidificação” da democracia brasileira sei que foi receber censuras, mas as pessoas têm que se convencer que a democracia não é um totem, não é uma construção, não é uma pirâmide egípcia, não é uma Pietá, uma Capela Cistina ou que valha e se equipara. A democracia de um país é tanto mais sólida quando ela se dá em condições adversas para que ela se faça existir.
O Presidente Lula, se assim desejasse, poderia ter levado o país ao confrontamento da busca de um terceiro mandato. Poderia, mas não o fez. Tivemos a oportunidade de se dividir entre candidatos presidenciais absolutamente incapazes de gerar na população brasileira arrebatamento. Depois da chamada terceira redemocratização republicana nunca tivemos que encarar candidatos atômicos, sem carisma, vindos, na prática, todos do mesmo butim, ou socialistas ou sociais democratas, em meio a uma sociedade desmobilizada face a propostas. Temos que destacar que praticamente nenhum dos candidatos apresentaram, à exceção da candidata Marina Silva, fizeram uma apresentação clara e destacada de um plano e programa de Governo, com um começo meio e fim.
Fazer uma democracia funcionar bem sob esses comandos não é coisa para qualquer um. A democracia brasileira é marcadamente especial exatamente por esses e outras razões. Ter e saber escolher sob essas condições assombra o mundo. Passada a eleição até parece que foi bom para todos que nomes com experiência eleitoral e posições fortes, com alguma carisma, como Ciro Gomes e Aécio Neves não tivessem entrado na corrida presidencial. O efeito mitômano do Presidente Lula é algo tão difícil de lidar hoje em dia que seria melhor deixar os anos passarem um pouquinho para ver melhor tal e qual o elefante de Eleanor Rossevelt.
Temos o que comemorar!
Eis o mistério da fé.
Por Genésio Araújo Junior
Editor da Política Real – Agência de Notícias