31 de julho de 2025

Só com ressalva.

A Coluna de Rangel Cavalcante é publicada aqui e nos "Florida Review" e "Diário do N

Publicado em
( Brasília-DF, 11/05/2008) Num país sério o senador Tasso Jereissati não precisaria apresentar um projeto para tornar inelegíveis todos os que se locupletam no exercício de cargos, mandatos e funções públicas. Isso já estaria na Constituição, para ser cumprido mesmo. Mas, como uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como diz José Genoíno, o senador cearense tenta preencher a lacuna. O projeto nem deverá ser rejeitado, pois não tem chance alguma de chegar a ser votado pelos plenários das duas casas do legislativo. É que uma lei dessas tornaria inelegíveis um terço do Congresso Nacional além milhares de prefeitos, ex-prefeitos, deputados e ex-deputados, de governadores e outros ocupantes de cargos e funções de governo em todo o país que meteram e metem a mão na nossa grana. Seria um tsunami. Só o listão dos inelegíveis - que se elegm - editado pelo Tribunal de Contas da União dá uma idéia do estrago. Mas o ex-governador cearense pode encontrar a luz no fim do túnel e conseguir aprovar o seu projeto.

Para isso basta incluir no texto um artigo a mais, dispondo que “esta lei não se aplica aos corruptos atuais e pretéritos e àqueles que forem apanhados até o ano de 2010.”. Assim, livrando a cara de toda a banda podre atual da política e da administração nacionais, o projeto pode vingar. Nada mais simpático para essa banda do que, além de tirar o pescoço da corda, livrar-se de futuros concorrentes na arte de furtar. O doutor Tasso deve saber que o país jamais terá leis que firam os direitos adquiridos que uma minoria atuante e forte conquistou ao logo dos anos, que são os de fazer seus os bens públicos e dos outros apenas a obrigação de pagar o alto preço material e moral desses privilégios. Foi exatamente nessa área que a ditadura militar perdeu a maior chance de todos os tempos de desentortar um pouco o Brasil. Preocupada em salvar o país dos comunistas e procurando subversivos, que só vieram a aparecer nas filas da Comissão de Anistia, em busca das milionárias indenizações, esqueceu de usar os seus juristas na construção de um estado verdadeiramente de direito, onde todos seriam iguais e ninguém seria mais igual do que os outros. Ao que parece, as chances do senador Tasso estão mesmo na ressalva.
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Como sempre
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Como soe ocorrer nesse país o deputado Paulo Pereira da Silva, o companheiro Paulinho da Força, já arranjou um assessor para ser “bode respiratório”, como diria o ex-governador Newton Cardoso, no seu envolvimento no desvio de recursos de empréstimos do BNDES.
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Finalmente
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O Aeroporto Internacional Pinto Martins, de Fortaleza, vai ganhar uma agencia bancária exclusiva para a comercialização de moedas estrangeiras e recebimento de impostos e taxas alfandegárias e de imigração.
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Mais um
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Mais um senador sem voto. É Geovani Borges (PMDB) que chega ao Senado credenciado pelo DNA, pois é irmão do titular, Gilvan Borges, que também não foi eleito. Perdeu a eleição para João Capiberibe, em 2002, mas, com a cobertura de Sarney, conseguiu cassar o eleito, acusando-o de comprar por R$ 52,00 os votos de duas mulheres, no Amapá. Foi ele que justificou assim o fato de empregar a mãe e a mulher nos seu gabinete. “Uma me pariu e a outra dorme comigo!”.
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Do you speak?
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Vai custar a bagatela de R$ 650 mil ao contribuinte o acesso dos controladores de vôo do CINDACTA a um curso de inglês pela Intenert, contratado pelo Departamento do Controle do Tráfego Aéreo. Outros países tem o mau costume de só admitir controladores de vôo que já dominem o dito cujo idioma.
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Consagração
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Em Divisa Alegre, Almenara, Minas Novas e Rubim, cidades do interior mineiro, os prefeitos foram recebidos com festas, passeatas, comícios, foguetórios e carreatas, na volta, graças a um habeas corpus, de uma viagem a Brasília. Para onde foram levados algemados, como integrantes da quadrilha que roubou R$ 200 milhões do Fundo de Participação dos Municípios. Foram libertados graças à generosidade da lei. É a consagração da corrupção.
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Moreninhos
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Num concurso para empregos no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, um fato surpreendente: pelo menos 1.200 candidatos se declaram afro-descentes, para se beneficiar do sistema de cotas. São moreninhos de sobrenomes bem africanos como Kisevsky, Altenhofen, Cavagnoli, Carrazoni, Dickw. Sacheider e outros.
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Deviam ler
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Do chanceler Airton Queiroz recebemos um documento que todos deviam ler para aprender como se obtém resultados trabalhando sério pela redução das desigualdades no país. É o Relatório Social da Fundação Edson Queiroz.
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Tempo integral
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O ex-deputado Moroni Torgan já pode dedicar-se em tempo integral à sua campanha pela prefeitura de Fortaleza, ganhando mais R$ 8 mil como assessor na Câmara dos Deputados, sem obrigação de ponto, grana que acumula com todos os seus vencimentos como Delegado Especial da Policia Federal, que o pôs à disposição do legislativo.
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Vieira, atual
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Uma editora de Brasília vai comemorar os 400 anos do nascimento do padre Antonio Vieira reeditando “A Arte de Furtar”, obra atribuída ao jesuíta celebre pelos seus “Sermões”. Com destaque para as referencias como “tomando pouco se rouba mais do que tomando muito” e “como os maiores ladrões são os que têm por oficio livrar-nos dos outros ladrões”.
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Rangel Cavalcante

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