31 de julho de 2025

Mais dois exemplos.

A coluna de Rangel é publicada todos os domingos aqui e nos "Florida Review" e "Diári

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( Brasília-DF, 02/02/2008) O governo e o Congresso acabam de nos brindar com mais dois exemplos de como não levam a sério a coisa pública e nem respeitam a mínimas normas da decência que deve nortear o exercício de qualquer função ou cargo que envolvam o manuseio do dinheiro do contribuinte. O primeiro foi o de transformar, por meio de medida provisória inconstitucional – não havia urgência nem relevância - a Secretaria de Igualdade Racial em ministério só para permitir que um deputado tomasse posse dela sem perder o mandato, num conchavo político-eleitoral. Moldaram o cargo ao homem. E no Congresso, governo e oposição chegam a um acordo teratológico: decidiram esquartejar a futura TV Publica – também gerada ao arrepio da Constituição, por medida provisória.

Para atender a interesses mesquinhos de políticos do Rio e de Brasília, metade da nova emissora vai ficar no Rio e a outra metade no Distrito Federal. Traduzindo: vai funcionar de modo capenga, tão capenga como nasceu, e o bolso do otário que paga impostos receberá mais uma overdose anual de gastos com alugueis e passagens e diárias para o turismo de dirigentes e funcionários entre as duas bandas do mostrengo. São apenas mais dois exemplos. Trata-se a coisa pública de modo debochado, pondo o interesse de indivíduos ou de grupos acima dos da Nação. Lembram que transformaram o presidente do Banco Central em ministro só porque ele estava ameaçado de ser preso? É bom lembrar que oito ministros do companheiro Lula já caíram, acusados de envolvimento com a corrupção..Mas nenhum foi demitido. Todos pediram para sair da tropa de elite, alguns com atestado de honestidade do patrão.
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Pirofobia
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O medo de fogo, que um doutor aqui do lado chama de pirofobia, parece que está se alastrando entre os ministros do companheiro Lula. Apesar de Brasília ter um dos melhores corpos de bombeiros do país, aumentar a lista dos ministérios que contratam brigada particulares para prevenção e combate a incêndios. Agora o novo protegido é o do Combate à Fome. Aí tem fumaça....
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Obitônico
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Gilberto Goellner é mais um suplente que vira senador. Não precisou ter um voto sequer para isso. Bastou-lhe o atestado de óbito do titular, senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), que teve 612.082 votos e morreu no mês passado. Traz no currículo, para não fugir à regra, um processo criminal, por falsificação de documentos, que corre na comarca de Divinópolis, no seu estado. É o que o ex-senador Lucídio Portela chamava de “senador obitônico”.
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Um começo
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O Distrito Federal vai contratar tradutores da linguagem de sinais de surdos-mudos para facilitar a comunicação com os deficientes auditivos que buscam atendimento na rede hospitalar pública da capital. É um bom indicio. Logo os hospitais daqui acabam tendo até médicos e enfermeiros.
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Família cara
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A família Lula custa mesmo muito caro aos brasileiros. Basta dizer que somente com as despesas da família presidencial – só ele e dona Marisa - dez funcionários encarregados das compras torraram em 2007 R$ 3,8 milhões com os cartões corporativos, boa parte sacada em dinheiro. É mais de R$ 10 mil por dia, sem contar água, luz, telefone, gasolina, avião, médico, dentista e grandes estoques de comidas e bebidas adquiridas mediante licitação.
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Afago
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Um tremendo afago no ego do juiz de direito Mantovanni Colares Cavalcante. O Conselho Nacional de Justiça aprovou um voto de elogios ao trabalho do magistrado cearense durante o tempo em que atuou na sua Corregedoria, aqui em Brasília. Destacou a dedicação e a excelência profissional com que ele desempenhou a missão.
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Numa fria
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Os hóspedes do Hotel Nacional, o mais tradicional de Brasília, hoje em poder do grupo Canhedo – o da VASP – vão entrar literalmente numa fria, pelo menos no banho. É que o sistema de aquecimento de água do estabelecimento foi penhorado pela justiça e será vendido em leilão para o pagamento de dividas trabalhistas.
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Clareando
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Em meio às milhares de ONGs que torram o dinheiro público a titulo de defender os nossos negros – agora afro-descendentes – surge uma “Associação Brasil Mestiço”, que começa levando uma gorda verba da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República para proteger os moreninhos. É o meio termo. Logo aparece uma para cuidar da minoria branca.
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Bandido caro
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O governo gasta mais do nosso dinheiro na ânsia por hospedar o ex-banqueiro Salvatore Cacciola numa prisão de luxo no Brasil. Depois do desfile de funcionários, diplomatas e até do próprio ministro da Justiça por Mônaco, quem viajou para uma ¨sofrida semana no principado foi o delegado Romeu Tuma Junior, o “Tuminha”, que ainda levou um assessor.
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“Se cuidando”
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Ressabiado, depois do roubo dos documentos da Petrobrás, o ministro Miguel Jorge, do Comércio Exterior, tratou de “se cuidar” e mandou comprar um cofre de segurança máxima para guardar a papelada sigilosa do seu ministério.
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A conta
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Os motoristas que transportam as autoridades do Grupamento de Apoio de Brasília do Comando da Aeronáutica não precisam respeitar as leis do trânsito. Todas as multas que recebem são pagas pelo contribuinte. A coisa é tão acintosa que o Comando já fez uma estimativa e reservou uma verba de R$ 12 milhões para pagamento de multas futuras.
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Na Justiça
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Centenas de ex-deputados federais, ex-senadores e um magote de pensionistas de ex-congressistas vão entrar a Justiça em busca do direito de receber o 13º salário, que é pago aos parlamentares da ativa. À frente do processo o ex-deputado Haroldo Sanford, presidente da associação nacional dos legisladores aposentados.
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Mau exemplo
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Dois diretores do DETRAN de Brasília receberam um magote de multas por infrações graves de transito. Passaram dos 20 pontos e foram condenados a freqüentar as aulas de reciclagem (não suspenderam as carteiras deles). O mau exemplo que o governador fingiu não ver dava demissão sumária em qualquer país sério.
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Rangel Cavalcante

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