31 de julho de 2025

Você pode ser culpado. Rangel Cavalcante chama o leitor às falas.

A coluna de Rangel é publicada todos os domingos, aqui e nos "Florida Review"e "Diári

Publicado em
( Brasília-DF, 23/09/2007) Você pode ser um dos culpados pelo mar de corrupção que inunda o país. Principalmente se votou em político corrupto. E não pode alegar inocência ou ignorância, pois todo mundo sabe quem é quem na política brasileira e quem votou em corrupto sabe que ele é corrupto. Ninguém votou enganado em Paulo Maluf (a maior votação no país), Joaquim Roriz, Jáder Barbalho, Romero Jucá, Renan Calheiros e outros que formam a banda podre da política brasileira, desconhecendo as fichas deles. É o seu voto que sustenta isso que está aí. E continuará sustentando – e piorando – se você não aprender a votar. Com o Congresso que temos o Brasil nunca deixará de ser um dos países mais corruptos do mundo. Da nossa Câmara e do nosso Senado jamais sairão leis que ponham corruptos na cadeia ou tornem os cofres públicos imunes aos pés-de-cabra dos maus políticos.

Vejam o caso Renan Calheiros: ele foi salvo pelos colegas exatamente porque era culpado e a sua condenação abriria um precedente capaz de levar de pronto mais 14 senadores a pagarem pelas roubalheiras em que se envolveram. Seus processos não andam, graças às imunidades. Para pegar todos os políticos corruptos de uma vez bastaria exigir de cada um a comprovação da origem dos seus patrimônios declarados. Só o declarado. Grande parte não explicaria como, apenas com os rendimentos de mandatos eletivos, sem herança, mega-sena ou mina de ouro, amealhou fortuna. Há deles donos de frota de aviões, mansões nababescas, casas e apartamentos no exterior redes de emissoras de rádio e tv, iates e outros bens milionários. As bem elaboradas biografias deles mostram que quase nenhum encontrou a fortuna no caminho. Mas a democracia lhe dá uma chance a cada quatro anos para mudar esse quadro. Na próxima eleição, não pense duas vezes: antes de votar verifique o patrimônio do candidato. Se ele não for explicável, não vote nele. É a melhor forma de começar a desinfetar a política brasileira.
xxxxxxxx
O culpado
------------
Os amigos de Renan Calheiros promoveram uma festa para comemorar a impunidade dele, lá na pequena Murici, Alagoas, incluindo uma procissão de agradecimento ao padre Cícero pela sua absolvição. “Meu Padim” acaba aparecendo por lá para desmentir pessoalmente a acusação
xxxxxxxx
Sem voto
------------
O senador João Pedro, companheiro do PT do Amazonas, autor do parecer pela inocência antecipada de Renan Calheiros em mais um processo, é mais um da bancada dos “genéricos”, os suplentes que não tiveram um só voto e estão lá por força de licença do titular.
xxxxxxx
O número
------------
Realmente, 40 é um número cabalístico. Eram 40 os ladrões do Ali Babá (que não eram chefe e sim inimigo deles). São 40 os corruptos do mensalão, tantos quantos os senadores que se esconderam sob o voto secreto para absolver o companheiro Renan. Empresa de valores foi assaltada por 40 homens.
xxxxxxx
É o Céu
----------
Em matéria de salários, os dirigentes do Banco do Brasil vivem num Céu. O nosso banco acaba de aumentar de R$ 18 milhões para R$ 22 milhões a verba anual para a remuneração deles. Que ganham, entre outros penduricalhos, além do gordo salário: férias, 13º, licença anual remunerada, abono, licença prêmio, complementação de remuneração em caso de licença, assistência médica, previdência privada, auxílio refeição, cesta alimentação participação nos lucros, seguro de vida em grupo, auxilio moradia, assistência social, vantagens de remoção, salários da quarentena, depois de deixarem os cargos etc.
xxxxxxxx
Lazer
-------
Para facilitar os passeios de lancha da família Lula e companheiros pelo lago Paranoá, em Brasília, o comando da Marinha vai construir um novo cais, em forma de T, junto ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República.
xxxxxxxx
Prêmio
---------
O ministério da Cultura de vez em quando acerta uma. Incluiu o “Prêmio Osmundo Pontes de Literatura”, da Academia Cearense de Letras, entre os projetos culturais autorizados a captar recursos da Lei Rouanet.
xxxxxxx
Alô, alô
----------
O ministro Mangabeira Unger, da SEALOPRA, para quem o governo Lula não é mais corrupto, distribuiu um mimo aos companheiros do seu gabinete: 40 (sempre o numero 40) telefones celulares novinhos. A conta é paga pelo contribuinte.
xxxxxxx
De magote
-------------
Em sua viagem pela Escandinávia, o presidente Lula disparou medalhas para todos os lados, condecorando reis, rainhas, príncipes e princesas com as ordens do Cruzeiro do Sul e do Rio Branco. Sobrou comenda até para o encarregado dos cavalos e para uma governanta da casa real de Oslo.
xxxxxxx
Sem braço
-------------
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça fez uma varredura e indeferiu de uma tacada mais de 800 pedidos de anistia – leia-se indenizações e gordas pensões mensais – feitos por pessoas que tentavam aplicar um joão-sem-braço, dizendo-se vitimas de perseguições pela ditadura militar.
xxxxxxx
Sem memória
----------------
Só pelo convite publicado pela família para a missa, se soube da morte de Salomão P. Maia. A nossa imprensa dela não tomou conhecimento. E a ele devia muito espaço, como empresário, político, escritor e, principalmente, como um dos comandantes da maior epopéia da nossa imprensa, o “O Jornal”, que fez marco na história do jornalismo e da arte gráfica cearenses.
xxxxxxx
Jogatina
----------
Depois da Timemania, criada para pagar o que dirigentes e cartolas dos clubes de futebol roubaram e sonegaram durante anos, vem aí nova loteria, agora para arrecadar dinheiro destinado a instituições filantrópicas que cuidam de pessoas deficientes. Foi com esse mesmo espírito que criaram a CPMF.
xxxxxxx
Por Rangel Cavalcante

e-mail: [email protected]