Nordeste e Meio Ambiente. Ambientalistas se reúnem com Sérgio Machado,da Transpetro, para discutir a produção do biocombustível brasileiro e a preservação do meio ambiente.
O futuro chegou para o combustível renovável. O etanol é agora!, afirmou o presidente da Transpetro, o ex-senador cearense
( Brasília- DF,26/07/2007) Lançada em 27 fevereiro deste ano, a Frente Parlamentar Ambientalista, coordenada pelo deputado Sarney Filho(PV-MA), conta hoje com o apoio de 315 parlamentares. São 302 deputados e 13 senadores de diversos partidos, aliados ou não do governo, e mais de 39 Organizações Não Governamentais, ONGs, que decidiram se unir em defesa do meio ambiente.
Nesta quinta-feira, 26, os integrantes da Frenta Parlamentar Ambientalista, estiveram reunidos com o presidente da Transpetro, o ex-senador cearense, Sérgio Machado, durante um café da manhã para discutir o rumo da nossa agricultura a partir da produção do biocombustível brasileiro, em destaque o etanol.
A maior preocupação da Frente Parlamentar é com relação ao desmatamento que a produção de etanol irá gerar no país, uma vez que a matriz base deste produto é a cana-de-açúcar.
Neste sentido, todos defendem que seja iniciado, imediatamente, um zoneamento das áreas agricultáveis brasileiras, como forma de se evitar o desmatamento desordenado e a poluição destas regiões.
De acordo com Sérgio Machado, "cabe ao Congresso Nacional estabelecer as regras sobre a expansão de biocombustível, não permitindo que se agrida o meio ambiente, preservando principalmente áreas agricultáveis, através do zoneamento agrícola do país",
Segundo o presidente da Transpetro, "o futuro chegou para o combustível renovável brasileiro e mundial - o etanol é agora".
Porém, a deputada Jusmari Oliveira(PR-BA), levanta outras dúvidas sobre a política do aumento da produção de etanol.
Jusmari defende o etanol, porém com certas ressalvas. "Nós achamos que o Brasil deve sim se firmar como um produtor de biocombustível, até para ter este selo de um país contribuinte de uma geração futura, limpa, e a garantia da perpetuação da espécie humana", disse.
Porém a parlamentar baiana faz ressalvas ao projeto do biocombustível.
"A nossa preocupação é no sentido de valorizar o biodisel, por ser um combustível que vai fortalecer a cadeia da agricultura familiar. Principalmente os pequenos e médios agricultores", disse a baiana.
A maior preocupação da parlamentar se deve ao fato que a produção de etanol depende do plantio da cana-de-açúcar, que segundo ela, é um cultivo altamente predatório e poluidor e que poderá acabar com a agricultura familiar em centenas de municípios brasileiros, principalmente em seu estado, na região nordeste da Bahia.
Desta forma, alertou Jusmari, devemos fazer uma ampla discussão e um amplo planejamento das regiões produtivas, não podemos correr o risco de termos um município inteiro na mão de um único proprietário de terras, afirmou a parlamentar.
A deputada Jusmari Oliveira afirmou, mais.
"Cada município brasileiro têm uma realidade. Por exemplo, o município de Luiz Eduardo Magalhães têm sua economia agrícola voltada principalmente para o plantio de soja, onde praticamente 90% de sua área agrícola está ocupado por esta cultura, além do cultivo do café e de frutas", disse
"Porém no município de São Desidério, um dos maiores do nordeste baiano em extensão territorial, vizinho a Luiz Eduardo Magalhães, a realidade é outra. 70% de suas terras agricultáveis, mais de 16 mil quilômetros quadrados, estão sem nenhuma atividade agrícola comercial e poderá receber a instalação de pelo menos três usinas de cana-de-açúcar para a produção de etanol, abrindo vagas para a mão-de-obra ativa que se encontra desempregada". Continuou.
Para que isto se torne realidade no Brasil, se faz necessário que a legislação que irá ordenar a produção de biocombustível no país, principalmente o etanol, seja feita com a participação direta dos municípios, e não apenas pela área federal, em Brasília, e com a preocupação da preservação do meio ambiente", encerrou Jusmari Oliveira.
( Por Almiro Archimedes, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)