31 de julho de 2025

São Francisco. Transposição deverá garantir água para os Estados que apresentam secas freqüentes.

Hoje, em Fortaleza, Geddel Vieira Lima, teria criticado falta de articulação dos cearenses.

Publicado em
( Brasília-DF, 20/08/2007) A Política Real teve acesso. O Projeto de Integração do rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional é a mais importante iniciativa do governo federal quando o assunto é a política nacional de recursos hídricos. O objetivo é garantir a oferta de água para o desenvolvimento sustentável dos Estados onde as secas acontecem com mais freqüência.  Hoje, em Fortaleza, o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional,teria criticado os cearenses por nào se mobilizarem pela transposição. A fala de Vieira Lima tem relação com o fato dos movimentos populares contra a obra fazerem mais barulho que os movimentos daqueles que são favoráveis.

O Projeto São Francisco garantirá, prioritariamente, o abastecimento por longo prazo de grandes centros urbanos da região (Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato, Mossoró,Campina Grande, Caruaru, João Pessoa), de centenas de pequenas e médias cidades inseridas no semi-árido e de áreas do interior do Nordeste, priorizando a política de desconcentração do desenvolvimento.

A integração do rio São Francisco às bacias dos rios temporários do semi-árido setentrional será possível por meio de ações relevantes e pontuais, como a retirada contínua de 26,4 m3/s de água, o que equivale a 1,4% da vazão garantida pela barragem de Sobradinho (1850m3/s) no trecho do rio onde ocorrerá a captação. A população urbana de 390 municípios do Agreste e do Sertão dos quatro Estados do Nordeste Setentrional (Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco) será beneficiada com o montante hídrico obtido por essa grande ação.

A Região Nordeste possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água, gerando grande irregularidade da distribuição dos recursos hídricos, já que o rio São Francisco apresenta 75% de toda a oferta regional. A bacia do semi-árido setentrional tem uma oferta hídrica per capita bem inferior à considerada como ideal pela Organização das Nações Unidas – ONU, que é de 1500 m3/hab/ano. A disponibilidade no Nordeste Setentrional por habitante ao ano é de em média 450 metros cúbicos.

Diante dessa realidade, o Projeto São Francisco estabelece a interligação da bacia hidrográfica do rio São Francisco, que apresenta relativa abundância de água (1850 m³/segundo de vazão garantida pelo reservatório de Sobradinho), com bacias inseridas no Nordeste Setentrional, com quantidade de água limitada para o desenvolvimento sócio-econômico da região.

As bacias beneficiadas pela água do rio São Francisco serão: Brígida, Terra Nova, Pajeú, Moxotó e Bacias do Agreste, em Pernambuco; Jaguaribe e Metropolitanas, no Ceará; Apodi e Piranhas-Açu, no Rio Grande do Norte; Paraíba e Piranhas, na Paraíba.

AÇÕES - O Projeto São Francisco prevê a construção de dois canais: o Eixo Norte, que levará água para os sertões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte; e o Eixo Leste, que beneficiará parte do sertão e as regiões agreste de Pernambuco e da Paraíba.

O Eixo Norte, a partir da captação no rio São Francisco, próximo à cidade de Cabrobó (PE), percorrerá cerca de 400 km, conduzindo água aos rios Salgado e Jaguaribe, no Ceará; Apodi, no Rio Grande do Norte; e Piranhas-Açu, na Paraíba e Rio Grande do Norte. Para atender a região do Brígida, no oeste de Pernambuco, foi concebido um ramal de 110 km de comprimento que derivará parte da vazão do Eixo Norte para os açudes Entremontes e Chapéu.

O Eixo Leste, que terá sua captação no lago da barragem de Itaparica, no município de Floresta (PE), irá se desenvolver por um caminhamento de 220 km até o rio Paraíba (PB), após deixar parte da vazão transferida nas bacias do Pajeú, do Moxotó e da região agreste de Pernambuco. Para o atendimento das demandas da região agreste de Pernambuco, o projeto prevê a construção de um ramal de 70 km que interligará o Eixo Leste à bacia do rio Ipojuca.

Benefícios - São inúmeros os benefícios nos Estados contemplados pelo Projeto São Francisco (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco). Como, por exemplo, o aumento da garantia da oferta hídrica proporcionada pelos maiores reservatórios estaduais; redução dos conflitos existentes nas bacias dos Estados; melhor e mais justa distribuição espacial da água ofertada pelos açudes estaduais; abastecimento seguro para os municípios; e também o alcance para a população rural, cujo abastecimento será por meio de centenas de quilômetros de canais e de leitos de rios perenizados ou por intermédio de adutoras para o atendimento de um conjunto de localidades.

A situação hoje - Cerca de 150 militares do 2º Batalhão de Engenharia do Exército estão nos municípios pernambucanos de Cabrobó e Floresta desde o começo de junho. Encontra-se em fase de construção os dois primeiros reservatórios e os dois primeiros trechos de canal ligando o rio São Francisco às primeiras estações de bombeamento de cada Eixo. Os trabalhos do Exército estão programados para conclusão em agosto de 2009.

O Projeto São Francisco está orçado em R$ 5,2 bilhões, recursos garantidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Esses investimentos serão utilizados para a construção dos dois Eixos, na implementação de 36 programas ambientais e em 37 programas de gestão de recursos hídricos.

Os canais do Projeto São Francisco, ao contrário do que os críticos alardeiam, não irão tirar o rio de seu curso normal. Quando concluídos, além de garantir a oferta hídrica para o Nordeste Setentrional, vão melhorar a gestão da água já existente. Em relação à questão ambiental, o impacto do projeto sobre o rio São Francisco é próximo de zero e não vai gerar prejuízos e, sim, melhorias na vida de 12 milhões de brasileiros.

( da redação com informações de assessoria)