31 de julho de 2025

Rio Grande do Norte. Deputado diz que o Estado e Mossoró estão em festa por intelectual.

Nesse sábado se comemora o centenário de Raimundo Nonato da Silva.

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( Brasília-DF, 17/08/2007) A Política Real está atenta. O deputado João Maia(PR-RN) foi a tribuna do plenário Ulysses Guimarães da Câmara Federal saudar a chegada o centenário de nascimento de Raimundo Nonato da Silva.

Ele destacou a importância do autor de Memórias de um Retirante que ele diz ter ares de um clássico. Ele diz que seu Estado e a cidade de Mossoró estão em festa assim como convidou os jovens, nordestinos e brasileiros, a lerem Raimundo Nonato da Silva. Veja a íntegra da falação:

“ Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, as cidades de Mossoró e Martins, no Rio Grande do Norte, estão em festa neste sábado, dia 18, comemorando o centenário de Raimundo Nonato da Silva, emérito escritor do meu Estado. E, por isso, eu gostaria de reproduzir aqui um texto que me foi enviado pelo Professor David de Mederios Leite, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte.

Diz assim o texto:
“Raimundo Nonato da Silva, certa vez, foi cognominado sociólogo da seca, pois “viu de perto e contou de certo” as agruras de nosso sertão.

Contou é pouco. Em verdade ele escreveu com “saber de experiência feito”. Memórias de um Retirante tem ares de clássico. Comparo-o, sempre, ao Vidas Secas, do também nordestino Graciliano Ramos. Dá cinema, teatro, novela...

Nascido na cidade serrana de Martins, aos 18 de agosto de 1907, migrou para Mossoró, atraído pela “cidade grande”, como gostava de dizer. Fez-se engraxate. Alfabetizado quase na adolescência, estudou na velha Escola Normal. Abraçou a profissão de professor. Ensinou na própria Escola Normal, na União Caixeiral. Fez périplo por várias cidades. Formou-se em Direito e galgou a magistratura.

No começo da década de sessenta, Raimundo Nonato mudou-se para o Rio de Janeiro. A produção literária cresce. Produziu e publicou com profusão. Livros que precisam de reedições. Mais que isso, deveriam constar nas recordações de nossos colégios e dos exames vestibulares. São tantos e tão variados, que carecem de análise acurada. Exemplos: Quarteirão da Fome, romance; Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro Romântico e Lampião em Mossoró, referências no tema cangaço. Além do já citado Memórias de um Retirante.

Raimundo Nonato é fonte, ‘e sendo fonte jorra como águas límpidas entre as pedras e a poeira do tempo’. Valho-me desta lapidar frase do ministro Francisco Fausto Paula de Medeiros, extraída do prefácio do livro Saudades, de autoria do memorialista Francisco Rodrigues da Costa, por considerá-la uma bela expressão poética que se ajusta como luva para delinear o perfil do nosso homenageado.

Raimundo Nonato era inquieto por natureza, e ficava ainda mais, relembra Eledil, seu filho, quando setembro chegava. Queria voltar a Mossoró. Fisicamente, claro, pois seu espírito, certamente, nunca cruzou os umbrais da ponte construída pelo Padre Mota (é padre, é mota, é gordo e é buchudo... bordão mossoroense que ele adorava). Missivista compulsivo, usava essa ‘arma’ epistolar para não perder o contato com a cidade, com os amigos.


Tinha em Raimundo Soares de Brito um dos destinatários prediletos. Relembrava pessoas, reclamava esquecimentos.

A rotina dos setembros nunca era alterada. Sempre estava incorporado às festividades. Tinha, no entanto, na Sessão Magna Branca da Loja Maçônica 24 de Junho, seu maior compromisso. Fosse como orador ou mero espectador, Raimundo Nonato era presença infalível.”

Sr. Presidente, eu encerro a minha fala fazendo um chamado aos jovens do Brasil, particularmente os do Nordeste, e em especial os do Rio Grande no Norte, para que leiam Raimundo Nonato, para que vejam nossas origens e se espelhem na história de um lutador, de um homem que venceu e teve orgulho de suas origens e de sua terra.

Muito obrigado.

O SR. JOÃO MAIA (PR-RN. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, as cidades de Mossoró e Martins, no Rio Grande do Norte, estão em festa neste sábado, dia 18, comemorando o CENTENÁRIO de Raimundo Nonato da Silva, emérito escritor do meu estado. E, por isso, eu gostaria de reproduzir aqui um texto que me foi enviado pelo professor DAVID DE MEDEIROS LEITE, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte.
Diz assim:

Raimundo Nonato da Silva, certa vez, foi cognominado sociólogo da seca, pois “viu de perto e contou de certo” as agruras de nosso sertão. Contou é pouco. Em verdade ele escreveu com “saber de experiência feito”. Memórias de um Retirante tem ares de clássico. Comparo-o, sempre, ao Vidas Secas, do também nordestino Graciliano Ramos. Dá cinema, teatro, novela...

Nascido na cidade serrana de Martins, aos 18 de agosto de 1907, migrou para Mossoró, atraído pela “cidade grande”, como gostava de dizer. Fez-se engraxate. Alfabetizado quase na adolescência, estudou na velha Escola Normal. Abraçou a profissão de professor. Ensinou na própria Escola Normal, na União Caixeiral. Fez périplo por várias cidades. Formou-se em Direito e galgou a magistratura.

No começo da década de sessenta, Raimundo Nonato mudou-se para o Rio de Janeiro. A produção literária cresce. Produziu e publicou com profusão. Livros que precisam de reedições. Mais que isso, deveriam constar nas recordações de nossos colégios e dos exames vestibulares. São tantos e tão variados, que carecem de análise acurada. Exemplos: Quarteirão da Fome, romance. Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro Romântico e Lampião em Mossoró, referências no tema cangaço. Além do já citado Memórias de um Retirante.

Raimundo Nonato é fonte, “e sendo fonte jorra como águas límpidas entre as pedras e a poeira do tempo”. Valho-me desta lapidar frase do ministro Francisco Fausto Paula de Medeiros, extraída do prefácio do livro Saudades, de autoria do memorialista Francisco Rodrigues da Costa, por considerá-la uma bela expressão poética que se ajusta como luva para delinear o perfil do nosso homenageado.

Raimundo Nonato era inquieto por natureza, e ficava ainda mais, relembra Eledil, seu filho, quando setembro chegava. Queria voltar a Mossoró. Fisicamente, claro, pois seu espírito, certamente, nunca cruzou os umbrais da ponte construída pelo Padre Mota (é padre, é mota, é gordo e é buchudo... bordão mossoroense que ele adorava). Missivista compulsivo, usava essa “arma” epistolar para não perder o contato com a cidade, com os amigos. Tinha em Raimundo Soares de Brito um dos destinatários prediletos. Relembrava pessoas, reclamava esquecimentos.

A rotina dos setembros nunca era alterada. Sempre estava incorporado às festividades. Tinha, no entanto, na Sessão Magna Branca da Loja Maçônica 24 de Junho, seu maior compromisso. Fosse como orador ou mero espectador, Raimundo Nonato era presença infalível. É de sua autoria uma das obras mais importantes sobre a data: História Social da Abolição em Mossoró. Na terra de Santa Luzia, cumpria um ritual: tomava café da manhã no Mercado Central, passeava pelo centro da cidade contemplando lugares e prédios. Sempre de terno e gravata. Não era difícil encontrá-lo pelas ruas, conversando com circunstantes: “Nesta casa morou o abolicionista fulano de tal...” Explicava didaticamente e saía a discorrer sobre a personagem.

É preciso revisitá-lo, lê-lo, estudá-lo. Ele que tanto pesquisou nossa história, nosso povo, nossas origens. E o fazia com um amor transbordante. Dorian Jorge Freire recomendava, aos desejosos em conhecer a história de Mossoró, que procurassem os livros de Raimundo Nonato.

Nas comemorações de seu centenário de nascimento, a editora Sarau das Letras resolveu relançar o seu Quarteirão da Fome, publicado originalmente em 1949. Singela homenagem a um dos grandes nomes da literatura potiguar.

Senhor presidente, eu encerro a minha fala fazendo um chamado aos jovens do Brasil, particularmente os do Nordeste, e em especial os do Rio Grande Nonato, para que leiam Raimundo Nonato, pois a nossa consciência de cidadãos e de produtores de história amplia-se ao conhecermos as nossas origens e ao cultivarmos a nossa cultura.

Muito Obrigado.

( da redação com informações da taquigrafia da Câmara Federal)