31 de julho de 2025

Nordeste e o Trabalho. Mulheres nordestinas tem a menor média de horas remuneradas, garante o IBGE.

Informações apontam para dupla jornada feminina.

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( Brasília-DF, 17/08/2007) A Política Real teve acesso. Para a população ocupada, o tempo dispensado para as tarefas domésticas entre homens e mulheres é de 9,1 e 21,8 horas semanais, respectivamente.

A carga horária remunerada feminina é de 34,7 horas semanais e a masculina, 42,9. No entanto, considerando a jornada do trabalho produtivo mais os afazeres domésticos nos cinco dias úteis da semana, as mulheres, em média, trabalham 11,5 horas por dia contra 10,6 horas para os homens.

No Sudeste, a carga de trabalho para as mulheres é maior, com média de 36,7 horas e são consumidas mais 21,3 horas com afazeres domésticos. Na região Nordeste, a carga horário feminina teve a menor média de horas remuneradas com 31,2. Contrastando com este quadro, as trabalhadoras nordestinas se ocupam nas tarefas domésticas com 23,9 horas por semana, a média mais alta do país.

Apesar da jornada das mulheres no mercado de trabalho ser menor, se for considerado o trabalho da mulher com a casa e a família, a carga de trabalho semanal total delas supera a dos homens em quase cinco horas.


Mulheres casadas gastam mais horas com atividades do lar

O estudo também revela características sobre a alocação do tempo com afazeres domésticos, de acordo com os arranjos familiares. A jornada média das cônjuges é cerca do triplo dos homens que ocupam esta posição na família (31,1 e 10,9 horas semanais, respectivamente). O fato de a mulher ser ou não casada é outro fator que interfere no número de horas gastas durante a semana. As que são casadas e tem filhos menores de 14 anos têm a maior média: 29,0 horas. Entre as não-casadas, este dado é de 22,0 horas semanais.

Mulheres de cor preta e parda dedicam mais tempo às atividades da casa

Segundo o estudo do IBGE, a cor/ raça mostrou-se como uma variável de pouca influência na condição de cuidar ou não de afazeres domésticos em todo país. Contudo, através da relação conjunta entre sexo e cor, verificou-se que as mulheres de cor preta e parda (25,7 horas) dedicam mais tempo no cuidado de afazeres domésticos do que as mulheres brancas (24,9 horas) mesmo que a diferença não seja tão acentuada. No Nordeste, as mulheres pretas e pardas gastam cerca de 27 horas semanais nestas atividades, quase 4 horas por dia.

Renda é um fator determinante no uso do tempo

Nas famílias mais pobres (com rendimento familiar de até 1 salário mínimo per capita), o maior tempo observado despendido pelas mulheres em atividades domésticas ocorre nas famílias formadas por casal com filhos menores de 14 anos (33,2 horas semanais). No caso das famílias com rendimento familiar per capita acima de 3 salários mínimos, a jornada é mais intensa para as mulheres em famílias formadas por casal com filhos maiores de 14 anos (26,5 horas semanais).



Mulheres preferem morar perto do trabalho e economizar tempo

Da população ocupada, 75% vai direto do trabalho para casa. Desse total, 68,2% levam até 30 minutos para chegar (71% das mulheres e 66,3% dos homens ocupados). Para as mulheres, somados o tempo destinado aos afazeres domésticos, à jornada no mercado de trabalho, o tempo de deslocamento e, considerando por hipótese, a necessidade de oito horas diárias de sono, restariam quatro horas para lazer estudos, cuidados pessoais, etc. Para os homens, este mesmo exercício revela que o “tempo livre” para outras atividades é de cinco horas.

De 2001 a 2005, o cuidado com afazeres domésticos aumentou em todo o país

O estudo do IBGE revelou, também que, entre os anos de 2001 e 2005, houve um aumento na proporção de pessoas que realizaram tarefas em casa de 66,9% para 71,5%. Este resultado pode ser o reflexo da ligeira queda no trabalho doméstico remunerado de 7,8% para 7,6%, e no rendimento real das pessoas de R$ 858 para R$ 763, neste período.

Em 2001, a média total de horas semanais dispensadas a afazeres domésticos era de 23,4. Na divisão por gênero, os dados mostravam 10,9 horas gastas pelos homens e 29,0 horas para as mulheres. Em 2005, as mulheres marcaram 25,3 horas gastas com estes cuidados e os homens, 9,9. A média foi de 19,9. Entre a população ocupada, a redução foi de 18,4 para 16,3 horas. A carga horária média feminina foi de 24,1 para 21,8 e a masculina, de 10,0 para 9,1. Estas quedas também podem ser associadas com a aquisição de bens-duráveis nos domicílios e acesso às novas tecnologias que facilitam o trabalho doméstico.


( da redação com informações de assessoria)