31 de julho de 2025

Nordeste e a Construção Civil. Nordeste foi a região que mais evoluiu no setor.

Indústria da construção sofre queda em 2005.

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( Brasília-DF, 23/05/2007) A Política Real teve acesso. De uma forma geral, o setor empresarial de construção brasileiro reduziu suas atividades em 2005, na comparação com 2004. As construções executadas tiveram um decréscimo real de 5,4%. Ainda em termos reais, uma queda mais acentuada foi verificada no valor das construções para entidades públicas, que teve redução de 8,0% entre os dois anos. Os dados são revelados pela Paic (Pesquisa Anual da Indústria da Construção), divulgada nesta manhã pelo IBGE, que mostra ainda um gradativo processo de desconcentração da indústria da construção, com perda de peso da região Sudeste, puxada principalmente por São Paulo e Rio de Janeiro, e ganho, sobretudo do Norte do país, onde a industrialização alavancou obras e pessoal ocupado, especialmente no Amazonas e Pará.

Segundo a Paic, em 2005, as mais de 105 mil empresas do setor da construção geraram quase 1,6 milhões de empregos, com gastos salariais superiores a R$ 15,5 bilhões, o que corresponde a um salário médio mensal de 2,7 salários mínimos. A indústria da construção realizou obras e serviços no valor de R$ 100,0 bilhões, sendo que, desse montante, R$ 41,7 bilhões vieram de obras contratadas por entidades públicas.

Os resultados negativos apresentados na Paic podem ser relacionados à desaceleração no ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que passou de 5,7% em 2004 para 2,9% em 20052. O desempenho da economia brasileira em 2005 refletiu o contexto de uma política monetária contracionista, direcionada para manter a estabilidade dos preços. A desaceleração do PIB foi ainda mais acentuada no caso do investimento, cuja variação passou de 9,1% em 2004, para 3,6% em 2005. O ambiente de altos patamares da taxa de juros afeta as decisões de investimento por parte das empresas e famílias, o que, por sua vez, impacta significativamente o setor da construção.

Valor das obras residenciais cai 3,8% de 2004 para 2005

Em 2005, o valor nominal das obras e serviços executados pelas empresas com cinco ou mais pessoas ocupadas3 foi 2,8% superior ao de 2004, mas, em termos reais4, houve recuo de 6,3%.

O grupo edificações industriais, comerciais e outras edificações não-residenciais avançou 2,9% em termos nominais, devido ao bom desempenho de edificações comerciais , cujo acréscimo chegou a 24,0%. Esse resultado pode estar relacionado ao aumento do número de shoppings centers nas médias e grandes cidades brasileiras. Outros produtos que contribuíram para esse crescimento foram galpões e edifícios industriais (2,3%), plantas industriais (3,0%) e instalações desportivas (22,3%).

O valor das obras de infra-estrutura caiu 1,0% em relação a 2004, por conta principalmente de usinas, estações e subestações hidroelétricas, termelétricas e nucleares (-26,2%, 1); barragens e represas para geração de energia elétrica (-23,2%, 1); dutos (-17,2%, 1); e redes de instalações de torres de telecomunicações (-12,3%). Por outro lado, as principais contribuições positivas vieram de vias férreas e metropolitanas (50,7%, 1); pontes, elevados e túneis (25,0%, 1); rodovias (3,9%, 1); e ruas, calçadas, praças ou estacionamentos (6,8%).

As obras residenciais também recuaram 3,8%. Apesar de algumas medidas tomadas pelo governo federal a partir de 2004, tais como o regime especial tributário do patrimônio de afetação e o maior volume de recursos da caderneta de poupança direcionados ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH), as edificações residenciais , produto de maior peso na construção, recuaram 7,1%, não sustentando seu resultado positivo de 2004, quando haviam crescido 31,9% frente a 2003.

Conforme estatísticas do SFH, foram concedidos, com recursos da caderneta de poupança, R$ 4,9 bilhões para financiamento de 64.977 moradias em 2005, sendo 58,0% deste total destinados a financiamentos para construção de imóveis e 42,0% para aquisição de unidades já construídas. O valor nominal médio por unidade financiada foi de R$ 76 mil. O montante emprestado em 2005 foi, em termos nominais, 41,6% superior ao concedido em 2004, e o número de unidades financiadas, 5,3% maior. Considerando-se que o montante dos financiamentos não foi destinado integralmente a novas unidades e o fato de o valor médio de financiamento por unidade ter sido relativamente elevado, é possível supor que o acesso ao crédito imobiliário tenha atingido basicamente as famílias de renda média e alta.

Por fim, o grupo outras obras teve o crescimento mais expressivo (16,4%). Os principais acréscimos vieram de instalações elétricas e de telecomunicações (20,7%), trabalhos prévios da construção (12,6%) e do aluguel de equipamentos de construção e demolição com operador (71,6%). As principais retrações nesse grupo foram observadas em montagens de estruturas metálicas (-16,2%, 1); instalações de sistemas de ar condicionado, de ventilação, refrigeração e aquecimento (-10,1%) e instalações hidráulicas, sanitárias e de gás (-6,9%).

( da redação com informações de assessoria)