Nordeste e a CPI do Apagão Aéreo. Presidente do Sindicato de Proteção de vôo defende desmilitarização do controle aéreo.
Jorge Botelho defende o aumento nos salários, a criação de carreira e uma melhor formação para o setor.
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(Brasília-DF, 22/05/2007) A CPI do Apagão Aéreo da Câmara ouviu nesta manhã o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção de Vôo, Jorge Carlos Botelho. Um dos principais pontos colocados pelo presidente foi a necessidade de se desmilitarizar o trabalho de controle de vôo. “Se houver a desmilitarização, o sistema vai ser muito mais eficaz”, afirmou Jorge Carlos que se formou na primeira turma de controladores, em 1974, e hoje é aposentado.
Ele esclareceu que a desmilitarização passa pela necessidade de melhorar as condições de trabalho dos controladores. “O setor militar não segue nenhuma recomendação da Organização Internacional do Trabalho”, disse. Jorge Botelho alega que a hierarquia militar traz problemas para o desenvolvimento do controle de vôo pois os oficiais superiores não têm formação específicas no setor e um sargento, que é especializado, não pode questionar ordens superiores. Ele explicou ainda que os controladores vêm sofrendo diversas pressões por parte dos superiores desde do acidente.
Além disso o presidente do Sindicato destacou que é preciso promover o aumento de salários dos controladores, a criação de um sistema de carreiras e aperfeiçoamento na formação. Botelho relatou que um salário de um profissional civil que está há 35 anos no cargo é de cerca de R$ 3.200,00, enquanto que um sargento recebe R$ 4.600,00. A sugestão feita pelo grupo de trabalho que avaliou as condições de atuação do profissional de controle de vôo recomendou um salário inicial de R$ 5.000,00 para o setor, de acordo com a carreira do policial.
O deputado Vic Pires (DEM-PA) questionou se os salários atrapalham a função do controlador, e Jorge Botelho garantiu que sim. “Mais de 90 % dos controladores fazem outros trabalhos. Isso atrapalha e coloca em risco o trabalho de segurança de vôo”, alegou. O presidente do Sindicato relatou que alguns profissionais do setor fazem bico como taxistas ou motoristas de ônibus em dias de folga.
Outro tema levantado pelo deputado Efraim Filho (DEM-PB) foi sobre a formação em inglês fornecida aos controladores. Jorge Botelho explicou que o ensino fornecido é precário, garantindo apenas uma noção básica do estudo da língua. “Eu vi vários incidentes, inclusive com risco de colisão, por falta de conhecimento da língua”, contou.
Jorge Botelho, entretanto, alega que a situação é no setor é precária há muito tempo e afirmou que documentos com reivindicações do setor foram apresentados a governos anteriores citando o ano de 1994, 1996, 2001. Sobre o acidente do Boeing da Gol com o Legacy o presidente alega que pode ter acontecido uma falha por parte do controlador mas ressaltou que o governo tem sua parcela de culpa. “Não podemos tirar de foco que os gestores têm culpa por não terem fornecido condições de trabalho”, disse.
(por Liana Gesteira)
Ele esclareceu que a desmilitarização passa pela necessidade de melhorar as condições de trabalho dos controladores. “O setor militar não segue nenhuma recomendação da Organização Internacional do Trabalho”, disse. Jorge Botelho alega que a hierarquia militar traz problemas para o desenvolvimento do controle de vôo pois os oficiais superiores não têm formação específicas no setor e um sargento, que é especializado, não pode questionar ordens superiores. Ele explicou ainda que os controladores vêm sofrendo diversas pressões por parte dos superiores desde do acidente.
Além disso o presidente do Sindicato destacou que é preciso promover o aumento de salários dos controladores, a criação de um sistema de carreiras e aperfeiçoamento na formação. Botelho relatou que um salário de um profissional civil que está há 35 anos no cargo é de cerca de R$ 3.200,00, enquanto que um sargento recebe R$ 4.600,00. A sugestão feita pelo grupo de trabalho que avaliou as condições de atuação do profissional de controle de vôo recomendou um salário inicial de R$ 5.000,00 para o setor, de acordo com a carreira do policial.
O deputado Vic Pires (DEM-PA) questionou se os salários atrapalham a função do controlador, e Jorge Botelho garantiu que sim. “Mais de 90 % dos controladores fazem outros trabalhos. Isso atrapalha e coloca em risco o trabalho de segurança de vôo”, alegou. O presidente do Sindicato relatou que alguns profissionais do setor fazem bico como taxistas ou motoristas de ônibus em dias de folga.
Outro tema levantado pelo deputado Efraim Filho (DEM-PB) foi sobre a formação em inglês fornecida aos controladores. Jorge Botelho explicou que o ensino fornecido é precário, garantindo apenas uma noção básica do estudo da língua. “Eu vi vários incidentes, inclusive com risco de colisão, por falta de conhecimento da língua”, contou.
Jorge Botelho, entretanto, alega que a situação é no setor é precária há muito tempo e afirmou que documentos com reivindicações do setor foram apresentados a governos anteriores citando o ano de 1994, 1996, 2001. Sobre o acidente do Boeing da Gol com o Legacy o presidente alega que pode ter acontecido uma falha por parte do controlador mas ressaltou que o governo tem sua parcela de culpa. “Não podemos tirar de foco que os gestores têm culpa por não terem fornecido condições de trabalho”, disse.
(por Liana Gesteira)