31 de julho de 2025

Bahia.

Confira artigo de deputado em que ele comenta pesquisa que revela tolerância com a corrupção.

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( Brasília-DF, 19/04/2006) A Política Real, sempre que tem acesso, divulga artigos de parlamentares nordestinos. Confira o artigo do deputado Marcelo Guimarães Filho(PFL-BA) em que ele comenta pesquisa do Ibope que revela tolerância da população com a corrupção:

 

 

 

 

“Ao Estado não é dado transigir.]

 

 

 

 

Recente pesquisa de opinião realizada pelo Ibope apurou que a grande maioria da população brasileira não apenas tolera a corrupção, como também admite ser capaz de cometer irregularidades no exercício de cargos públicos.

 

 

Se os resultados dessa pesquisa são, por si sós, bastante preocupantes, mais estarrecedores se mostram quando se constata que, do universo de entrevistados, 87% dos jovens entrevistados vêem com naturalidade determinadas práticas ilícitas no seu dia-a-dia, como por exemplo o suborno de agentes para escapar de multa de trânsito, a sonegação de impostos, a utilização de atestados médicos falsos, a comercialização de produtos piratas e a ligação clandestina de energia elétrica ou de TV a cabo. E mais: 98% do total de entrevistados garantem conhecer alguém que já tenha praticado alguma dessas irregularidades.

 

 

 

 

No campo da política, foram identificadas 13 atitudes consideradas habituais por parte de detentores de cargos públicos. Destacaram-se, dentre estas práticas de corrupção, a contratação de pessoas e empresas de familiares ou amigos sem concurso ou licitação

pública; o pagamento de despesas pessoais com verbas públicas; o aproveitamento de viagens oficiais para lazer próprio ou de familiares; a compra de votos através de oferta de empregos ou de favorecimento pessoal, e a utilização sistemática de caixa 2.

 

 

Curiosos, todavia, não são os atos de corrupção identificados pela pesquisa, mas, sim, a constatação de que 75% do universo de entrevistados afirmaram que também praticariam esses atos se acaso viessem a ocupar algum cargo público. Mais grave ainda é a conivência da esmagadora maioria dos jovens e dos detentores de maior escolaridade. Significa

dizer que a educação no Brasil enfrenta grave crise ética e moral.

 

 

Como cobrar honestidade dos políticos se a camada mais esclarecida daqueles que nos elegem mostra-se tão tolerante com práticas de irregularidades e corrupção?

Esse resultado, se de um lado provoca nos bem-intencionados e honestos sentimento de perplexidade e desalento, de outro é digno de preocupação por parte de nossos governantes, por revelar o descrédito da população em valores que merecem ser preservados

sobre qualquer aspecto e circunstância, sob pena do comprometimento da geração que em breve estará dirigindo o destino de nosso país.

 

 

Pequenos atos de contravenção; a disseminação de produtos pirateados; a ocupação irregular e a invasão de propriedades alheias, associada à prática de delitos de pouco potencial ofensivo comumente verificados em nosso cotidiano, não devem ser mais encarados pela sociedade como escusáveis por envolver questão social complexa e de difícil solução.

 

 

O Estado, de outra parte, não pode transigir, a pretexto de evitar o agravamento

das mazelas decorrentes da má distribuição da renda e do elevado índice de pobreza e miséria daqueles que a elite usou denominar "excluídos".”

 

 

( da redação com informações de assessoria)