31 de julho de 2025

Nordeste e as Empresas.

Emprego cresce nas empresas menores e salários caem em 2003; Região Nordeste expande em 1,8 por cento o número de empresas e representa 16 por cento do bolo.

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( Brasília-DF, 19/10/2005)   Em 2003, o número de empresas ativas no Brasil chegava a 4,7 milhões, sendo que 3,2 milhões eram integradas somente pelo sócio-proprietário e 1,5 milhão (31,7%) possuíam empregados registrados. Em 1996, as empresas ativas totalizavam 2,9 milhões e as que tinham empregados, 992 mil (34,1%) Os dados fazem parte das Estatísticas do Cadastro Central de Empresas,do IBGE, que em 2003, concentrou-se na análise das empresas com empregados (1,5 milhão). Neste universo, observou-se que, entre 1996 e 2003, a Indústria manteve-se como a principal atividade econômica, mas diminuiu sua participação em empregos e salários. Cresceu em 6,4 pontos percentuais a participação, em empregos, das empresas com até 29 pessoas ocupadas. Já o valor médio real dos salários caiu 11%, de R$ 590,00 para R$ 525,29.

 

Em sete anos, número de empregados em empresas cresce 28,3% -  Constituído a partir das pesquisas econômicas anuais do IBGE nas áreas de indústria, comércio, serviços e construção e, ainda, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho, o Cadastro Central de Empresas registrou 5,2 milhões de pessoas jurídicas formalmente constituídas e inscritas no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) em 2003. Desse total, 90,2% (4,7 milhões) eram empresas, 0,3% eram  órgãos da administração pública e 9,5%, entidades sem fins lucrativos. Juntas, essas unidades empregavam 35,7 milhões de pessoas, sendo 28,5 milhões (ou 79,8%) assalariadas e 7,2 milhões (ou 20,2%), sócias ou proprietárias em exercício na atividade.

 

 

 

A massa salarial paga em 2003 foi de R$ 341 bilhões e o salário médio mensal, R$ 920,69, o equivalente a 4,0 salários mínimos da época. Entre os 28,5 milhões de assalariados, quase 67% (ou 19,0 milhões) trabalhavam em empresas, enquanto 33,1% dividiam-se entre a administração pública e as entidades sem fins lucrativos. Na comparação com 1996, quando o total de empregados em empresas era de 14,8 milhões, o aumento chegou a 28,3%. Observa-se, no entanto, que entre 1996 e 2003, a administração pública reduziu em 1 ponto percentual a ocupação, passando de 26,2% para 25,2%.

 

 

Comércio tem mais empresas, Indústria emprega mais e Intermediação Financeira paga melhor  -  Tanto em 1996 como em 2003, considerando-se o número de empresas, a principal atividade era o Comércio (48,4% e 52,2% do total), seguido das Indústrias de transformação (16,8% e 14,9% do total) e das Atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas (9,1% e 8,8% do total). 

 

 

Em termos de pessoal assalariado, a maior participação é da Indústria, nos dois períodos analisados (32,6% e 29,9%). O Comércio (21,9% em 1996 e 25,8% em 2003) foi a atividade com maior ganho (3,9 pontos percentuais) em termos de pessoal assalariado, influenciado, sobretudo, pelo Comércio Varejista, que cresceu de 14,1% para 17,4%.

 

 

 

Outra atividade com significativa expansão (2,6 pontos percentuais) no emprego foi Atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas, que passa de 10,4% para 13,0% e cujo principal destaque foi Serviços prestados às empresa (de 8,5% para 10,9%). Juntas, as três principais atividades eram responsáveis por quase 65% do total de pessoal assalariado em 1996 e 68,7% em 2003.

 

 

 

 

Apesar de ser a principal atividade empregadora, observa-se que a Indústria  reduz sua participação no número de empregados em 2,7 pontos percentuais entre 1996 e 2003. Quinta atividade mais importante em emprego, a Construção é a segunda que mais perde no total de pessoas assalariadas, no período, passando de 6,2% para 5,4%.

Quanto aos salários pagos, nota-se, novamente, a importância da Indústria que, apesar de ter reduzido sua participação relativa, entre 1996-2003, em 2,8 pontos percentuais (de 38,4% para 35,6% do to tal de salários), mantém-se como a principal atividade, concentrando mais de um terço do total de salários pagos nos dois períodos.  O Comércio, segunda atividade em termos de massa salarial, aumentou sua participação em 2,6 pontos percentuais (de 13,8% para 16,4%). Apesar do aumento, a participação do Comércio no total de salários pagos ainda representava menos da metade da Indústria.

 

 

            Nas empresas, o salário médio mensal pago foi, em 1996, de R$ 590,00, e em 2003, R$ 859,00, em termos nominais, e R$ 525,29 em termos reais, o que representa uma queda de 11%.  Em número de salários mínimos, a redução foi de 5,5 para 3,7 entre 1996 e 2003. 

 

 

            No período analisado, os maiores salários médios reais eram de Intermediação financeira, seguros, previdência complementar e serviços relacionados (R$ 1.627,00 e R$ 1.438,00), seguido de Produção e distribuição de eletricidade, gás e água, com R$ 1.614,00 em 1996 e R$ 1.377,00 em 2003. Tanto em 1996 como em 2003, Pesca (R$ 313,00 e R$ 235,00) e Alojamento e alimentação (R$ 254,00 em ambos os anos) pagavam os menores salários.

 

 

 

 

            A Indústria de transformação, quarta atividade em valor do salário médio em 1996, caiu uma posição e passou ocupar o quinto lugar no ranking (de R$ 695,00 passa para R$ 626,00). Ressalta-se que os salários médios mensais pagos pelo Comércio mantêm-se na 12ª posição no período. Apesar de significativa, a diferença entre os maiores salários médios mensais e os menores, por atividade econômica, diminuiu entre 1996 e 2003, passando de 6,4 vezes para 6,1.

 

 

 

 

Grandes empresas ainda geram mais empregos e pagam melhor, mas perdem espaço para as menores -   Considerando-se o tamanho das empresas, o pessoal assalariado e a massa salarial estavam concentrados nas empresas grandes (com 100 ou mais pessoas ocupadas). Em 2003, elas eram responsáveis por metade do emprego formal e quase 69% dos salários pagos pelas empresas. Entretanto, entre 1996 e 2003, houve redução de 7,0 pontos percentuais na participação do pessoal assalariado nas empresas grandes, passando de 56,9% para 49,9%, enquanto que naquelas com até 29 empregados houve aumento de 6,4 pontos percentuais (de 27,7% para 34,1%).

 

Em relação aos salários pagos, o aumento na participação das empresas com até 29 empregados foi menor (5,6 pontos percentuais) que o aumento verificado no emprego, passando de 13,0% para 18,6%.  Nas empresas com 100 ou mais empregados, a concentração dos salários pagos manteve-se alta (de 76,0% para 68,0%), apesar da redução de 7,6 pontos percentuais. Embora a concentração dos maiores salários esteja nas empresas grandes, a diferença entre estas e aquelas com até 29 pessoas ocupadas diminuiu de 2,85 vezes em 1996 para 2,52 vezes em 2003.

 

 

Em média, anualmente, surgem 100 mil empresas com empregados e 58 mil são extintas -   O estudo da demografia das empresas , que quantifica seus movimentos de nascimentos e mortes, revelou que, entre 1997 e 2003, surgiram, em média, ao ano, 620 mil novas empresas, e foram extintas, 427 mil, resultando em um aumento real de 193 mil novas empresas.

 

 

No universo de empresas com empregados, as médias anuais foram de 100 mil nascimentos e 58 mil mortes, resultando em um saldo de 42 mil novas empresas. A taxa média anual de natalidade, que mede a quantidade de empresas que surgiram em relação ao que já existia no ano anterior, foi de 8,3%, enquanto a mortalidade (quantas foram extintas) foi de 5,0%. Na faixa com até 99 empregados, a taxa de natalidade supera à de mortalidade, enquanto nas empresas com 100 ou mais empregados, o movimento é o inverso. 

 

O Comércio foi responsável pelo maior volume de nascimentos (50.316) e mortes (27.647) de empresas entre 1997 e 2003, enquanto a Indústria apresentou os menores resultados:13.074 empresas foram criadas e 9.209, extintas.  Já o setor de Serviços, criou 23.561 empresas e extinguiu 13.973.           

 

 

NORDESTE -   De acordo com os dados regionais, observa-se que, apesar de ainda concentrar o maior contingente de estabelecimentos do País, a região Sudeste foi a única que reduziu sua participação nacional, passando de 57% em 1996 para 52,2% em 2003.  Esse movimento é reflexo da perda de 3,2 pontos percentuais em São Paulo e 1,9 ponto percentual no Rio de Janeiro.  As demais regiões aumentaram sua participação, sendo que o maior crescimento (1,8 ponto percentual) foi do Nordeste, influenciado, principalmente, pelos estados da Bahia (0,7%) e do Ceará (0,3%). A região Nordeste representa 14,6% no total do bolo das empresas formais no país. Segundo o IBGE, o Maranhão representa 0,9%, Piauí representa 0,7%, Ceará com 2,3%, R.G. do Norte com 1,1%, Paraíba com 1 %, Pernambuco com 2,7%, Alagoas com 0,7%, Sergipe com 0,6% e a Bahia representando 4,6%.

 

 

Quanto à distribuição regional do pessoal assalariado, houve queda de 3,5 pontos percentuais na ocupação na região Sudeste (de 60,5% para 57%), reflexo da redução de participação relativa no emprego formal em São Paulo (de 36,5% para 33,7%), onde a indústria, de um modo geral, tem um peso muito grande, e no Rio de Janeiro (de 11,9% para 10,6%). 

 

 

Minas Gerais e Espírito Santo, por sua vez, aumentaram suas participações tanto no número de empregados como no de estabelecimentos.  Com a redução no Rio de Janeiro e o crescimento em Minas Gerais no emprego formal, os dois estados igualaram sua participação no pessoal ocupado (10,6%).

 

 

( da redação com informações do IBGE)