Bahia.
Deputado Jairo Carneiro(PFL-BA) escreve sobre Indignação Ética; Deputado se notabilizou por ter sido o relator da cassação de Roberto Jefferson.
( Brasília-DF, 20/10/2005) O deputado Jairo Carneiro(PFL-BA) que ficou famoso nesta legislatura por ter sido o relator na Comissão de Ética no caso da cassação do ex-deputado Roberto Jefferson(PTB-RJ) volta a dar opinião sobre questões éticas. A Política Real teve acesso a um artigo que foi disponibilizado pelo Informativo do PFL, na Câmara Federal.
Confira a íntegra do artigo:
“ Indignação ética
O Brasil vive um momento de crise sem precedentes na sua história. Crise política e ética, que atinge o Poder, as instituições políticas e setores do meio econômico e social do País, fragilizando o conceito, a credibilidade e a respeitabilidade das nossas instituições, alcançando de forma desfavorável a imagem do Estado brasileiro no concerto das nações civilizadas e desenvolvidas.
Tanto mais realça a gravidade do momento quanto é certo que o povo brasileiro fez convergir de forma maciça a sua atenção e confiança, alimentando justas esperanças com um novo porvir a partir do advento do Governo da República, sob a liderança de um homem do povo, de origem humilde, que enfrentou as agruras e vicissitudes da vida para um dia, após uma trajetória de 25 anos, conquistar, pela via democrática, a Presidência da República.
Nas mãos honradas do então candidato Lula, o povo brasileiro depositou a confiança, nas mãos que empunhavam a bandeira da ética e da moralidade. Com surpresa e desapontamento, a sociedade brasileira acompanha atentamente, angustiada e sofrida, a eclosão de fatos que denigrem, que maculam a imagem da entidade presidencial, se não por sua ação comissiva, pelo menos, de algum modo, pela má escolha, pela tardia atitude enérgica em afastar de pronto do círculo do seu convívio personagens que seguramente desservem ao País e traíram a sua confiança, como o próprio Presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, confidenciou e publicamente reconheceu.
O escândalo que toma conta da Nação abalou profundamente a imagem do seu Governo e não há como omitir que reduziu a força do seu prestígio e de sua aceitação pelo povo. Ninguém em são consciência desejaria que tal cataclisma ocorresse, de sorte a desfigurar uma vitória legítima de afirmação da grandeza da democracia política, que assegurou a um operário ocupar a posição de primeiro mandatário da Nação.
A crise atinge o Governo, o Poder Executivo e se ramifica em vasos comunicantes com o Legislativo, em particular envolvendo e comprometendo a Câmara dos Deputados, cuja imagem encontra-se profundamente combalida e fragilizada perante o respeito da opinião pública. Abarca ainda partidos políticos e desgraçadamente o partido do Governo, o PT, destruindo uma história de lutas, ensejando através de líderes da agremiação a declaração do reconhecimento da culpa, afirmando ao País a urgente e imperiosa necessidade da recriação do partido, do verdadeiro renascer das cinzas, com o desligamento voluntário por indignação e justa revolta de alguns eminentes Deputados, membros históricos e autênticos do PT.
No plano da avaliação da conjuntura política diante da deslavada corrupção, o Brasil tem agravado o seu conceito, de que dá exemplo a avaliação divulgada em relatório, em Londres, esta semana, pela entidade Transparência Internacional. A pontuação obtida pelo nosso País, concernente à percepção da corrupção no Brasil nos 3 últimos anos, em escala de 0 a 10, sendo 10 a melhor nota, o Brasil caiu da posição de 3,9 para 3,7.
O combate à corrupção no discurso programático do atual Governo constitui-se —
e é de todos sabido — em uma de suas maiores prioridades. Cumpre assinalar que esse estudo foi concluído em junho do corrente, quando a crise apenas começava a ganhar maiores proporções.
Estamos na 62ª posição, atrás de longa lista de países, entre os quais Colômbia,
Tailândia, Belize e Cuba. Convivemos com dramáticas realidades: a corrupção e o subdesenvolvimento.
Vale recorrer a uma citação de importante dirigente da transparência internacional, ao sentenciar que “a corrupção é uma causa importante da pobreza, bem como uma barreira para superá-la”.
Recorro à “Declaração” da CNBB sobre a crise política do Brasil, sob o título
“Resgatar a Dignidade da Política”, resultado da 43ª Assembléia Geral da CNBB, realizada de 9 a 17 de agosto de 2005: “A atual crise está levando o povo ao descrédito da ação pública, em contraste com as expectativas de mudanças que haviam sido suscitadas nos últimos anos”.
Afirma o documento em outro ponto: “O uso de fontes escusas para o financiamento de campanhas eleitorais, o desvio de recursos públicos, a manipulação de empresas estatais em benefício de partidos e tantas outras denúncias de corrupção que vêm acontecendo de longa data e que nos últimos dias emergiram de forma escandalosa e provocam em todos nós a indignação ética”.
( da redação com informações do Informativo do PFL, na Câmara Federal)