Lula na China.
Lideranças maranhenses ansiosas com viagem presidencial; pólo siderúrgico é colocado como prioridade tanto no Senado como na Câmara
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( Brasília-DF,22/04/2004) Primeiro foi o senador Edison Lobão (PFL-MA), que falou ainda na terça,20, no plenário do Senado. Ontem,22, foi a vez do deputado Gastão Vieira(PMDB-MA) que destacou a importância da viagem presidencial para os interesses maranhenses Lobão ressaltou a importância da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à República Popular da China, em maio. Na semana que vem o presidente Lula terá os primeiros dias da semana, antes de viajar, para se dedicar ao encontro com os governadores que pretendem incluir a polêmica questão da dívida e o anúncio do salário mínimo.
Lobão lembrou que, pelos dados da Câmara de Comércio e Indústria Sino-Brasileira, a China, que era até há poucos anos o 12º parceiro comercial do Brasil, ocupa agora o segundo lugar. Nos próximos cinco anos, completou, deverá se tornar a maior compradora de produtos brasileiros, superando os Estados Unidos.
Para se ter uma idéia de tal evolução, basta dizer que o comércio entre a China e o Brasil em 2003 atingiu o montante de US$ 6,7 bilhões e deverá ultrapassar os US$10 bilhões em 2005 observou o senador.
Lobão acrescentou que dentro dessa perspectiva que privilegia a expansão dos acordos comerciais entre os dois países se insere a implantação do pólo siderúrgico de São Luís. O consórcio, conforme o senador, reunirá investimentos brasileiros, chineses e europeus e, somente para a primeira fase do projeto maranhense, os recursos previstos se elevarão a quase US$ 2 bilhões.
As previsões, segundo Edison Lobão, indicam que as obras do pólo siderúrgico de São Luís
devem estar concluídas entre 2006 e 2007. Calcula-se que sua produção inicial será de 3,7 milhões de toneladas ao ano, com as exportações alcançando o montante anual de US$ 4 bilhões.
Os senadores Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO), Roberto Saturnino (PT-RJ) e Ideli Salvatti (PT-SC) entendem,como Lobão, que a viagem do presidente Lula à China ampliará a perspectiva de intensificação das negociações comerciais entre os dois países.
CÂMARA O deputado Gastão Vieria(PMDB-MA) aproveitou uma breve fala nas comunicações parlamentares em que falou o nome de seu estado por 6 vezes salientou sua preocupação em torno da parceria Brasil-China para o futuro do polo siderúrgico no Estado que também vai se projetar a um futuro exportador. Confira em seguida a maior parte do discurso do deputado maranhense:
Como maranhense, tive o prazer e a imensa satisfação de saber que os chineses, na companhia do Sr. Mário Garnero, do Brasilinvest, visitaram o Presidente do Senado Federal, Senador José Sarney, para comunicar que eles dispõem de 5 bilhões de dólares para investimentos no País e que parte desse recurso será aplicada no Estado do Maranhão. Pretendem construir, paralelamente à Ferrovia Carajás/Ponta da Madeira, na Ilha de São Luís, outra ferrovia exclusivamente para escoar os grãos soja, milho, arroz provenientes de Balsas, região sul do Estado, também do Tocantins e, quem sabe, de Mato Grosso. Uma estrada de ferro com mais de 800 quilômetros, porque os chineses sabem que a prioridade da Cia. Vale do Rio Doce é o transporte de minério e eles pretendem ter uma estrada de ferro exclusiva para o escoamento de grãos.
Outra notícia também alvissareira para os maranhenses é que eles pretendem investir na construção de um terminal graneleiro no Porto do Itaqui para facilitar a exportação desses grãos.
Nasci na cidade São Luís. Técnico, formado pela CEPAL, passei parte da minha vida trabalhando na compreensão dos problemas do meu Estado e na tentativa de criar um modelo de desenvolvimento harmônico, equilibrado e justo do ponto de vista econômico e social para a população maranhense.
Nunca tive dúvidas de que o futuro do Maranhão seria a exportação. Eu olhava para as condições privilegiadas que a natureza dotou o meu Estado Porto de Itaqui, um porto que tem 18 metros de calado na maré vazante, que forma um complexo portuário extremamente importante para aquele porto, do Porto da Ponta da Madeira, da Companhia Vale do Rio Doce, e de um porto menor, da Alumar, do Consórcio de Alumínio do Maranhão, que exporta por ali bauxita e alumínio líquido Sr. Presidente, e imaginava que ali estava o futuro do Maranhão.
Se tivéssemos planejamento de investir no porto, todo esse futuro voltado para a exportação seria canalizado para o meu Estado. Hoje, a afirmação dos chineses em pretenderem construir uma nova estrada de ferro, um porto graneleiro, é uma decisão que se vai somar à outra decisão importante, com a construção de uma usina siderúrgica no Porto do Itaqui, em associação com capitais americanos e com a participação minoritária da Companhia Vale do Rio Doce.
Espero, Sr. Presidente, que esse sonho acalentado há muitos anos pela população do meu Estado e por mim, como técnico, político e cidadão maranhense, comece a se transformar numa realidade que signifique esperança, renda e vida melhor para a população do Maranhão.
O Maranhão, Sr. Presidente, é um Estado, repito, vocacionado para a exportação. Pelo Porto da Ponta da Madeira sai todo o minério extraído na Serra de Carajás, que atravessa uma ferrovia de 980 quilômetros, 90% em território maranhense, exportado para o Oriente, para a Europa, via Porto da Ponta da Madeira. São mais de 1 milhão de toneladas de minério de ferro que saem do Maranhão transportados num sistema de transporte moderno e eficiente em busca de outros países.
Navios imensos, 350 mil toneladas. Navio que só tem um porto no Brasil para encostar, que é o porto do Itaqui, e um porto no exterior, o porto de Roterdã.
Pelo porto do Itaqui, o consórcio ALUMAR exporta alumínio alumina, uma fábrica moderna, também localizada na ilha de São Luís, no complexo portuário de nosso Estado. Ali a Companhia Vale do Rio Doce tem uma unidade produtora de pelotas, uma usina de pelotização, que a companhia também exporta para o exterior. E a somar-se a tudo isso, vem essa siderúrgica, com mais de 1 bilhão de dólares de investimentos, gerando empregos e criando nos maranhenses a expectativa de que possa ter um pólo de beneficiamento industrial, a partir da chapa de aço que será produzida no porto de Itaqui. Produzimos soja e exportamos. Aguardamos quando a soja do Mato Grosso, do Tocantins e do Piauí também saiam pelo porto do Itaqui aproveitando esta estrada de ferro.
Portanto, Sr. Presidente, ao reconhecer todo esse futuro econômico do Estado do Maranhão, não posso deixar de falar, constrangido, de que nossos indicadores sociais são os piores do País. Melhoramos já em muitas coisas, diminuímos o analfabetismo e aumentamos a participação efetiva das crianças no ensino fundamental, mas temos indicadores de saúde que são tristes, temos indicadores de mortalidade que são preocupantes e temos renda em determinadas localidades do Estado que não chegam a 37 reais por mês. Grande parte da população maranhense vive com menos que 75 reais por mês. Dos 10 Municípios com os piores IDHs do Brasil,2 localizam-se no meu Estado. Não interessam se são Municípios novos, criados há 6 anos, povoados que não tinham a menor condição de se transformarem em Municípios. Nada disso interessa.
A realidade é que elesexistes e que os indicadores sociais são preocupantes. Mas, com esse desenvolvimento, se fizermos com que a população mais pobre dele possa participar, tenho certeza de que o futuro se desenhará melhor para o Estado do Maranhão.
É por essa razão, Sr. Presidente, que faço o anúncio de que os chineses vão investir no meu Estado, e que o Governo, acompanhado de Deputados federais, vai à China, paralelamente à comitiva do Presidente Lula, assinar a Carta de Intenção com os chineses para a construção da siderúrgica no Maranhão e quem sabe o início das obras da estrada de ferro e do terminal graneleiro.
Muito obrigado, Sr. Presidente
( da redação com Agência Senado e informações da taquigrafa da Câmara)