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  • Contato Brasil, 25 de abril de 2024 05:39:03
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  • 21/02/2024 06h43

    Jaques Wagner, líder do Governo e judeu, disse que concordava com a comparação das morte em Gaza com o Holocausto, não iria tirar nenhum palavra de Lula mas se sentia ofendido

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    Foto: Marcos Oliveira/ Ag. Senado

    Jaques Wagner falou no plenário

    ( Publicada originalmente às 19h 30 do dia 20/02/2024)

    (Brasília-DF, 21/02/2024) O líder do Governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), após a fala do senador Rodrigo Pacheco(PSD-MG), que afirmou que não aceitava a comparação das morte em Gaza com o Holocausto e defendeu uma retração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva  ao povo judeu, afirmou que concordava com o presidente Lula ao defender o cessar fogo, a paz e condenar o Hamas, mas como judeu ficou ofendido com a comparação feita pelo presidente da República.

    “Então, Presidente, eu quero lhe dizer que comungo com V. Exa. e falo isso aqui por já ter comunicado a quem de direito, porque eu acho que a comparação não é pertinente, mas a condenação da morte de civis, crianças, homens e mulheres na Faixa de Gaza é um absurdo sob a desculpa de caçar o Hamas.”, disse.

    Ele falou mais e disse que se sentiu ofendido:

    “Então, eu quero dizer que eu comungo com V. Exa...... estou aqui muito (Fora do microfone.)à vontade...... porque, antes de estar aqui nesta tribuna, antes de me dirigir a qualquer órgão de imprensa, fui ao Presidente da República e disse a ele que eu não tiro uma linha do que ele disse, porque como judeu me sinto ofendido.”, disse.

     

    Veja a íntegra da fala Jaques Wagner, senador líder do Governo No Senado:

    “Sr. Presidente, em primeiro lugar, Presidente desta Casa, eu, como Senador, Líder do Governo e judeu, evidentemente respeito a fala de V. Exa. e não a estou tomando, com a vênia do Senador Omar, como reprimenda, até porque V. Exa. destacou que o Presidente Lula é um líder global e tem trabalhado incessantemente, não só neste período agora da sua Presidência, mas em outros, pela paz mundial, até porque a guerra é a derrota da civilização perante a barbárie.

    Os homens e mulheres deveriam usar mais a mesa de negociação para dirimir seus problemas, sejam de fronteiras, seja o que for, e não ir para a guerra porque, no final, acontece o que está acontecendo: só morrem inocentes. Morreram inocentes em Israel com o ato bárbaro terrorista que matou 1.200 e levou algumas centenas de reféns dos quais não sabemos quantos ainda estão vivos.

    Por outro lado, eu, que sou judeu, vou repetir bastante isso, defendo a convivência entre dois estados, que têm que ter o direito de viver, progredir e prosperar: o Estado de Israel, onde não habitam apenas judeus, habitam católicos, muçulmanos, cristãos de várias naturezas, e o Estado palestino, onde estão os habitantes palestinos, de diversas religiões também, porque nem todos necessariamente são muçulmanos.

    Eu entendo que aquilo que motivou - eu estive com o Presidente da República ontem, no final do dia -, o que motivou o Presidente da República, até porque quem assistiu à fala inteira dele viu que não há nada a ser reparado quando ele se insurge contra o silêncio a que se refere o Senador Omar Aziz, não desta Casa, mas das nações da Europa, da Ásia e de outros cantos, contra o absurdo que é tentar fazer o olho por olho e o dente por dente.

    É deplorável o ataque terrorista de 7 de outubro..... e, na minha opinião, é igualmente deplorável por qualquer justificativa que seja a chacina que está se fazendo sobre civis na Palestina. Não existe isso, Presidente. É como se eu dissesse que, por uma medida de segurança, em qualquer cidade brasileira onde o tráfico estivesse instalado, eu vou bombardear a cidade para matar o traficante. Seguramente o traficante fugirá antes e morrerão civis. E já morreram 30 mil. E crianças que valem tanto quanto as crianças e as senhoras judias que morreram no Estado de Israel.

    Não vamos comparar seres humanos aqui. Todos merecem o respeito de todos nós. E eu estou à vontade, porque eu estou neste partido há 45 anos, sou amigo do Presidente Lula há 45 anos e tive a naturalidade de ontem visitá-lo e dizer...

    ... "não tiro uma palavra do que V. Exa. disse, a não ser o final", porque, na minha opinião, não traz à baila o episódio do Holocausto para nenhuma comparação, porque fere sentimentos, inclusive meus, de familiares perdidos naquele episódio, que era uma máquina da morte, com câmaras de gás.

    Mas é preciso também que os colegas saibam que, dentro do Estado de Israel, a posição do Primeiro-Ministro Netanyahu não é unânime, muito pelo contrário...... ele, na verdade, para conseguir montar o seu Governo - e eu não vou me imiscuir nas questões internas de Israel -, precisou chamar os ortodoxos religiosos, que é a extrema, para montar o seu Governo.

    E o que está fazendo? Uma limpeza étnica? Não sei, porque o norte de Gaza já está todo no asfalto.

    Os prédios, edifícios, já foram todos derrubados, aterrados, com asfalto passado por cima.

    Então, Presidente, eu quero lhe dizer que comungo com V. Exa. e falo isso aqui por já ter comunicado a quem de direito, porque eu acho que a comparação não é pertinente, mas a condenação da morte de civis, crianças, homens e mulheres na Faixa de Gaza é um absurdo sob a desculpa de caçar o Hamas.

    Quando houve o episódio do 11 de setembro, os Estados Unidos, como o império que são, foram caçar Bin Laden e mataram Bin Laden, mas não saíram matando populares. O que o povo precisa é de desenvolvimento de prosperidade. É isso que vai evitar a guerra.

    Então, eu quero dizer que eu comungo com V. Exa...

    ... estou aqui muito (Fora do microfone.)à vontade...

    ... porque, antes de estar aqui nesta tribuna, antes de me dirigir a qualquer órgão de imprensa, fui ao Presidente da República e disse a ele que eu não tiro uma linha do que ele disse, porque como judeu me sinto ofendido.

    O povo judeu não pode comungar com o assassinato de civis sob qualquer desculpa que seja, até por termos sofrido... não só nós, porque foram Testemunhas de Jeová, foram ciganos, foram homossexuais, foram deficientes que morreram na máquina de morte.

    Então, eu só queria registrar que a motivação Presidente Lula, como V. Exa. fez questão de registrar - e por isso eu comungo -, é a busca do cessar-fogo, que infelizmente hoje mais um cessar-fogo...

    ... foi interditado pelo voto. Têm o direito de veto os Estados Unidos da América, que propuseram...

    ... um colegiado de 16 países para tentar intermediar. Amém. Que os 16 países cheguem a um denominador comum, porque nós não podemos ficar vendo civis, inocentes, morrendo, como morreram em 7 de outubro e vêm morrendo sucessivamente através do ataque do exército israelense.

    Então, eu estou muito à vontade - não misturo as coisas - para dizer que nós não podemos ser humanos apenas para os nossos, nós temos que ser humanos defendendo a todos os seres humanos.

    Muito obrigado. (Palmas.)

     

    ( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)

     

     


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