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  • Contato Brasil, 16 de setembro de 2021 22:42:23
Genésio Jr.
  • 11/07/2021 14h35

    Fila, calendário e destino!

    Existe uma obviedade no mundo do poder de que o “Fora, Bolsonaro” não quer de fato tirá-lo do poder antes das eleições de 2022

    Bolsonaro tem motivos para estar triste e irritado( Foto: Arquivo Política Real

    (Brasília-DF)  Por mais que nos inspiremos que dias melhores possam vir ou que a história nos traga ensinamentos, iluminando os homens e mulheres públicos face ao momento histórico que vivemos somos forçados a reconhecer, este escrevinhador e você aí, como anda difícil ver movimentos nesse sentido.

    Na sexta-feira, 9 de julho, justo no dia em que se comemorava a Revolução Constitucionalista de 1.932, a famosa “Revolução Paulista”, o nosso presidente da República, Jair Bolsonaro, que jurou a Constituição, que entre seus brocados defende a alternância de poder como mote da democracia - disse que se as eleições não forem do jeito dele, com o que ele chama de voto impresso e auditável, não vai ter eleições.

    Lembrando aos desavisados: os eventos históricos de 1.932 se deram porque os paulistas não aceitaram que Getúlio Vargas que tinha chegado ao poder pela Revolução de 1.930 se negasse a instalar e votar uma Constituição, que se exigia em substituição a que estava em vigor, de 1.891, ainda da época da República Velha. 

    Interessante que Bolsonaro nascido em São Paulo, mas que fez vida pública no Rio de Janeiro tenha assim se manifestado justo nessa data histórica. O Presidente Bolsonaro já deixou claro que não usa da cultura e da história para fazer política.

    Como se sabe, houve uma reação de partidos políticos, chefes de poder, instituições  e de vários setores da sociedade às declarações. Essas reações já foram vistas, mas essas últimas foram especiais, pois os aliados ficaram constrangidos e alguns tiveram que se manifestar à cata de colocar panos quentes ou afirmar, como fez Arthur Lira, que tais manifestações não tinham condições de atingir nossa democracia. O especial nisso tudo é que isso se dá no pior momento para o Presidente Jair Bolsonaro.

    Todas as pesquisas de opinião de caráter nacional divulgadas lhe são desfavoráveis( Datafolha, Poder 360º, Ipespe/XP, Ideia/Exame, CNT).  Essa última da Datafolha mostrou Bolsonaro tendo uma rejeição de 51% e com 54% os nacionais defendendo seu impeachment.

    Acrescente-se a isso um desemprego fenomenal, uma inflação que já chegou a um acumulado de 8,3% em 12 meses. Já está certo que deveremos ter os preços administrados chegando a mais de 9%. Temos uma combinação muito ruim para o atual chefe do poder executivo. Há indícios que mesmo com os riscos políticos haja uma chegada de dólar no mercado, ao longo do ano, que possa valorizar o real em algum momento. 

    Existe uma obviedade no mundo do poder de que o “Fora, Bolsonaro” não quer de fato tirá-lo do poder antes das eleições de 2022.  O próprio Arthur Lira comentou na semana que passou, respondendo a jornalistas sobre o pedido de impeachment mais recente, que não sabe se a próprio oposição quer esse impedimento!  Com tantas dificuldades, imaginar que as reformas propostas e pedidas, tanto como pelo Executivo como por setores da sociedade, relevantes - possam seguir adiante parece uma aposta cada vez menos crível.

    Fato importante disso tudo é que os agentes políticos, econômicos e sociais vão abrir a semana com a possibilidade de precificar que, se se mantiver esse cenário por muito tempo, especulando-se as dificuldades que deverá viver, em algum momento, a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje surfa na conjunção de infelicidades de Bolsonaro – é possível crer que seja quem for para um segundo contra o atual presidente poderá ter sucesso. Os ventos de 2018 já não são os mesmos, o conservadorismo e o antipetismo existem, sim,  mas nada na mesma dimensão.

    A sociedade quer soluções para voltar a funcionar e já sabe que mesmo com o fim da pandemia nada voltará ao normal. A roda vai girar, mas precisará doutro jeito de fazê-la assim proceder.

    Na política há calendário e fila. Dizem que Presidência da República é destino.  Essa combinação vive se repetindo, mesmo que achemos que não!

    Por Genésio Araújo Jr.

    e-mail: [email protected]