Santiago Peña, presidente do Paraguai, renuncia ao mandato face colapso de banco digital que congelando os depósitos de quase 3 milhões de clientes
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Com agências
(Brasília-Df,05/11/2026 Nesta quinta-feira, 05, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta em meio à movimentação no Congresso para removê-lo do cargo e protestos nas ruas em razão do escândalo no Ueno Bank, um dos maiores do país.
O colapso do banco digital, alvo de intervenção do Banco Central (BCP) dois dias antes, deflagrou uma crise financeira e política, congelando os depósitos de quase 3 milhões de clientes.
"Faço isso tendo em mente a estabilidade do nosso país, a paz social e a necessidade de preservar nossas instituições democráticas", afirmou Peña em uma mensagem em vídeo gravada e divulgada nesta quinta. "Quero pedir desculpas ao povo se em algum momento lhes falhei."
O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência em seu lugar.
Entenda a crise no Paraguai
Peña deixa o cargo em meio à pressão crescente da oposição e após a debandada, nesta quinta-feira, de aliados de seu próprio Partido Colorado, de orientação conservadora.
Parlamentares o acusaram de conflitos de interesse, uso indevido de fundos de pensão e acobertamentos institucionais relacionados ao colapso do Ueno.
A fintech criada em 2021 teve ascensão meteórica, passando a reunir 2,9 milhões de clientes — em um país de 6,5 milhões de habitantes — e administrando cerca de 850 milhões de dólares em recursos públicos.
O BCP interveio no Ueno após constatar que a instituição descumpriu os requisitos mínimos de solvência. Como consequência, milhões de clientes perderam acesso às suas contas, espalhando pânico entre a população e gerando correria aos bancos.
"Meu maior desejo é que a devolução desses recursos seja garantida, que o fundo de garantia de depósitos cumpra sua finalidade e que os recursos públicos, assim como os recursos que pertencem a todos os paraguaios, sejam protegidos", acrescentou Peña em seu pronunciamento.
Peña foi acionista do grupo que controlava o Ueno até março de 2025, e nomeou seu ex-presidente, Carlos Carvallo, para o BCP em 2023.
Carvallo acabou renunciando esta semana, e Peña promulgou uma lei que dá prazo de cinco dias úteis para restituir a maioria dos fundos dos clientes do Ueno, mas as medidas não foram suficientes para conter a crise.
Aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, Peña assumiu o mandato em agosto de 2023 e governaria por cinco anos, até 2028.
( da redação com informações da DW, AFP. Edição: Política Real)