Após reeleição de Lula, economistas de mercado alertam sobre decisões fiscais que podem levar Selic a 12,75%
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(Brasília-DF, 26/10/2026) O dia começou tenso no mercado nacional e internacional após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Chegou na redação da Política Real avaliação de economistas de mercado sobre o futuro da Selic. Sem ajuste fiscal, mercado prevê a pior trajetória para os juros
Veja algumas estimativas que tivemos acesso:
"Em uma simulação na qual o estímulo gerasse inicialmente 0,8 ponto de crescimento, uma reação adversa dos juros e do dólar poderia retirar de 0,2 a 0,4 ponto desse impulso", Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest.
“O maior risco para 2027 é a Selic cair sem que os juros de longo prazo acompanhem o movimento. O Focus anterior à eleição projetava taxa básica de 11,75%, mas a IFI estima dívida bruta de 86,4% do PIB e déficit primário de 0,7% do PIB no próximo ano. Se não houver sinalização consistente de ajuste, o mercado poderá exigir prêmios maiores, cenário em que a Selic poderia terminar 2027 entre 12,25% e 12,75% e o PIB crescer entre 1% e 1,2%. Reverter o déficit primário projetado exigiria aproximadamente R$ 102 bilhões; alcançar superávit de 0,5% do PIB elevaria o esforço para R$ 174 bilhões. O problema de uma expansão fiscal de 1% do PIB está na possibilidade de o custo de financiamento absorver parte do crescimento gerado. No exercício de estresse, juros e câmbio mais altos eliminariam entre 25% e 50% do impulso inicial. Isso afetaria o preço das ações e a taxa de desconto dos projetos de investimento. Em um mundo que deve crescer 3,4% em 2027, a atração de capital para o Brasil dependerá de previsibilidade fiscal, governança e estruturas financeiras capazes de oferecer segurança aos investidores”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.
“Na minha avaliação, o Focus divulgado hoje já está defasado, porque suas projeções foram coletadas antes da eleição. Com a reeleição de Lula, acredito que o mercado irá revisar a Selic de 2027 para algo entre 12,5% e 13%, enquanto o crescimento pode se aproximar de 1%, caso não haja uma sinalização fiscal convincente. O governo já discute medidas de contenção de despesas, mas considero que o mercado exigirá resultados concretos. Para sustentar a queda dos juros até 2028, vejo como necessário um ajuste que permita alcançar superávit primário de pelo menos 1% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 150 bilhões anuais, em valores projetados. O principal risco seria tentar acelerar a economia ampliando gastos sem compensação fiscal. Nesse cenário, estimo que metade ou mais do estímulo inicial poderia ser neutralizada pela alta do dólar, pela inflação e pelo encarecimento do crédito. O resultado seria menos espaço para cortes da Selic, maior pressão sobre a Bolsa e adiamento de investimentos privados”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
“O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira ainda não reflete plenamente a revisão das expectativas do mercado diante do resultado das eleições presidenciais de ontem. O cenário-base anterior à definição eleitoral, que projetava Selic de 11,75% e crescimento do PIB de apenas 1,31% para 2027, poderá sofrer deterioração caso o governo reeleito não apresente, de forma tempestiva e convincente, um compromisso efetivo com a sustentabilidade fiscal. Diante das pressões adicionais sobre o orçamento e das medidas anunciadas ao longo do período eleitoral, cresce a importância de uma sinalização clara sobre o equilíbrio das contas públicas. Na ausência dessa sinalização, investidores poderão exigir prêmios de risco mais elevados, pressionando a curva de juros, encarecendo o financiamento da economia e comprometendo as perspectivas de crescimento. Estimativas de economistas indicam que a estabilização da trajetória da dívida pública exigiria a construção de superávits primários da ordem de 1,5% a 2,0% do PIB, o que evidencia a dimensão do desafio fiscal para os próximos anos. Por outro lado, uma eventual estratégia de aceleração do crescimento baseada predominantemente na expansão dos gastos públicos, sem contrapartidas fiscais críveis, poderá produzir efeitos limitados e transitórios. O resultado eleitoral, portanto, precisa ser interpretado à luz dos próximos movimentos políticos e econômicos. A composição da equipe econômica, a formação da base de sustentação do governo no Congresso, a articulação dos partidos de oposição na Câmara e no Senado e a capacidade de construir consensos em torno de reformas estruturais serão determinantes para a percepção de risco. Eventuais disputas institucionais e incertezas jurídicas-eleitorais também poderão influenciar esse processo. Enquanto essas definições permanecerem em aberto, é razoável esperar maior volatilidade nos mercados de câmbio, juros e ações. Para os investidores, isso significa maior seletividade na alocação de capital, reavaliação dos prêmios exigidos nas operações de crédito e dívida e menor disposição para assumir posições de risco de longo prazo. O principal desafio do governo reeleito será demonstrar que os argumentos utilizados no discurso de domingo vão se traduzir em medidas para gerar estabilidade fiscal e retomada sustentável do crescimento. Sem gerar credibilidade fiscal, a redução estrutural dos juros tende a se tornar mais lenta, onerando o investimento produtivo e limitando o potencial de expansão da economia brasileira”, Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital.
“O Brasil tem um desafio de produtividade que os gastos públicos, isoladamente, não resolvem. O FMI projeta crescimento mundial de 3,4% em 2027, contra apenas 1,31% no Focus brasileiro, diferença de 2,09 pontos percentuais. Se a expansão fiscal não vier acompanhada de medidas estruturais, o PIB poderia ficar entre 1% e 1,2%, em um cenário de estresse, com Selic de 12,25% a 12,75%. Para evitar essa combinação, transformar o déficit primário de 0,7% do PIB projetado pela IFI em equilíbrio exigiria melhora de aproximadamente R$ 102 bilhões nas contas públicas. O governo pode tentar acelerar a atividade com gastos adicionais de R$ 145 bilhões, equivalentes a 1% do PIB. Em uma simulação na qual o estímulo gerasse inicialmente 0,8 ponto de crescimento, uma reação adversa dos juros e do dólar poderia retirar de 0,2 a 0,4 ponto desse impulso. A Bolsa tenderia a diferenciar empresas pela geração de caixa, enquanto a recuperação dos investimentos dependeria da previsibilidade econômica. No venture capital, o caminho para crescer de maneira sustentável passa por inovação, ganhos de produtividade e startups capazes de transformar tecnologia em receitas recorrentes”, Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest.
“O crédito é um dos principais canais pelos quais a política fiscal chega à economia real. O Focus projetava Selic de 11,75% e crescimento de 1,31% em 2027, mas a combinação de gastos maiores e pressão cambial poderia deslocar essas estimativas, em um cenário de estresse, para juros entre 12,25% e 12,75% e crescimento de 1% a 1,2%. Para sustentar a queda dos juros até 2028, seria necessário ao menos enfrentar o déficit primário de 0,7% do PIB projetado pela IFI, o equivalente a aproximadamente R$ 102 bilhões em 2027, além de construir uma trajetória confiável para a dívida. Uma expansão de gastos de 1% do PIB representaria R$ 145 bilhões, mas, em um exercício de sensibilidade, juros e dólar mais altos poderiam neutralizar entre 25% e 50% do crescimento inicialmente produzido. Isso também influenciaria a Bolsa e as decisões de investimento, especialmente as operações de longo prazo. Com inflação mundial projetada em 4,1% para 2027, planejamento financeiro, garantias adequadas e financiamentos estruturados conforme o fluxo de caixa serão fundamentais para ampliar a previsibilidade do crédito imobiliário, rural e empresarial”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.
“O debate econômico após a eleição precisa considerar quanto do gasto público realmente se transforma em produção e renda. O Focus projetava crescimento de 1,31% e Selic de 11,75% em 2027, enquanto o FMI espera expansão mundial de 3,4%. Em um cenário de estímulo fiscal sem compensação permanente, essas projeções poderiam migrar para crescimento de 1% a 1,2% e juros entre 12,25% e 12,75%. Para preservar a redução da Selic até 2028, eliminar o déficit primário estimado pela IFI exigiria aproximadamente R$ 102 bilhões em melhora fiscal, acompanhados de maior previsibilidade orçamentária. Se o governo ampliar gastos em 1% do PIB, aproximadamente R$ 145 bilhões, um exercício de sensibilidade indica que entre 25% e 50% do impulso inicial ao crescimento poderia ser compensado pela reação dos juros e do dólar. Isso elevaria a seletividade da Bolsa e dos investimentos privados. A resposta estrutural está também na produtividade. Uma empresa que movimenta R$ 100 milhões anuais em recebíveis e reduz seu custo financeiro em 0,5 ponto percentual sobre essa base economiza R$ 500 mil por ano, antes dos custos operacionais. Ganhos de eficiência em pagamentos, cobrança e crédito representam uma forma concreta de ampliar a atividade sem depender exclusivamente de estímulos fiscais”, Leticia Moschioni, Sócia da Finscale.
“O dólar pode mudar completamente a leitura do Focus para o investidor brasileiro. A Selic projetada de 11,75% para 2027 ofereceria um retorno nominal elevado, mas uma aplicação hipotética com esse rendimento, combinada com desvalorização cambial de 10%, entregaria apenas 1,6% em dólar, antes de custos e impostos. Se a percepção fiscal levar os juros esperados para uma faixa de 12,25% a 12,75% e reduzir a projeção de crescimento para 1% a 1,2%, a cotação cambial e a taxa de desconto das ações ganharão ainda mais importância. A correção do déficit primário de 0,7% do PIB projetado pela IFI exigiria esforço aproximado de R$ 102 bilhões para restabelecer o equilíbrio. Uma expansão fiscal de R$ 145 bilhões, ou 1% do PIB, poderia perder entre 25% e 50% de seu impulso inicial em uma simulação de pressão sobre dólar e juros. Na Bolsa, exportadoras e empresas ligadas ao consumo doméstico reagiriam de formas diferentes, enquanto o investimento dependeria do custo de capital. Com crescimento mundial de 3,4% previsto pelo FMI, a diversificação por moedas, geografias e ETFs internacionais permite ao investidor acessar diferentes ciclos econômicos e reduzir a concentração patrimonial no cenário brasileiro”, Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset.
(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)